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terça-feira, 13 de setembro de 2011
Tulou
Província de Fujian. Escondidos nas montanhas. 500 anos, 600 anos, aquelas coisas de China. Dezenas de pessoas vivendo nessas construções de barro, areia, bambu, folhagem e madeiras variadas. Foram "descobertas" na década de 1970. Viagem.



terça-feira, 28 de setembro de 2010
Incêndios
Tanta coisa interessante para comentar. Tantos perigos no mar revolto da política internacional. Tantas decepções no campo das finanças internacionais. Tantas músicas, tantas pessoas, tantas viagens, tantas tantas que só quem não vive não se espanta!
Descobri que o blog antecipa tendências, hehe. A oposição, em vias de ser derrotada, anuncia perigos para a democracia. Já falei sobre isso lá atrás, no ano passado. Há outros posts também. Mas deixa pra lá. Escreverei sobre isso e outras coisas após o resultado final.
Queria comentar mesmo sobre o incêndio na Favela do Real Parque (Jardim Panorama). Mais um incêndio numa favela em SP. Quantos foram nos últimos 12 meses mesmo? Vários, inúmeros. E como anda o Plano Diretor de SP? A Barra Funda? As marginais? A expansão do mercado imobiliário que banca as campanhas de setores da política paulista?
Tudo muito estranho.
Vocês já ouviram falar do Parque Cidade Jardim? Misto de condomínio residencial, clube e shopping center. Você faz tudo sem sair de dentro dos muros de seu paraíso. Só convive com os de sua classe. Além dos empregados, evidentemente. Segurança informatizada, câmeras, agentes de vigilância bem pagos. Uma ilha de riqueza e segurança. Privacidade, privada, privação. Do convívio com o outro.
A arquitetura da segregação. Na sua essência, a anti-democracia. O fechamento do espaço público.
Pois bem, o Parque Cidade Jardim é vizinho da Favela Real Parque. Já havia postado aqui sobre o Na Real do Real, vídeo dos moradores da favela. Agora posto outro, quando os moradores de lá foram protestar durante o evento de inauguração do Parque Cidade Jardim. Isso foi em 2007, creio.
Show de Caetano, estampa fina para os convidados. O Parque Cidade Jardim. De frente para o Rio Pinheiros. Rio sujo e sem vida. Do outro lado das torres das corporações globais. Espremendo as favelas. Muros, seguranças. Um burgo, tal qual na Idade Média. A arquitetura da segregação.
Eu adoro Caetano. Independente de suas opiniões políticas. Não vamos misturar arte com política. Às vezes pode ser, mas com moderação. Senão fica tudo muito chato, muito radicalizado. A força da grana que ergue e destrói coisas belas.
Fiquemos com o vídeo.
Mas antes, irresistível finalizar: os que hoje clamam por democracia são os que desejam derrubá-la. Foi assim com Vargas. Foi assim em 1964. É assim também, de forma caricata e tosca, que se apresentam nossas vestais do Século XXI. Mas vejam só o povo, esse tal de povo, esses que não conhecem sua própria ignorância, que não conhecem seu lugar, que não se colocam em seu lugar, vejam só, o povo está aprendendo a se manifestar. E parece dispensar interpretações.
E como são numerosos! E como incomodam! E como é perigosa essa democracia! Fogo!
(i) em decorrência da manifestação, foi permitida a uma menina, a que sai chorando ao final do vídeo, a leitura de um manifesto aos brancos de olhos azuis (metáfora) que se deliciavam em seu showzinho privê, num espaço privê, com tudo de graça. uma garrafa servida naquela noite valia mais do que o bolsa família de uma mãe carente. muito ainda se escreverá da psicologia, da sociologia, da falta de filosofia de certo pensamento entranhado em parcela das elites paulistanas na alvorada do século XXI... a arquitetura da segregação é apenas uma forma de manifestação dessa distorção terrível
(ii) às vezes sinto-me um exilado, mas creio que todo exilado carrega em si a vontade de retorno ao meio em que se formou, seja para acomodar-se no aconchego familiar, seja para transformá-lo com base em sua própria evolução. cresci ao lado da Favela do Real Parque e no seio da mentalidade do Parque Cidade Jardim
Descobri que o blog antecipa tendências, hehe. A oposição, em vias de ser derrotada, anuncia perigos para a democracia. Já falei sobre isso lá atrás, no ano passado. Há outros posts também. Mas deixa pra lá. Escreverei sobre isso e outras coisas após o resultado final.
Queria comentar mesmo sobre o incêndio na Favela do Real Parque (Jardim Panorama). Mais um incêndio numa favela em SP. Quantos foram nos últimos 12 meses mesmo? Vários, inúmeros. E como anda o Plano Diretor de SP? A Barra Funda? As marginais? A expansão do mercado imobiliário que banca as campanhas de setores da política paulista?
Tudo muito estranho.
Vocês já ouviram falar do Parque Cidade Jardim? Misto de condomínio residencial, clube e shopping center. Você faz tudo sem sair de dentro dos muros de seu paraíso. Só convive com os de sua classe. Além dos empregados, evidentemente. Segurança informatizada, câmeras, agentes de vigilância bem pagos. Uma ilha de riqueza e segurança. Privacidade, privada, privação. Do convívio com o outro.
A arquitetura da segregação. Na sua essência, a anti-democracia. O fechamento do espaço público.
Pois bem, o Parque Cidade Jardim é vizinho da Favela Real Parque. Já havia postado aqui sobre o Na Real do Real, vídeo dos moradores da favela. Agora posto outro, quando os moradores de lá foram protestar durante o evento de inauguração do Parque Cidade Jardim. Isso foi em 2007, creio.
Show de Caetano, estampa fina para os convidados. O Parque Cidade Jardim. De frente para o Rio Pinheiros. Rio sujo e sem vida. Do outro lado das torres das corporações globais. Espremendo as favelas. Muros, seguranças. Um burgo, tal qual na Idade Média. A arquitetura da segregação.
Eu adoro Caetano. Independente de suas opiniões políticas. Não vamos misturar arte com política. Às vezes pode ser, mas com moderação. Senão fica tudo muito chato, muito radicalizado. A força da grana que ergue e destrói coisas belas.
Fiquemos com o vídeo.
Mas antes, irresistível finalizar: os que hoje clamam por democracia são os que desejam derrubá-la. Foi assim com Vargas. Foi assim em 1964. É assim também, de forma caricata e tosca, que se apresentam nossas vestais do Século XXI. Mas vejam só o povo, esse tal de povo, esses que não conhecem sua própria ignorância, que não conhecem seu lugar, que não se colocam em seu lugar, vejam só, o povo está aprendendo a se manifestar. E parece dispensar interpretações.
E como são numerosos! E como incomodam! E como é perigosa essa democracia! Fogo!
(i) em decorrência da manifestação, foi permitida a uma menina, a que sai chorando ao final do vídeo, a leitura de um manifesto aos brancos de olhos azuis (metáfora) que se deliciavam em seu showzinho privê, num espaço privê, com tudo de graça. uma garrafa servida naquela noite valia mais do que o bolsa família de uma mãe carente. muito ainda se escreverá da psicologia, da sociologia, da falta de filosofia de certo pensamento entranhado em parcela das elites paulistanas na alvorada do século XXI... a arquitetura da segregação é apenas uma forma de manifestação dessa distorção terrível
(ii) às vezes sinto-me um exilado, mas creio que todo exilado carrega em si a vontade de retorno ao meio em que se formou, seja para acomodar-se no aconchego familiar, seja para transformá-lo com base em sua própria evolução. cresci ao lado da Favela do Real Parque e no seio da mentalidade do Parque Cidade Jardim
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sábado, 26 de junho de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Bairro Sustentável
vou sair para jantar e depois posto mais vídeos
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segunda-feira, 29 de março de 2010
Lamaçal em Brasília

Na foto, intervenção artística de um pessoal legal e muito querido em frente à gloriosa sede do Governo do Distrito Federal.
Quem acompanha o blog sabe que em alguns posts já havia comentado sobre as desventuras da especulação imobiliária no Distrito Federal, fortemente ancorada no poder político local, cujo símbolo maior era a presença de Paulo Otavio como vice-governador. Sob o silêncio vergonhoso da imprensa do DF, e nacional, o rolo compressor do executivo no legislativo aprovou alterações no Plano Diretor que abriam as portas, arrombavam-nas, para o deleite de grileiros, especuladores e construtoras, além de todo o setor de comercialização. Creio que apenas 4 deputados do PT e o Reguffe, do PDT, votaram contra.
O Setor Noroeste é o símbolo de tudo isso. Situado entre duas grandes áreas de proteção ambiental, em meio a nascentes e ligações pluviais importantes nessa região do cerrado, o novo Plano Diretor liberava geral para o soerguimento de nova área para apartamentos de luxo. Para "facilitar as coisas", ao invés de licitações por edifício, fizeram por quadra, assim só os grandes teriam bala para participar. Tudo correu rápido, desde a aprovação do Plano, com poucas e "encomendadas" audiências públicas, até a realização das licitações iniciais. O marketing ficou por conta do tal "bairro sustentável", que para mim é uma hipocrisia semelhante à dessas grandes empresas e bancos que se dizem verdes mas estão inteiramente integrados à uma lógica maior que é contra tudo que eles dizem prezar.
Dei uma passada pela região do Noroeste logo antes de sair do Brasil. Os tratores estavam lá arregaçando geral. Cerrado abaixo. Corrupção, concentração de renda. Prédios para os ricos. Mais carros, mais trânsito.
Pois bem, com o afundamento do Governo do GDF e a vergonhosa nudez de toda a elite política local, a merda começa a subir para a superfície. Foi paga propina para os deputados aprovarem o novo Plano Diretor. Acho que ficou no mesmo patamar das outras sujeiras da área de informática: 40% Arruda; 30% Paulo Otavio; o resto para os deputados, talvez alguns secretários. Aqui e ali a imprensa começa a ouvir partes interessadas (urbanistas, ecologistas, acadêmicos) que desvendam como foi o processo de aprovação do Plano.
Não tenho detalhes por estar distante, acompanhando muito mais os temas da China e da Ásia, trabalhando bastante, mas o fato é que já está mais ou menos claro o que eu apenas insinuava aqui.
Brasília chocou-me logo que cheguei. Onde moram os pobres, os empregados domésticos, vigilantes, motoristas, etc...? Nas cidades-satélite, 30km ou 50km distantes. O horror, quase um cenário totalitário. As mansões do Lago Sul, mansões do ParkWay. E a massa num inferno distante, uma segregação social explícita. Com meios de transporte limitados, caros.
O planejamento do DF pode até ter sido feito com boas intenções, mas deu errado. A República não se encontra refletida no ordenamento urbano de Brasília. Havia, sim, um sistema totalitário, pois incrivelmente poucas das pessoas com as quais eu me relacionava questionavam isso, atentavam para tal absurdo, uma completa aberração. Até surreal: Brasilia, toda organizadinha, limpinha, florida, planejada... porém com enormes guetos em seu entorno.
Artistas, lógico, tinham essa percepção bem clara. Vladimir Carvalho, guerreiro ainda forte, tá na ativa, filmou a obra-prima documental que é o Conterrâneos Velhos de Guerra. Acadêmicos escreveram sobre a evolução do GDF. Tenho alguns, diversos livros, com teor bastante crítico.
Pouco antes de sair para o exterior, em uma de minhas crises profissionais, pensei até em me desligar de minha profissão, dar um tempo, mudar meu título para o DF e sair candidato a deputado distrital por algum partido. Chutar o balde, jogar pra cima, partir para uma outra na qual eu seria mais independente, na qual poderia lidar com coisas mais concretas, mais próximas à nossa realidade do que a política internacional. Não fui por aí, escolhas, receios, mas logo depois veio a público a merdalhada toda e hoje penso que minhas chances seriam muito maiores caso tivesse insistido nessa pequena loucura. E cá estou escrevendo sobre a possibilidade de uma bolha na economia chinesa, sobre os desencontros China-EUA, sobre a enorme rede de trens de alta velocidade que eles estão construindo...
Saudade grande do cerrado, torcida à distância, esperança de que dias melhores virão. O Reguffe deveria sair candidato a Governador, ele me parece um cara com boas idéias, recordo-me dele denunciando o Setor Noroeste, o tal "bairro sustentável".
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domingo, 21 de março de 2010
A situação nas favelas brasileiras
Há avanços, mas a moradia ainda prossegue sendo um problema fundamental de nossa República. Os programas voltados aos mais pobres devem melhorar bastante a situação na próxima década. A conferir...
Agência Brasil - Brasil poderia ter investido mais na melhoria de favelas, diz oficial da ONU
Vitor Abdala
Rio de Janeiro - Cerca de 10,4 milhões de pessoas deixaram de morar em favelas no Brasil nos últimos dez anos, segundo estudo divulgado ontem (18) pela agência da Organização das Nações Unidas para Habitação. (ONU-Habitat). Isso significa que a população das favelas foi reduzida em 16% no país. No entanto, diz o coordenador da pesquisa, Eduardo López Moreno, o progresso brasileiro poderia ter sido maior.
Segundo Moreno, as autoridades brasileiras poderiam ter trabalhado mais nesse período para obter, pelo menos, um índice superior ao progresso médio da América Latina, que reduziu em 19,5% a população das favelas. Países como a Colômbia e a Argentina conseguiram reduções de mais de 40%.
“Seria muito melhor se o Brasil tivesse conseguido melhorar de 20% a 30% e que estivéssemos falando de 20 milhões de pessoas [que deixaram as favelas], em vez de 10 milhões. Sem dúvida, os esforços deveriam ter sido maiores, principalmente entre 2000 e 2005, já que grande parte desses 10 milhões saíram da pobreza depois de 2005”, disse.
O oficial da ONU atribui o avanço maior a partir de 2005 as ações como o programa de transferência de renda Bolsa Família. Moreno disse que, graças a programas como esse e como o Minha Casa, Minha Vida, de financiamento habitacional para famílias de baixa renda, o Brasil deverá ter avanços mais expressivos nos próximos anos. O país continua com cerca de 26% da população vivendo em habitações precárias.
“O que eu posso dizer, com todo conhecimento de causa, é que o caso brasileiro vai mostrar que essas políticas vão ter um alto sucesso. E vão ter um alto sucesso por causa da magnitude dos recursos envolvidos, do número de cidades que as estão implementando, do número de pessoas que estão sendo beneficiadas por elas. Haverá uma evolução”, afirmou Moreno.
Segundo a ONU, deixar de morar em uma favela não significa necessariamente que a pessoa foi viver em outro lugar. Pode significar também que a área onde essa pessoa mora tenha simplesmente sido melhorada em termos de saneamento e condições de moradia, a ponto de deixar de ser considerada uma favela, explicou.
A diretora executiva da ONU-Habitat, Anna Tibaijuka, disse que 227 milhões de pessoas deixaram de morar em favelas em todo o mundo nos últimos dez anos, mas ressaltou que um número ainda maior passou a viver nesses locais, o que fez com que a população global de favelados passasse de 776,7 milhões para 827,6 milhões.
Para ela, o mundo conseguiu atingir uma das Metas do Milênio, a que previa a retirada de até 100 milhões de pessoas de habitações precárias até 2020. Apesar disso, Anna não está satisfeita, já que isso aconteceu de forma desigual ao redor do mundo.
“Enquanto conseguimos ter melhorias em países como a Índia, a China, a Indonésia, o Marrocos e a Tunísia, na África Subsaariana e na Ásia Ocidental, a história é diferente. Nesses lugares, a maioria das pessoas continua vivendo em favelas, sem água, sem saneamento e sem habitações decentes”, disse.
Agência Brasil - Brasil poderia ter investido mais na melhoria de favelas, diz oficial da ONU
Vitor Abdala
Rio de Janeiro - Cerca de 10,4 milhões de pessoas deixaram de morar em favelas no Brasil nos últimos dez anos, segundo estudo divulgado ontem (18) pela agência da Organização das Nações Unidas para Habitação. (ONU-Habitat). Isso significa que a população das favelas foi reduzida em 16% no país. No entanto, diz o coordenador da pesquisa, Eduardo López Moreno, o progresso brasileiro poderia ter sido maior.
Segundo Moreno, as autoridades brasileiras poderiam ter trabalhado mais nesse período para obter, pelo menos, um índice superior ao progresso médio da América Latina, que reduziu em 19,5% a população das favelas. Países como a Colômbia e a Argentina conseguiram reduções de mais de 40%.
“Seria muito melhor se o Brasil tivesse conseguido melhorar de 20% a 30% e que estivéssemos falando de 20 milhões de pessoas [que deixaram as favelas], em vez de 10 milhões. Sem dúvida, os esforços deveriam ter sido maiores, principalmente entre 2000 e 2005, já que grande parte desses 10 milhões saíram da pobreza depois de 2005”, disse.
O oficial da ONU atribui o avanço maior a partir de 2005 as ações como o programa de transferência de renda Bolsa Família. Moreno disse que, graças a programas como esse e como o Minha Casa, Minha Vida, de financiamento habitacional para famílias de baixa renda, o Brasil deverá ter avanços mais expressivos nos próximos anos. O país continua com cerca de 26% da população vivendo em habitações precárias.
“O que eu posso dizer, com todo conhecimento de causa, é que o caso brasileiro vai mostrar que essas políticas vão ter um alto sucesso. E vão ter um alto sucesso por causa da magnitude dos recursos envolvidos, do número de cidades que as estão implementando, do número de pessoas que estão sendo beneficiadas por elas. Haverá uma evolução”, afirmou Moreno.
Segundo a ONU, deixar de morar em uma favela não significa necessariamente que a pessoa foi viver em outro lugar. Pode significar também que a área onde essa pessoa mora tenha simplesmente sido melhorada em termos de saneamento e condições de moradia, a ponto de deixar de ser considerada uma favela, explicou.
A diretora executiva da ONU-Habitat, Anna Tibaijuka, disse que 227 milhões de pessoas deixaram de morar em favelas em todo o mundo nos últimos dez anos, mas ressaltou que um número ainda maior passou a viver nesses locais, o que fez com que a população global de favelados passasse de 776,7 milhões para 827,6 milhões.
Para ela, o mundo conseguiu atingir uma das Metas do Milênio, a que previa a retirada de até 100 milhões de pessoas de habitações precárias até 2020. Apesar disso, Anna não está satisfeita, já que isso aconteceu de forma desigual ao redor do mundo.
“Enquanto conseguimos ter melhorias em países como a Índia, a China, a Indonésia, o Marrocos e a Tunísia, na África Subsaariana e na Ásia Ocidental, a história é diferente. Nesses lugares, a maioria das pessoas continua vivendo em favelas, sem água, sem saneamento e sem habitações decentes”, disse.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Arquitetura da Segregação
Na semana passada, mais incêndios em favelas paulistanas. O Kassab também anunciou a "remoção" de milhares de famílias das margens do córrego Águas Espraiadas. Pretende fazer nada mais nada menos que um túnel entre a saída da Berrini/Morumbi e a Imigrantes. Mais uma obra bilionária para automóveis, não para os seres humanos. Coisa leve, fácil, baratinha, para que os ricos possam chegar mais rapidamente à praia e, tá bom, que os caminhões desçam melhor para o porto de Santos.
Por cima do túnel, o projeto promete um parque e, segundo o plano de marketing, moradias razoavelmente populares. Sei, ãhãn, acredita nele, moradias populares. Justo Kassab e seus vereadores, amplamente financiados pelo setor imobiliário. Esse blog já vai direto ao ponto: é mais uma obra faraônica, enormes investimentos públicos, para privilégio dos automóveis e a viabilização da valorização imobiliária. Um túnel para a especulação. E os pobres favelados serão expulsos para recantos longínquos das zonas leste e sul. E a estória do parque é como o Setor Noroeste em Brasília (bairro sustentável): busca dar uma roupagem verde, "sustentável", para um empreendimento socialmente segregador, concentrador de renda e com parcos requisitos do que se pode entender como desenvolvimento urbano de qualidade.
A cidade que cresce e enriquece não é para eles, que estão lá longe, alagados nas marginais, na zona leste ou nas cidades satélite. São Paulo é a "cidade dos muros", conforme falou a maravilhosa Teresa Pires do Rio Caldeira. Uma cidade segregada, privatizada, com espaços públicos degradados. E tome obras para carros, especulação imobiliária, remoção de favelas, etc... E Brasília é a Ilha da Fantasia, uma distribuição espacial burocraticamente hierarquizada, distante, inalcançável. Aliás, deverei voltar a comentar em breve, mas apenas adianto que em Brasília explodem as contratações de empresas de segurança, vigilância privada, câmeras e luzes bem fortes. O pesadelo privatista ensaia novos avanços na capital do país.
A continuar...
PS: Abro aspas para recentes mudanças no Orçamento 2010 da Prefeitura de SP:
"Ultimo Segundo/Agência Estado
Câmara de São Paulo corta verba contra enchentes, e garante a da publicidade
Votado em segunda discussão menos de quatro horas após ser apresentado aos líderes de bancada, a terceira versão do Orçamento de São Paulo para 2010 veio com uma redução de R$ 70,4 milhões na verba destinada à canalização de córregos, de R$ 30 milhões na coleta de lixo e de R$ 1 milhão para obras em áreas de risco.
O corte de R$ 1 bilhão feito de última hora pelo relator Milton Leite (DEM), contudo, não afetou os R$ 126 milhões reservados para a publicidade oficial da gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e a verba recorde da própria Câmara, fixada em R$ 399 milhões, um crescimento de 29% para o ano eleitoral, em relação aos recursos gastos deste ano (R$ 310,3 milhões)."
Por cima do túnel, o projeto promete um parque e, segundo o plano de marketing, moradias razoavelmente populares. Sei, ãhãn, acredita nele, moradias populares. Justo Kassab e seus vereadores, amplamente financiados pelo setor imobiliário. Esse blog já vai direto ao ponto: é mais uma obra faraônica, enormes investimentos públicos, para privilégio dos automóveis e a viabilização da valorização imobiliária. Um túnel para a especulação. E os pobres favelados serão expulsos para recantos longínquos das zonas leste e sul. E a estória do parque é como o Setor Noroeste em Brasília (bairro sustentável): busca dar uma roupagem verde, "sustentável", para um empreendimento socialmente segregador, concentrador de renda e com parcos requisitos do que se pode entender como desenvolvimento urbano de qualidade.
A cidade que cresce e enriquece não é para eles, que estão lá longe, alagados nas marginais, na zona leste ou nas cidades satélite. São Paulo é a "cidade dos muros", conforme falou a maravilhosa Teresa Pires do Rio Caldeira. Uma cidade segregada, privatizada, com espaços públicos degradados. E tome obras para carros, especulação imobiliária, remoção de favelas, etc... E Brasília é a Ilha da Fantasia, uma distribuição espacial burocraticamente hierarquizada, distante, inalcançável. Aliás, deverei voltar a comentar em breve, mas apenas adianto que em Brasília explodem as contratações de empresas de segurança, vigilância privada, câmeras e luzes bem fortes. O pesadelo privatista ensaia novos avanços na capital do país.
A continuar...
PS: Abro aspas para recentes mudanças no Orçamento 2010 da Prefeitura de SP:
"Ultimo Segundo/Agência Estado
Câmara de São Paulo corta verba contra enchentes, e garante a da publicidade
Votado em segunda discussão menos de quatro horas após ser apresentado aos líderes de bancada, a terceira versão do Orçamento de São Paulo para 2010 veio com uma redução de R$ 70,4 milhões na verba destinada à canalização de córregos, de R$ 30 milhões na coleta de lixo e de R$ 1 milhão para obras em áreas de risco.
O corte de R$ 1 bilhão feito de última hora pelo relator Milton Leite (DEM), contudo, não afetou os R$ 126 milhões reservados para a publicidade oficial da gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e a verba recorde da própria Câmara, fixada em R$ 399 milhões, um crescimento de 29% para o ano eleitoral, em relação aos recursos gastos deste ano (R$ 310,3 milhões)."
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domingo, 29 de novembro de 2009
Notícias do Distrito Federal
Parece até que sabia, foi curioso. Há algumas semanas, arrisquei alguns rabiscos sobre a estrutura urbana de Brasilia. Uma geografia social segregada, distante, hierárquica, e é tudo tão quadrado, tão planejado, segue a rotina burocrática, arranjo ideológico, cultural e político de certa circunstância do cerrado brasileiro que tomou vida própria, disforme, PauloOctavio Grupo OK Via Empreendimentos sob as batutas da Terracap, da Justiça e da gloriosa Câmara Distrital do DF.
E agora, na sequência de ter publicado um post sobre os planos do Governo do Distrito Federal (GDF) para a Copa do Mundo, aparece essa bomba no colo do pessoal. Tá feia a coisa para eles. Estilhaços estão voando. Juridicamente, não dá para dizer para onde a coisa vai andar, mas politicamente o estrago está feito e não é pequeno. O Arruda vai tratar de salvar a pele, o Paulo Otavio também. Algumas cabeças menores já foram rifadas, inclusive o cara que organizava a Copa em Brasília, Chefe de Gabinete do Arruda (o antigo Chefe de Gabinete foi para o Tribunal de Contas do DF ai ai ai...).
Já escrevi aqui, e tanta gente bem intencionada vem repetindo isso, que o financiamento das campanhas, de maneira geral, e a montagem de coalizões no Poder Legislativo, especificamente, conformam grandes fraquezas da República. Vou escrever mais sobre isso. Essa seria uma grande reforma a ser feita no primeiro ano de mandato do próximo Presidente. Para facilitar a aprovação, as mudanças poderiam passar a valer apenas nas eleições de 2014, 2016 ou mesmo 2018.
Alguns dirão que é muito longe, pode até ser, mas não penso que importe muito, o fundamental é tornar a política menos dependente do dinheiro, é uma das coisas que eu diria sem dúvida fazem parte dos grandes interesses da nação.
E agora, na sequência de ter publicado um post sobre os planos do Governo do Distrito Federal (GDF) para a Copa do Mundo, aparece essa bomba no colo do pessoal. Tá feia a coisa para eles. Estilhaços estão voando. Juridicamente, não dá para dizer para onde a coisa vai andar, mas politicamente o estrago está feito e não é pequeno. O Arruda vai tratar de salvar a pele, o Paulo Otavio também. Algumas cabeças menores já foram rifadas, inclusive o cara que organizava a Copa em Brasília, Chefe de Gabinete do Arruda (o antigo Chefe de Gabinete foi para o Tribunal de Contas do DF ai ai ai...).
Já escrevi aqui, e tanta gente bem intencionada vem repetindo isso, que o financiamento das campanhas, de maneira geral, e a montagem de coalizões no Poder Legislativo, especificamente, conformam grandes fraquezas da República. Vou escrever mais sobre isso. Essa seria uma grande reforma a ser feita no primeiro ano de mandato do próximo Presidente. Para facilitar a aprovação, as mudanças poderiam passar a valer apenas nas eleições de 2014, 2016 ou mesmo 2018.
Alguns dirão que é muito longe, pode até ser, mas não penso que importe muito, o fundamental é tornar a política menos dependente do dinheiro, é uma das coisas que eu diria sem dúvida fazem parte dos grandes interesses da nação.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Brasil século XXI
Hoje o Brasil está na capa do Economist. Decolando.
O Presidente de Israel está aqui. Daqui a pouco teremos a Autoridade Palestina. Na sequência, o Presidente do Irã. Uma trinca dessas, vejam só que trinca, atravessa continentes, mares e séculos para avistar-se com os conterrâneos dos trópicos por onde saltitou e brincou Macunaíma, nosso herói sem caráter. Golaço da diplomacia brasileira.
Alguns países e importantes figuras pedem ao Brasil que medie o bafafá entre Colômbia e Venezuela. Nesse meio tempo, teremos Cristina Kirchner aqui. No começo de dezembro, o Presidente Lula será recebido por Angela Merkel. E assim vai, num crescente...
É cada vez mais difícil para setores oposicionistas da grande imprensa taparem o sol com a peneira. Mas eles tentam e há gente que compra o que lê. Estão acostumados a desmerecer seu próprio país para melhor poderem pilhá-lo. Bom, esperar o que de quem jogou pesado para convencer a platéia de que o combate ao crime do colarinho branco é uma ameaça às liberdades e ao Estado de Direito. A ABIN não pode colaborar com a PF, vejam só, é ilegal, anulem todo o processo. Socorro, a República do Grampo, um Estado Totalitário.
E, bem, o rentismo resiste, clamam por uma alta na taxa de juros, querem mais bolhas e o câmbio valorizando. A arbitragem e a intermediação do capital externo são um dinheiro fácil, muito fácil. Uma das consequências, o déficit em conta corrente, que historicamente nos arrebentou, seria a contrapartida de nossa baixa poupança, o necessário complemento aos investimentos que tanto precisamos. Não há o que fazer, não faltará financiamento, nos dizem os arautos da "ciência" econômica e do discurso "técnico". Ficam aí esgrimindo identidades contábeis invertendo relações de causa e efeito. O câmbio, nessa fábula maravilhosa, é variável de ajuste para desequilíbrios mais fundamentais. Fingem ou talvez até acreditem que tais construções discursivas não representam interesses bem concretos. Não há o que fazer, segundo eles, desta vez é diferente. Como diria Kenneth Rogoff, um dos mestres de Harvard, sempre que alguém disser que "desta vez é diferente", não tenha dúvidas, estamos diante de uma bolha.
Os R$ 70 do Bolsa Família farão com que os pobres, esses vagabundos incompetentes que votam errado, se acomodem. E é uma irresponsabilidade aumentar o salário mínimo. As contas vão estourar. Mas espera aí, o mercado vê sinais de inflação em 2010 ou 2011. Há um perigo de descontrole, uma farra, um rombo. É melhor, por precaução, aumentarmos os juros pois os credores da dívida demandam um retorno maior diante de tantos riscos. É o mercado, não se pode enfrentar as forças do mercado, sempre haverá um jeito de burlar regras. As CC5, a lavagem de dinheiro, a evasão fiscal, o planejamento tributário. Os fundos offshore com isenção de impostos. O mar do Caribe, o guarda-chuva da família real em Jersey, a pompa e a circunstância de nossos fleumáticos suíços e seus vizinhos de Luxemburgo.
Se a Dilma ganhar, a democracia estará ameaçada. Profundo. Mas, enfim... Brasil século XXI. A luta continua. E o Brasil seguirá democrático com a vitória de A, B ou C.
Engraçado que finalmente hoje, quando o Economist, na sequência do Financial Times, o NYT, o Herald, bem, toda a imprensa internacional louva o Brasil, eu finalmente resolva postar o vídeo do Na Real do Real. Hoje, justo hoje que li Rodrik defendendo o IOF, mais um dos big shots do mainstream do debate da economia política toma posição em defesa da sinalização que o governo emitiu para os money managers. E após Taiwan ter também adotado precauções contra o afluxo das armas financeiras de destruição em massa, a enorme liquidez em busca de plataformas de valorização.
Favela do Real Parque, Morumbi, ao amanhecer. Em meio às mansões com segurança privada, cercas elétricas e circuitos internos de vigilância informatizados. De frente aos mais modernos prédios da Berrini, onde funcionam as subsidiárias nacionais de algumas das grandes corporações do capital cosmopolita. A modernidade, a tecnologia, uma ponte que brilha, brilha para a especulação. Dinheiro e poder. Poder e dinheiro. Segregação. A Justiça, a PM, às 6 da manhã. Perdoai os nossos erros, Ave Maria, cheia de graça, Olorum.
Ainda ficarei devendo comentários sobre tudo isso. Quem sabe em breve eu vá falar da maravilhosa Teresa Pires do Rio Caldeira. E do texto de Mariana Fix. E dos Conterrâneos Velhos de Guerra. O Setor Noroeste de Brasília. As cidades satélites e a ilha da fantasia, o Plano Piloto.
Brasil século XXI, contradições, desafios, oportunidades.
Amadurecimento.
Pensamento, voz, liberdade, Na Real do Real. A democratização dos meios de comunicação. Perdoai, Ave Maria
O Presidente de Israel está aqui. Daqui a pouco teremos a Autoridade Palestina. Na sequência, o Presidente do Irã. Uma trinca dessas, vejam só que trinca, atravessa continentes, mares e séculos para avistar-se com os conterrâneos dos trópicos por onde saltitou e brincou Macunaíma, nosso herói sem caráter. Golaço da diplomacia brasileira.
Alguns países e importantes figuras pedem ao Brasil que medie o bafafá entre Colômbia e Venezuela. Nesse meio tempo, teremos Cristina Kirchner aqui. No começo de dezembro, o Presidente Lula será recebido por Angela Merkel. E assim vai, num crescente...
É cada vez mais difícil para setores oposicionistas da grande imprensa taparem o sol com a peneira. Mas eles tentam e há gente que compra o que lê. Estão acostumados a desmerecer seu próprio país para melhor poderem pilhá-lo. Bom, esperar o que de quem jogou pesado para convencer a platéia de que o combate ao crime do colarinho branco é uma ameaça às liberdades e ao Estado de Direito. A ABIN não pode colaborar com a PF, vejam só, é ilegal, anulem todo o processo. Socorro, a República do Grampo, um Estado Totalitário.
E, bem, o rentismo resiste, clamam por uma alta na taxa de juros, querem mais bolhas e o câmbio valorizando. A arbitragem e a intermediação do capital externo são um dinheiro fácil, muito fácil. Uma das consequências, o déficit em conta corrente, que historicamente nos arrebentou, seria a contrapartida de nossa baixa poupança, o necessário complemento aos investimentos que tanto precisamos. Não há o que fazer, não faltará financiamento, nos dizem os arautos da "ciência" econômica e do discurso "técnico". Ficam aí esgrimindo identidades contábeis invertendo relações de causa e efeito. O câmbio, nessa fábula maravilhosa, é variável de ajuste para desequilíbrios mais fundamentais. Fingem ou talvez até acreditem que tais construções discursivas não representam interesses bem concretos. Não há o que fazer, segundo eles, desta vez é diferente. Como diria Kenneth Rogoff, um dos mestres de Harvard, sempre que alguém disser que "desta vez é diferente", não tenha dúvidas, estamos diante de uma bolha.
Os R$ 70 do Bolsa Família farão com que os pobres, esses vagabundos incompetentes que votam errado, se acomodem. E é uma irresponsabilidade aumentar o salário mínimo. As contas vão estourar. Mas espera aí, o mercado vê sinais de inflação em 2010 ou 2011. Há um perigo de descontrole, uma farra, um rombo. É melhor, por precaução, aumentarmos os juros pois os credores da dívida demandam um retorno maior diante de tantos riscos. É o mercado, não se pode enfrentar as forças do mercado, sempre haverá um jeito de burlar regras. As CC5, a lavagem de dinheiro, a evasão fiscal, o planejamento tributário. Os fundos offshore com isenção de impostos. O mar do Caribe, o guarda-chuva da família real em Jersey, a pompa e a circunstância de nossos fleumáticos suíços e seus vizinhos de Luxemburgo.
Se a Dilma ganhar, a democracia estará ameaçada. Profundo. Mas, enfim... Brasil século XXI. A luta continua. E o Brasil seguirá democrático com a vitória de A, B ou C.
Engraçado que finalmente hoje, quando o Economist, na sequência do Financial Times, o NYT, o Herald, bem, toda a imprensa internacional louva o Brasil, eu finalmente resolva postar o vídeo do Na Real do Real. Hoje, justo hoje que li Rodrik defendendo o IOF, mais um dos big shots do mainstream do debate da economia política toma posição em defesa da sinalização que o governo emitiu para os money managers. E após Taiwan ter também adotado precauções contra o afluxo das armas financeiras de destruição em massa, a enorme liquidez em busca de plataformas de valorização.
Favela do Real Parque, Morumbi, ao amanhecer. Em meio às mansões com segurança privada, cercas elétricas e circuitos internos de vigilância informatizados. De frente aos mais modernos prédios da Berrini, onde funcionam as subsidiárias nacionais de algumas das grandes corporações do capital cosmopolita. A modernidade, a tecnologia, uma ponte que brilha, brilha para a especulação. Dinheiro e poder. Poder e dinheiro. Segregação. A Justiça, a PM, às 6 da manhã. Perdoai os nossos erros, Ave Maria, cheia de graça, Olorum.
Ainda ficarei devendo comentários sobre tudo isso. Quem sabe em breve eu vá falar da maravilhosa Teresa Pires do Rio Caldeira. E do texto de Mariana Fix. E dos Conterrâneos Velhos de Guerra. O Setor Noroeste de Brasília. As cidades satélites e a ilha da fantasia, o Plano Piloto.
Brasil século XXI, contradições, desafios, oportunidades.
Amadurecimento.
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
Fogo
Outro incêndio em uma favela paulistana. Desta vez, em Paraisópolis.
Espalhando-se no Morumbi, Paraisópolis não é uma favela qualquer.
Estou devendo textos sobre urbanismo. Em SP e em Brasilia. Ontem vi um espetáculo bem alternativo, bem legal, que me lembrou dessas coisas, curiosamente. No teatro da Funarte, no Eixo, debaixo do céu infinito do cerrado, estava um pouco frio, ventava lá fora. Os corpos desfilavam no palco e eu ficava ali parado, olhando, arregalando, e a mente fugia, eu pensava na solidão do cerrado, nos candangos conterrâneos velhos de guerra, no lago sul, no setor de mansões, no centro de erradicação de invasões ceilândia, na rodoviária, e aí virava a mente e parecia caminhar pelos corredores da Esplanada, entre ternos e saias e pastas, carimbos, memorandos, discursos, circulares, elevadores, placas oficiais, assessores, gravatas, apertos de mãos, cochichos, atas e subsídios.
JK, o Supremo, o Congresso, o Alvorada.
Riacho Fundo, Samambaia, Estrutural e Paranoá.
Paraisópolis. Morumbi.
Brasilia merece uma reflexão, il faut, é preciso, fundamental, tal qual Paraisópolis e o Morumbi. Quem sabe um dia nesse blog.
Pausa.
Espalhando-se no Morumbi, Paraisópolis não é uma favela qualquer.
Estou devendo textos sobre urbanismo. Em SP e em Brasilia. Ontem vi um espetáculo bem alternativo, bem legal, que me lembrou dessas coisas, curiosamente. No teatro da Funarte, no Eixo, debaixo do céu infinito do cerrado, estava um pouco frio, ventava lá fora. Os corpos desfilavam no palco e eu ficava ali parado, olhando, arregalando, e a mente fugia, eu pensava na solidão do cerrado, nos candangos conterrâneos velhos de guerra, no lago sul, no setor de mansões, no centro de erradicação de invasões ceilândia, na rodoviária, e aí virava a mente e parecia caminhar pelos corredores da Esplanada, entre ternos e saias e pastas, carimbos, memorandos, discursos, circulares, elevadores, placas oficiais, assessores, gravatas, apertos de mãos, cochichos, atas e subsídios.
JK, o Supremo, o Congresso, o Alvorada.
Riacho Fundo, Samambaia, Estrutural e Paranoá.
Paraisópolis. Morumbi.
Brasilia merece uma reflexão, il faut, é preciso, fundamental, tal qual Paraisópolis e o Morumbi. Quem sabe um dia nesse blog.
Pausa.
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Boa Iniciativa
Ontem pedalei por todo o Eixão de Brasília, da Asa Norte até a Asa Sul. Acho que são uns 30km, quase tudo plano, debaixo do sol punk da seca. Gosto de andar de bicicleta. Seria bom se pudesse ir pedalando ao trabalho, mas como faria isso de terno?
Enfim, escrevo isso a propósito da ciclovia inaugurada em SP. Parece que funcionará apenas nos finais-de-semana. Excelente iniciativa da Prefeitura. Espero que seja ampliada. Bicicletas são um ótimo meio de transporte para distâncias pequenas. Caso a coisa avance, com novas ciclovias, "estacionamentos de bicicletas" e integração com metrô e ônibus, seria realmente positivo. Tornaria SP mais humana, menos agressiva, menos poluída, mais saudável. Além de diminuir o trânsito e baratear a vida dos ciclistas.
Bom, diferentemente de Bsb, SP é cheia de morros, subidas e descidas, isso prejudica. Aliás, em Bsb, por incrível que pareça, não há ciclovias. E o transporte público é lamentável, para dizer o mínimo.
Escrevendo isso reparo que ainda não cornetei sobre a estrutura urbana do Distrito Federal. Nem cheguei perto de falar sobre o Plano Piloto, o Lago, as cidades-satélite, o transporte, a especulação imobiliária e, principalmente, os trabalhos dos grandes pensadores e artistas daqui, incluindo Vladimir de Carvalho, o Rossellini do Sertão, na definição de Glauber. Também ainda não comentei nada sobre urbanismo em SP. Na real, os Planos Diretores de SP e do DF vêm sendo gradualmente detonados. Enfim, depois escrevo sobre isso.
Por enquanto, para não me dizerem que só fico na corneta, apenas registro que a ciclovia de SP é um bom começo.
Enfim, escrevo isso a propósito da ciclovia inaugurada em SP. Parece que funcionará apenas nos finais-de-semana. Excelente iniciativa da Prefeitura. Espero que seja ampliada. Bicicletas são um ótimo meio de transporte para distâncias pequenas. Caso a coisa avance, com novas ciclovias, "estacionamentos de bicicletas" e integração com metrô e ônibus, seria realmente positivo. Tornaria SP mais humana, menos agressiva, menos poluída, mais saudável. Além de diminuir o trânsito e baratear a vida dos ciclistas.
Bom, diferentemente de Bsb, SP é cheia de morros, subidas e descidas, isso prejudica. Aliás, em Bsb, por incrível que pareça, não há ciclovias. E o transporte público é lamentável, para dizer o mínimo.
Escrevendo isso reparo que ainda não cornetei sobre a estrutura urbana do Distrito Federal. Nem cheguei perto de falar sobre o Plano Piloto, o Lago, as cidades-satélite, o transporte, a especulação imobiliária e, principalmente, os trabalhos dos grandes pensadores e artistas daqui, incluindo Vladimir de Carvalho, o Rossellini do Sertão, na definição de Glauber. Também ainda não comentei nada sobre urbanismo em SP. Na real, os Planos Diretores de SP e do DF vêm sendo gradualmente detonados. Enfim, depois escrevo sobre isso.
Por enquanto, para não me dizerem que só fico na corneta, apenas registro que a ciclovia de SP é um bom começo.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Agenda
Bom, no dia 31, além da série do Silvio Tendler, teremos, bem mais importante, o lançamento do marco regulatório do Pré-Sal. Os lobbies estão à solta nos jornais, em revistas, notinhas, entrevistas, artigos, "estudos", "consultores". É uma luta feroz, sanguinária, suja. O marco regulatório irá ao Congresso e aí veremos algumas coisas muito interessantes. Seria bom também que os pré-candidatos se posicionassem sobre esse tema fundamental.
A próxima reunião do COPOM também será divertida, anotem, 1 e 2 de setembro. A bancada dos "juristas" vai clamar pela manutenção da taxa no nível atual. Argumentarão que o cenário é incerto, que há um descontrole fiscal, etc... etc... e tal. Haverá ainda alguma luta política e ideológica no país até que o setor rentista tome consciência de que deve ganhar dinheiro na produção e não parasitando o resto do país. Após décadas na ciranda, será realmente uma mudança cultural de monta que o país tenha juros civilizados. Há ainda muito espaço para aumentarmos o volume de crédito no PIB (hoje está em +-43%), especialmente no setor de habitação, cuja demanda reprimida é grotescamente alta no Brasil.
O julgamento do Pallocci no STF é na 5a feira. Parece que será absolvido.
Temos aí também São Paulo x Palmeiras no brasileirão, o Santos em busca da libertadores, o trio carioca na segundona, o Goiás com um time muito bom (atacante Felipe, Iarley, Fernandão, dois excelentes laterais, belo time), o Inter buscando se recuperar.
Aguardamos também o relatório final do TCU sobre o PAN no RJ. Hoje li que esse negócio ainda não saiu. Difíííícil, de repente sai no dia 29 de dezembro...
Há também a CPI da Petrobrás, ai ai ai, no meio da discussão sobre o Pré-Sal. Sarney é passado, Lina-Dilma também faleceu por absoluta falta de provas, então a novela da vez deve ser a CPI da Petrobrás.
Bom, o G-20 em Pittsburgh, 24 e 25 de setembro, dispensa comentários. Há coisas interessantes rolando.
Pretendo dar um pitaco também sobre urbanismo. Os Planos Diretores de SP, do DF, e creio que outros, estão sendo detonados. O Plano Diretor é fundamental para colocar algum ordenamento, mínimo que seja, diretrizes que sejam, no crescimento das cidades. É tudo que SP não teve, planejamento. Aliás, em SP, hoje, nova remoção de favelas com a tropa de choque chegando 6 da manhã. Cabe lembrar também que a Lei Cidade Limpa de Sampa está sendo devidamente rasgada, temporariamente, pelos distintos vereadores, com apoio da Prefeitura.
Há coisas boas também acontecendo, eu sei, mas esse blog é sobre a crise, o Brasil e o mundo, escolhas e omissões que traçarão nosso futuro. Portanto prefiro me ater, na maioria das vezes, ao que tá errado, andando pra trás, andando de lado, tropeçando, caindo, reclamando. Sempre gostei do alambrado nos estádios, sempre gostei de ficar ali embaixo, na corneta mesmo.
A próxima reunião do COPOM também será divertida, anotem, 1 e 2 de setembro. A bancada dos "juristas" vai clamar pela manutenção da taxa no nível atual. Argumentarão que o cenário é incerto, que há um descontrole fiscal, etc... etc... e tal. Haverá ainda alguma luta política e ideológica no país até que o setor rentista tome consciência de que deve ganhar dinheiro na produção e não parasitando o resto do país. Após décadas na ciranda, será realmente uma mudança cultural de monta que o país tenha juros civilizados. Há ainda muito espaço para aumentarmos o volume de crédito no PIB (hoje está em +-43%), especialmente no setor de habitação, cuja demanda reprimida é grotescamente alta no Brasil.
O julgamento do Pallocci no STF é na 5a feira. Parece que será absolvido.
Temos aí também São Paulo x Palmeiras no brasileirão, o Santos em busca da libertadores, o trio carioca na segundona, o Goiás com um time muito bom (atacante Felipe, Iarley, Fernandão, dois excelentes laterais, belo time), o Inter buscando se recuperar.
Aguardamos também o relatório final do TCU sobre o PAN no RJ. Hoje li que esse negócio ainda não saiu. Difíííícil, de repente sai no dia 29 de dezembro...
Há também a CPI da Petrobrás, ai ai ai, no meio da discussão sobre o Pré-Sal. Sarney é passado, Lina-Dilma também faleceu por absoluta falta de provas, então a novela da vez deve ser a CPI da Petrobrás.
Bom, o G-20 em Pittsburgh, 24 e 25 de setembro, dispensa comentários. Há coisas interessantes rolando.
Pretendo dar um pitaco também sobre urbanismo. Os Planos Diretores de SP, do DF, e creio que outros, estão sendo detonados. O Plano Diretor é fundamental para colocar algum ordenamento, mínimo que seja, diretrizes que sejam, no crescimento das cidades. É tudo que SP não teve, planejamento. Aliás, em SP, hoje, nova remoção de favelas com a tropa de choque chegando 6 da manhã. Cabe lembrar também que a Lei Cidade Limpa de Sampa está sendo devidamente rasgada, temporariamente, pelos distintos vereadores, com apoio da Prefeitura.
Há coisas boas também acontecendo, eu sei, mas esse blog é sobre a crise, o Brasil e o mundo, escolhas e omissões que traçarão nosso futuro. Portanto prefiro me ater, na maioria das vezes, ao que tá errado, andando pra trás, andando de lado, tropeçando, caindo, reclamando. Sempre gostei do alambrado nos estádios, sempre gostei de ficar ali embaixo, na corneta mesmo.
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