Da obra de nosso amigo gênio da raça
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terça-feira, 17 de abril de 2012
sexta-feira, 30 de março de 2012
Dança Chinesa
Simplesmente genial.
Na semana em que perdemos Chico Anisio e Millôr Fernandes, descobri Dilermando. Grandes lembranças, grandes personagens, grandes criações, que estejam em paz.
quarta-feira, 28 de março de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
Dilermando Reis
Para iniciar o ano, para comemorar a primavera chinesa, uma descoberta recente, grande mestre do chorinho, mestre da música popular brasileira, Dilermando Reis.
domingo, 23 de outubro de 2011
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Feliz 2011
Guiomar Novaes, música para Dilma Rousseff
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sábado, 20 de novembro de 2010
Dia da Consciência Negra
Belíssima montagem de vídeo de um som também dos melhores.
Em homenagem ao dia da consciência negra.
Meus olhos coloridos me fazem refletir. Em homenagem à primeira grande meta anunciada pelo novo governo: erradicar a miséria nos próximos 4 anos, acelerando o plano original que previa isso para os próximos 6 anos. Vejam que beleza, erradicar a miséria! A mera possibilidade de se discutir isso concretamente é um marco neste nosso Brasil erguido sob o jugo dos processos de colonização, escravidão, massacre dos índios, discriminação das mulheres e distanciamento do povo das grandes decisões nacionais.
Em homenagem ao dia da consciência negra.
Meus olhos coloridos me fazem refletir. Em homenagem à primeira grande meta anunciada pelo novo governo: erradicar a miséria nos próximos 4 anos, acelerando o plano original que previa isso para os próximos 6 anos. Vejam que beleza, erradicar a miséria! A mera possibilidade de se discutir isso concretamente é um marco neste nosso Brasil erguido sob o jugo dos processos de colonização, escravidão, massacre dos índios, discriminação das mulheres e distanciamento do povo das grandes decisões nacionais.
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sábado, 30 de outubro de 2010
Os 77 anos de Mané Garrincha / Boitatá
De volta a Dongguan para o 2o turno das eleições. Solzinho bom por aqui. Mas fico no hotel trabalhando. E não vou falar nada do cenário político. Depois, é provável que escreva bastante, a ver. Na China, muita coisa interessante acontecendo. Podia escrever muito. Mas também não estou com vontade de navegar por essas praias.
Então vou falar de Garrincha. E depois coloco um vídeo que me matou de saudade, vídeo muito legal do Cordão do Boitatá, no Carnaval do Rio, bagunça boa da qual já participei. Garrincha, Boitatá, Brasil, muito a ver. Mas pouco a ver com a China.

Bom, sobre Garrincha já escrevi algo logo no começo do blog, o sensacional documentário do mestre Joaquim Pedro de Andrade, Garrincha, a Alegria do Povo. Deixo então essa foto acima de outro de nossos gênios da raça, cercado por 8 mexicanos, vejam só. E um texto de Mario de Andrade.
Carlos Drummond de Andrade
A necessidade brasileira de esquecer os problemas agudos do país, difíceis de encarar, ou pelo menos de suavizá-los com uma cota de despreocupação e alegria, fez com que o futebol se tornasse a felicidade do povo. Pobres e ricos param de pensar para se encantar com ele. E os grandes jogadores convertem-se numa espécie de irmãos da gente, que detestamos ou amamos na medida em que nos frustram ou nos proporcionam o prazer de um espetáculo de 90 minutos, prolongado indefinidamente nas conversas e mesmo na solidão da lembrança.
Mané Garrincha foi um desses ídolos providenciais com que o acaso veio ao encontro das massas populares e até dos figurões responsáveis periódicos pela sorte do Brasil, ofertando-lhes o jogador que contrariava todos os princípios sacramentais do jogo, e que no entanto alcançava os mais deliciosos resultados. Não seria mesmo uma indicação de que o país, despreparado para o destino glorioso que ambicionamos, também conseguiria vencer suas limitações e deficiências e chegar ao ponto de grandeza que nos daria individualmente o maior orgulho, pela extinção de antigos complexos nacionais? Interrogação que certamente não aflorava ao nível da consciência, mas que podia muito bem instalar-se no subterrâneo do espírito de cada patrício inquieto e insatisfeito consigo mesmo, e mais ainda com o geral da vida.
Garrincha, em sua irresponsabilidade amável, poderia, quem sabe?, fornecer-nos a chave de um segredo de que era possuidor e que ele mesmo não decifrava, inocente que era da origem do poder mágico de seus músculos e pés. Divertido, espontâneo, inconseqüente, com uma inocência que não excluía espertezas instintivas de Macunaíma — nenhum modelo seria mais adequado do que esse, para seduzir um povo que, olhando em redor, não encontrava os sérios heróis, os santos miraculosos de que necessita no dia-a-dia. A identificação da sociedade com ele fazia-se naturalmente. Garrincha não pedia nada a seus admiradores; não lhes exigia sacrifícios ou esforços mentais para admirá-lo e segui-lo, pois de resto não queria que ninguém o seguisse. Carregava nas costas um peso alegre, dispensando-nos de fazer o mesmo. Sua ambição ou projeto de vida (se é que, em matéria de Garrincha, se pode falar em projeto) consistia no papo de botequim, nos prazeres da cama, de que resultasse o prazer de novos filhos, no descompromisso, afinal, com os valores burgueses da vida.
Não sou dos que acusam dirigentes do esporte, clubes, autoridades civis e torcedores em geral, de ingratidão para com Garrincha. Na própria essência do futebol profissional se instalam a ingratidão e a injustiça. O jogador só vale enquanto joga, e se jogar o fino. Não lhe perdoam a hora sem inspiração, a traiçoeira indecisão de um segundo, a influência de problemas pessoais sobre o comportamento na partida. É pago para deslumbrar a arquibancada e a cadeira importante, para nos desanuviar a alma, para nos consolar dos nossos malogros, para encobrir as amarguras da Nação. Ele julga que entrou em campo a fim de defender o seu sustento, mas seu negócio principal será defender milhões de angustiados presentes e ausentes contra seus fantasmas particulares ou coletivos. Garrincha foi um entre muitos desses infelizes, dos quais só se salva um ou outro predestinado, de estrela na testa, como Pelé.
A simpatia nacional envolveu Mané em todos os lances de sua vida, por mais desajustada que fosse, e isso já é alguma coisa que nos livra de ter remorso pelo seu final triste. A criança grande que ele não deixou de ser foi vitimada pelo germe de autodestruição que trazia consigo: faltavam-lhe defesas psicológicas que acudissem ao apelo de amigos e fãs. Garrincha, o encantador, era folha ao vento. Resta a maravilhosa lembrança de suas incríveis habilidades, que farão sempre sorrir a quem as recordar. Basta ver um filme dos jogos que ele disputou: sente-se logo como o corpo humano pode ser instrumento das mais graciosas criações no espaço, rápidas como o relâmpago e duradouras na memória. Quem viu Garrincha atuar não pode levar a sério teorias científicas que prevêem a parábola inevitável de uma bola e asseguram a vitória — que não acontece.
Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.
Então vou falar de Garrincha. E depois coloco um vídeo que me matou de saudade, vídeo muito legal do Cordão do Boitatá, no Carnaval do Rio, bagunça boa da qual já participei. Garrincha, Boitatá, Brasil, muito a ver. Mas pouco a ver com a China.

Bom, sobre Garrincha já escrevi algo logo no começo do blog, o sensacional documentário do mestre Joaquim Pedro de Andrade, Garrincha, a Alegria do Povo. Deixo então essa foto acima de outro de nossos gênios da raça, cercado por 8 mexicanos, vejam só. E um texto de Mario de Andrade.
Carlos Drummond de Andrade
A necessidade brasileira de esquecer os problemas agudos do país, difíceis de encarar, ou pelo menos de suavizá-los com uma cota de despreocupação e alegria, fez com que o futebol se tornasse a felicidade do povo. Pobres e ricos param de pensar para se encantar com ele. E os grandes jogadores convertem-se numa espécie de irmãos da gente, que detestamos ou amamos na medida em que nos frustram ou nos proporcionam o prazer de um espetáculo de 90 minutos, prolongado indefinidamente nas conversas e mesmo na solidão da lembrança.
Mané Garrincha foi um desses ídolos providenciais com que o acaso veio ao encontro das massas populares e até dos figurões responsáveis periódicos pela sorte do Brasil, ofertando-lhes o jogador que contrariava todos os princípios sacramentais do jogo, e que no entanto alcançava os mais deliciosos resultados. Não seria mesmo uma indicação de que o país, despreparado para o destino glorioso que ambicionamos, também conseguiria vencer suas limitações e deficiências e chegar ao ponto de grandeza que nos daria individualmente o maior orgulho, pela extinção de antigos complexos nacionais? Interrogação que certamente não aflorava ao nível da consciência, mas que podia muito bem instalar-se no subterrâneo do espírito de cada patrício inquieto e insatisfeito consigo mesmo, e mais ainda com o geral da vida.
Garrincha, em sua irresponsabilidade amável, poderia, quem sabe?, fornecer-nos a chave de um segredo de que era possuidor e que ele mesmo não decifrava, inocente que era da origem do poder mágico de seus músculos e pés. Divertido, espontâneo, inconseqüente, com uma inocência que não excluía espertezas instintivas de Macunaíma — nenhum modelo seria mais adequado do que esse, para seduzir um povo que, olhando em redor, não encontrava os sérios heróis, os santos miraculosos de que necessita no dia-a-dia. A identificação da sociedade com ele fazia-se naturalmente. Garrincha não pedia nada a seus admiradores; não lhes exigia sacrifícios ou esforços mentais para admirá-lo e segui-lo, pois de resto não queria que ninguém o seguisse. Carregava nas costas um peso alegre, dispensando-nos de fazer o mesmo. Sua ambição ou projeto de vida (se é que, em matéria de Garrincha, se pode falar em projeto) consistia no papo de botequim, nos prazeres da cama, de que resultasse o prazer de novos filhos, no descompromisso, afinal, com os valores burgueses da vida.
Não sou dos que acusam dirigentes do esporte, clubes, autoridades civis e torcedores em geral, de ingratidão para com Garrincha. Na própria essência do futebol profissional se instalam a ingratidão e a injustiça. O jogador só vale enquanto joga, e se jogar o fino. Não lhe perdoam a hora sem inspiração, a traiçoeira indecisão de um segundo, a influência de problemas pessoais sobre o comportamento na partida. É pago para deslumbrar a arquibancada e a cadeira importante, para nos desanuviar a alma, para nos consolar dos nossos malogros, para encobrir as amarguras da Nação. Ele julga que entrou em campo a fim de defender o seu sustento, mas seu negócio principal será defender milhões de angustiados presentes e ausentes contra seus fantasmas particulares ou coletivos. Garrincha foi um entre muitos desses infelizes, dos quais só se salva um ou outro predestinado, de estrela na testa, como Pelé.
A simpatia nacional envolveu Mané em todos os lances de sua vida, por mais desajustada que fosse, e isso já é alguma coisa que nos livra de ter remorso pelo seu final triste. A criança grande que ele não deixou de ser foi vitimada pelo germe de autodestruição que trazia consigo: faltavam-lhe defesas psicológicas que acudissem ao apelo de amigos e fãs. Garrincha, o encantador, era folha ao vento. Resta a maravilhosa lembrança de suas incríveis habilidades, que farão sempre sorrir a quem as recordar. Basta ver um filme dos jogos que ele disputou: sente-se logo como o corpo humano pode ser instrumento das mais graciosas criações no espaço, rápidas como o relâmpago e duradouras na memória. Quem viu Garrincha atuar não pode levar a sério teorias científicas que prevêem a parábola inevitável de uma bola e asseguram a vitória — que não acontece.
Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.
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domingo, 24 de outubro de 2010
China-Brasil, razão e paixão
O título é meio pretensioso, mas o post, como o blog, non troppo.
Saudade do Brasil. Mas não queria estar no Brasil nessas semanas. Muitas calúnias, agressões, é uma guerra de torcidas movida a demagogia e hipocrisia. As grandes questões para os próximos não estão sendo discutidas. O debate é superficial, a marquetagem domina. Enfim, o jogo é baixo. Fla-Flu, ou nós ou eles, amor e ódio.
Tenho dito aqui, o Brasil não precisa de confronto, mas sim de diálogo. Há um cenário externo muito complicado e perigoso para os próximos anos, temos que nos prepararmos, infelizmente perdemos a oportunidade de discutir uma série de coisas nessas eleições. Tenho receio de que o clima de batalha perdure mesmo passada a eleição, isso não será nada bom.
Prefiro então, por enquanto, ficar por aqui, auto-exilado em meio aos pandas da Província de Sichuan, passeando pela herança do Reino de Shu, conquistado pela Dinastia Chin, que se desenvolveu aproveitando-se das belas planícies irrigadas pelo Yangtzé, que desce do topo no mundo, no alto do Himalaia, onde deve fazer uma friaca da porra. Descobri também que nessa região resiste uma sociedade matriarcal às margens do lado Lugu, na fronteira com a Província de Yunnan, depois quem sabe eu escrevo sobre isso.
Na China, quanto mais a gente vai mexendo, mais coisa aparece. Tudo muito interessante, o mistério, o fascínio, as descobertas, aventuras. Mas volto e retorno de onde nunca saí, fico com o Brasil tropical, estou com saudade do Brasil, tenho pensado sobre o Brasil e compartilho vídeos selecionados cheios de Brasil. São entrevistas, declarações, feitas por brasileiros e para os brasileiros, parte de nossa história, de onde bebemos o futuro, fontes de inspiração e força, Glauber, Darcy, Freire, Milton Santos, pensadores, sonhadores, é sempre um refresco ouvi-los.
Saudade do Brasil. Mas não queria estar no Brasil nessas semanas. Muitas calúnias, agressões, é uma guerra de torcidas movida a demagogia e hipocrisia. As grandes questões para os próximos não estão sendo discutidas. O debate é superficial, a marquetagem domina. Enfim, o jogo é baixo. Fla-Flu, ou nós ou eles, amor e ódio.
Tenho dito aqui, o Brasil não precisa de confronto, mas sim de diálogo. Há um cenário externo muito complicado e perigoso para os próximos anos, temos que nos prepararmos, infelizmente perdemos a oportunidade de discutir uma série de coisas nessas eleições. Tenho receio de que o clima de batalha perdure mesmo passada a eleição, isso não será nada bom.
Prefiro então, por enquanto, ficar por aqui, auto-exilado em meio aos pandas da Província de Sichuan, passeando pela herança do Reino de Shu, conquistado pela Dinastia Chin, que se desenvolveu aproveitando-se das belas planícies irrigadas pelo Yangtzé, que desce do topo no mundo, no alto do Himalaia, onde deve fazer uma friaca da porra. Descobri também que nessa região resiste uma sociedade matriarcal às margens do lado Lugu, na fronteira com a Província de Yunnan, depois quem sabe eu escrevo sobre isso.
Na China, quanto mais a gente vai mexendo, mais coisa aparece. Tudo muito interessante, o mistério, o fascínio, as descobertas, aventuras. Mas volto e retorno de onde nunca saí, fico com o Brasil tropical, estou com saudade do Brasil, tenho pensado sobre o Brasil e compartilho vídeos selecionados cheios de Brasil. São entrevistas, declarações, feitas por brasileiros e para os brasileiros, parte de nossa história, de onde bebemos o futuro, fontes de inspiração e força, Glauber, Darcy, Freire, Milton Santos, pensadores, sonhadores, é sempre um refresco ouvi-los.
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sábado, 16 de outubro de 2010
Gonzaga, Carrilho, Clara, Bosco, Azevedo
Um blog nacional, democrático e popular.
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terça-feira, 22 de junho de 2010
Yáyá Massemba
Castro Alves, o povo Kalunga, a música e a história do Brasil, do ventre de um navio negreiro para a voz de Maria Bethânia.
domingo, 23 de maio de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
O STF e a Lei da Anistia
Concordo com o Alon transcrito abaixo, foi boa a decisão do STF. Pensando no futuro, claro. Entendo a mágoa e a revolta dos que lutaram contra a ditadura. Mas acho que nesse momento não faria bem ao país essa expiação. E a Anistia foi pactuada, para todos, acho que em termos legais não havia dúvidas. Lógico que moralmente me ressinto, abomino e repudio a tortura institucionalizada. Mas se for para punir os torturadores, porque não correr atrás dos que estiveram por cima, dos que se beneficiaram, financiaram-na. Vi no ano passado o excelente filme Cidadão Boyle. E aí, vão correr atrás dos empresários? Dos políticos de outrora que continuam aí?
Entendo que o STF contribuiu para certa pacificação. Se quiseremos garantir que não haverá mais tortura, basta aperfeiçoarmos o regime democrático, lutar por seu amadurecimento. E, evidentemente, atuar com mais vigor com relação ao atual sistema carcerário a e policial. A ONU vive nos condenando, com razão. Segue o texto do Alon:
domingo, 2 de maio de 2010
A transição está concluída (02/05)
Ao validar integralmente a Lei de Anistia, o STF fez justiça aos batalhadores da democracia nos anos 1970 e reafirmou que não é admissível adotar a Lei da Selva para combater a selvageria
Qual o modo mais eficaz de evitar que a tortura volte a ser usada como arma de combate político no Brasil? Uns dirão “a punição exemplar dos torturadores”. Outros —como este colunista—, “a preservação rigorosa do estado de direito democrático”.
Quem torturou na ditadura merece ser punido? De um ângulo moral, não resta a menor dúvida. Assim como, de um ângulo estritamente moral, talvez o sujeito que violenta sexualmente e mata uma criança “mereça” o linchamento.
A sentença do Supremo Tribunal Federal esta semana, validando completamente a Lei de Anistia proposta pelo governo militar de João Figueiredo em 1979, lei negociada com a oposição e a sociedade civil da época e aprovada naquele mesmo ano pelo Congresso Nacional, tem este mérito: reafirma o estado de direito na plenitude.
Quando aqueles fatos aconteceram, a tortura não era catalogada na legislação como crime hediondo. Nem o sequestro. Aliás crime nenhum era. Nem havia a categoria. E o Brasil não era signatário dos textos internacionais que servem também de fundamento a quem pede agora punir os torturadores de 30 anos atrás. E tem o aspecto da prescrição. Todos pontos bem abordados nos votos dos juízes.
Assim, o tribunal estava diante de uma escolha: fazer apenas o juízo moral da tortura ou também aplicar a lei. Escolheu, e bem, o segundo caminho. A tortura foi condenada, mas a lei não foi desrespeitada. É doloroso ver torturadores impunes? Sim, mas é o preço a pagar. Seguir a lei quando ela nos beneficia é fácil. Assim como é confortável pedir ao STF que ignore a lei e passe a fazer juízos exclusivamente morais quando dela discordamos.
Outro vetor importante da sentença foi a reafirmação política da transição democrática, produto de muita luta e negociação naqueles anos. É algo bizarro que o STF tenha precisado tomar a si a tarefa. Um sintoma do caráter divisivo da política brasileira nestes tempos. Infelizmente, partícipes e herdeiros das correntes então contrárias ao caminho que a transição percorreu de 1978 a 1985 tentam hoje desqualificar aquele processo, para buscar dividendos políticos e eleitorais.
Políticos importantes hoje na ativa foram beneficiados pela Anistia. Se a política fosse um instituto construído a partir de juízos morais e da ética, deveriam prestar homenagem aos homens e mulheres que arrancaram da ditadura aquela conquista. Mas política é política. Desde então, parece convir mais a eles atacar os arquitetos e operários da transição democrática como gente que supostamente “conciliou” com o regime.
O que é apenas bobagem. Mas uma bobagem que manteve certo fôlego, até ser enterrada pelo STF na quarta-feira. Com a participação decisiva da maioria de ministros indicados pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva.
A sessão do STF talvez tenha marcado o final definitivo daquela transição, tecnicamente falando. Num país conhecido pela progressividade dos processos, este deve ter batido o recorde.
Verdade
Outro aspecto positivo da decisão do STF é ter ajudado a desobstruir a busca da verdade histórica. Arquivada a polêmica sobre a Anistia, as energias podem agora voltar-se para a procura de informações sobre os desaparecidos no combate contra a ditadura.
Entendo que o STF contribuiu para certa pacificação. Se quiseremos garantir que não haverá mais tortura, basta aperfeiçoarmos o regime democrático, lutar por seu amadurecimento. E, evidentemente, atuar com mais vigor com relação ao atual sistema carcerário a e policial. A ONU vive nos condenando, com razão. Segue o texto do Alon:
domingo, 2 de maio de 2010
A transição está concluída (02/05)
Ao validar integralmente a Lei de Anistia, o STF fez justiça aos batalhadores da democracia nos anos 1970 e reafirmou que não é admissível adotar a Lei da Selva para combater a selvageria
Qual o modo mais eficaz de evitar que a tortura volte a ser usada como arma de combate político no Brasil? Uns dirão “a punição exemplar dos torturadores”. Outros —como este colunista—, “a preservação rigorosa do estado de direito democrático”.
Quem torturou na ditadura merece ser punido? De um ângulo moral, não resta a menor dúvida. Assim como, de um ângulo estritamente moral, talvez o sujeito que violenta sexualmente e mata uma criança “mereça” o linchamento.
A sentença do Supremo Tribunal Federal esta semana, validando completamente a Lei de Anistia proposta pelo governo militar de João Figueiredo em 1979, lei negociada com a oposição e a sociedade civil da época e aprovada naquele mesmo ano pelo Congresso Nacional, tem este mérito: reafirma o estado de direito na plenitude.
Quando aqueles fatos aconteceram, a tortura não era catalogada na legislação como crime hediondo. Nem o sequestro. Aliás crime nenhum era. Nem havia a categoria. E o Brasil não era signatário dos textos internacionais que servem também de fundamento a quem pede agora punir os torturadores de 30 anos atrás. E tem o aspecto da prescrição. Todos pontos bem abordados nos votos dos juízes.
Assim, o tribunal estava diante de uma escolha: fazer apenas o juízo moral da tortura ou também aplicar a lei. Escolheu, e bem, o segundo caminho. A tortura foi condenada, mas a lei não foi desrespeitada. É doloroso ver torturadores impunes? Sim, mas é o preço a pagar. Seguir a lei quando ela nos beneficia é fácil. Assim como é confortável pedir ao STF que ignore a lei e passe a fazer juízos exclusivamente morais quando dela discordamos.
Outro vetor importante da sentença foi a reafirmação política da transição democrática, produto de muita luta e negociação naqueles anos. É algo bizarro que o STF tenha precisado tomar a si a tarefa. Um sintoma do caráter divisivo da política brasileira nestes tempos. Infelizmente, partícipes e herdeiros das correntes então contrárias ao caminho que a transição percorreu de 1978 a 1985 tentam hoje desqualificar aquele processo, para buscar dividendos políticos e eleitorais.
Políticos importantes hoje na ativa foram beneficiados pela Anistia. Se a política fosse um instituto construído a partir de juízos morais e da ética, deveriam prestar homenagem aos homens e mulheres que arrancaram da ditadura aquela conquista. Mas política é política. Desde então, parece convir mais a eles atacar os arquitetos e operários da transição democrática como gente que supostamente “conciliou” com o regime.
O que é apenas bobagem. Mas uma bobagem que manteve certo fôlego, até ser enterrada pelo STF na quarta-feira. Com a participação decisiva da maioria de ministros indicados pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva.
A sessão do STF talvez tenha marcado o final definitivo daquela transição, tecnicamente falando. Num país conhecido pela progressividade dos processos, este deve ter batido o recorde.
Verdade
Outro aspecto positivo da decisão do STF é ter ajudado a desobstruir a busca da verdade histórica. Arquivada a polêmica sobre a Anistia, as energias podem agora voltar-se para a procura de informações sobre os desaparecidos no combate contra a ditadura.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Histórias do Futebol Brasileiro
Sensacionais vídeos com imagens de Santos 3 x 2 Corinthians, de virada, na Vila Belmiro em 1948. No primeiro deles, vemos os torcedores chegando ao estádio, os bondes, o entorno antigo da Vila mais famosa.
Não há áudio da partida. No entanto, sábios tiveram a idéia de mesclar narrações históricas de Pelé contando sobre seu começo no futebol, discutindo a derrota de 66, alguns gols históricos de Pelé em diferentes épocas e, por fim, a narração dos gols da final da Copa de 1958.
Jóia.
Não há áudio da partida. No entanto, sábios tiveram a idéia de mesclar narrações históricas de Pelé contando sobre seu começo no futebol, discutindo a derrota de 66, alguns gols históricos de Pelé em diferentes épocas e, por fim, a narração dos gols da final da Copa de 1958.
Jóia.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
A construção de um mito

Edito du Monde
Lula, l'homme de l'année 2009, par Eric Fottorino
LE MONDE | 24.12.09 | 11h32 • Mis à jour le 24.12.09 | 11h32
Pour la première fois dans son histoire, Le Monde a décidé de désigner la personnalité de l'année. "Sa" personnalité de l'année. L'exercice pourrait paraître hasardeux ou galvaudé. Qui distinguer ? Selon quels critères ? Au nom de quelles valeurs ? Comment se différencier de grands et prestigieux confrères étrangers, tel l'hebdomadaire américain Time, qui nous a depuis longtemps devancés sur ce chemin en élisant sa "person of the year" ?
Nos discussions ont ainsi mis en lumière ce qui nous rassemble sous la bannière du Monde. Puisque, depuis soixante-cinq ans, le titre de notre journal est une invitation au regard planétaire, nous avons choisi une personnalité dont l'action et la notoriété ont pris une dimension internationale. Soucieux de sortir des choix obligés qui auraient pu nous porter vers le président des Etats-Unis, Barack Obama (mais il fut davantage l'homme de 2008 que celui de 2009), nous avons aussi écarté les personnalités "négatives", encore que leur action soit déterminante dans la nouvelle configuration mondiale : Vladimir Poutine et sa tentation-tentative de reconstituer l'empire soviétique; Mahmoud Ahmadinejad, dont chaque parole et chaque acte sont un défi à l'Occident.
Depuis sa création, Le Monde, marqué par l'esprit d'analyse de son fondateur, Hubert Beuve-Méry, se veut un journal de (re)construction, sinon d'espoir; il véhicule à sa manière une part du positivisme d'Auguste Comte, prend fait et cause pour les hommes de bonne volonté. C'est pourquoi, pour cette première désignation, que nous souhaitons désormais renouveler chaque année, notre choix de raison et de cœur s'est porté sur le président brésilien Luiz Inacio Lula da Silva, plus connu sous le simple nom de Lula.
Il nous a paru que par son parcours singulier d'ancien syndicaliste, par sa réussite à la tête d'un pays aussi complexe que le Brésil, par son souci du développement économique, de la lutte contre les inégalités et de la défense de l'environnement, Lula avait bien mérité… du monde.
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Lire Le Monde Magazine : les personnes, les événements et les mots qui ont marqué 2009.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
A UDN do século XXI e o mensalão do DEM
Para os interessados, um excelente artigo de Maria Ines Nassif publicado no Valor Econômico de hoje. O moralismo barato, hipócrita, agressivo, no atual sistema político-midiático brasileiro, é apenas uma re-edição, piorada, desmoralizada, das piores características da UDN golpista do passado. Como os fatos no DF demonstram, o discurso de vestais da moralidade é de difícil sustentação.
O debate nacional tem, assim, oportunidade de subir de nível e quem sabe um dia será reformada a legislação do financiamento eleitoral, e as práticas anti-corrupção, para que a democracia da República brasileira possa fazer juz aos princípios que a distinguem de outros regimes de triste memória. O Presidente Lula, corretamente distanciando-se do caso, mencionou a possibilidade de uma Assembléia Constituinte para a realização de uma ampla reforma política. Este blog acredita que a idéia deve ser amadurecida. Leiam o artigo de nossa amiga Maria Inês.
O debate nacional tem, assim, oportunidade de subir de nível e quem sabe um dia será reformada a legislação do financiamento eleitoral, e as práticas anti-corrupção, para que a democracia da República brasileira possa fazer juz aos princípios que a distinguem de outros regimes de triste memória. O Presidente Lula, corretamente distanciando-se do caso, mencionou a possibilidade de uma Assembléia Constituinte para a realização de uma ampla reforma política. Este blog acredita que a idéia deve ser amadurecida. Leiam o artigo de nossa amiga Maria Inês.
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Mestre Ambrósio
Sêmen
Mestre Ambrósio
Composição: Siba e Bráulio Tavares
Nos antigos rincões da mata virgem
Foi um sêmen plantado com meu nome
A raiz de tão dura ninguém come
Porque nela plantei a minha origem
Quem tentar chegar perto tem vertigem
Ensinar o caminho, eu não sei
Das mil vezes que por lá eu passei
Nunca pude guardar o seu desenho
Como posso saber de onde venho
Se a semente profunda eu não toquei?
Esse longo caminho que eu traço
Muda contantemente de feição
E eu não posso saber que direção
Tem o rumo que firmo no espaço
Tem momentos que sinto que desfaço
O castelo que eu mesmo levantei
O importante é que nunca esquecerei
Que encontrar o caminho é meu empenho
Como posso saber de onde venho
Se a semente profunda eu não toquei?
Como posso saber a minha idade
Se meu tempo passado eu não conheço
Como posso me ver desde o começo
Se a lembrança não tem capacidade
Se não olho pra trás com claridade
Um futuro obscuro aguardarei
Mas aquela semente que sonhei
É a chave do tesouro que eu tenho
Como posso saber de onde venho
Se a semente profunda eu não toquei?
Tantos povos se cruzam nessa terra
Que o mais puro padrão é o mestiço
Deixe o mundo rodar que dá é nisso
A roleta dos genes nunca erra
Nasce tanto galego em pé-de-serra
E por isso eu jamais estranharei
Sertanejo com olhos de nissei
Cantador com suingue caribenho
Como posso saber de onde venho
Se a semente profunda eu não toquei?
Como posso pensar ser brasileiro
Enxergar minha própria diferença
Se olhando ao redor vejo a imensa
Semelhança ligando o mundo inteiro
Como posso saber quem vem primeiro
Se o começo eu jamais alcançarei
Tantos povos no mundo e eu não sei
Qual a força que move o meu engenho
Como posso saber de onde venho
Se a semente profunda eu não toquei?
E eu
Não sei o que fazer
Nesta situação
Meu pé...
Meu pé não pisa o chão.
Mestre Ambrósio
Composição: Siba e Bráulio Tavares
Nos antigos rincões da mata virgem
Foi um sêmen plantado com meu nome
A raiz de tão dura ninguém come
Porque nela plantei a minha origem
Quem tentar chegar perto tem vertigem
Ensinar o caminho, eu não sei
Das mil vezes que por lá eu passei
Nunca pude guardar o seu desenho
Como posso saber de onde venho
Se a semente profunda eu não toquei?
Esse longo caminho que eu traço
Muda contantemente de feição
E eu não posso saber que direção
Tem o rumo que firmo no espaço
Tem momentos que sinto que desfaço
O castelo que eu mesmo levantei
O importante é que nunca esquecerei
Que encontrar o caminho é meu empenho
Como posso saber de onde venho
Se a semente profunda eu não toquei?
Como posso saber a minha idade
Se meu tempo passado eu não conheço
Como posso me ver desde o começo
Se a lembrança não tem capacidade
Se não olho pra trás com claridade
Um futuro obscuro aguardarei
Mas aquela semente que sonhei
É a chave do tesouro que eu tenho
Como posso saber de onde venho
Se a semente profunda eu não toquei?
Tantos povos se cruzam nessa terra
Que o mais puro padrão é o mestiço
Deixe o mundo rodar que dá é nisso
A roleta dos genes nunca erra
Nasce tanto galego em pé-de-serra
E por isso eu jamais estranharei
Sertanejo com olhos de nissei
Cantador com suingue caribenho
Como posso saber de onde venho
Se a semente profunda eu não toquei?
Como posso pensar ser brasileiro
Enxergar minha própria diferença
Se olhando ao redor vejo a imensa
Semelhança ligando o mundo inteiro
Como posso saber quem vem primeiro
Se o começo eu jamais alcançarei
Tantos povos no mundo e eu não sei
Qual a força que move o meu engenho
Como posso saber de onde venho
Se a semente profunda eu não toquei?
E eu
Não sei o que fazer
Nesta situação
Meu pé...
Meu pé não pisa o chão.
sábado, 14 de novembro de 2009
Ensaios de um esboço de análise sobre a psicologia do subdesenvolvimento
O Alon Feuerwerker, escreveu artigo um dia desses sobre Copenhaguen. Reproduzo aqui o início do texto:
"A boa cautela de Lula (08/11)
Se não nos convidaram para o banquete, soa um pouco excessivo que nos intimem a participar de igual para igual na hora de rachar a dolorosa.
É bom que o presidente da República esteja cauteloso nas discussões sobre o papel do Brasil na Conferência do Clima. E é curioso que os críticos do "protagonismo a qualquer custo" sejam agora os primeiros a exigir de Luiz Inácio Lula da Silva que coloque o Brasil na linha de frente das medidas contra o aquecimento global. É a dança da política."
Ele tocou num ponto interessante. Como sabemos, a política externa do Presidente Lula é muito criticada por algumas rodas "bem pensantes" do andar de cima nacional. Dentre outras razões, afirmam que o Brasil é muito arrogante, quer se meter em tudo, fala demais, inventa candidaturas fracassadas, dá vexame, faz papel de ridículo, etc...
Eu já tinha notado isso quando da pressão pelo apoio à candidatura de um brasileiro para presidir a poderosíssima UNESCO, que como sabemos é uma organização cujo controle da agenda faz toda a diferença na política internacional. Mas agora o Alon voltou ao tema de forma muito correta. Aqueles que criticam nossa megalomania, por exemplo, agora estão aí pedindo, lutando, exigindo que o Brasil dê um passo à frente em Copenhaguen, se mostre disposto a colaborar, seja ousado, etc.... É a dança da política, a dança das eleições 2010.
Bom, rapidamente: 1) os países ricos acumularam a a maior parte de todo esse carbono na atmosfera, beneficiando-se historicamente do atual modelo; 2) eles não fazem nada para mudar a situação e querem que a gente assuma compromissos antes deles mesmos fazerem isso 3) na hora de colocar a mão no bolso eles relutam, enrolam, deixam para depois, very funny indeed. 4) perguntem se eles topam flexibilizar a propriedade intelectual para tecnologias limpas...
E lá vai parte de nossos bem pensantes agora querendo que o Brasil dê o exemplo, se comprometa com metas ambiciosas, etc... Acho até que vamos fazer algo semelhante a isso, a conferir, não tenho muito a contestar, mas enfim, não é muito curiosa essa postura maleável de nossos críticos?
E vejam só que coincidência interessante: no caso da megalomania ou da arrogância, os casos criticados em geral se referem a posturas brasileiras de confronto com países poderosos. E nesse caso de Copenhaguen, em que nos pedem protagonismo, trata-se de agir como desejam os países mais ricos.
Não é apenas a dança das eleições: é também uma questão psicológica, histórica, a ser desenvolvida em outros textos.
Ou seja, para resumir essa curiosa linha política de certas elites nacionais:
Porrada no Paraguai, na Bolívia, no Equador, em nossos pobres vizinhos, nos pobres do Brasil, no Bolsa Família, nos que vivem de salário mínimo. Esqueçam a África, aquilo não presta, essa diplomacia terceiro-mundista ideológica de merda. Mercosul, Unasul, Países Árabes, isso não presta, é ideologia. Chavez deve ser enfrentado.
x
Temos que adotar uma postura construtiva em Copenhaguen. Como assim ele disse que os brancos de olhos azuis são culpados pela crise? É importante termos acordos de livre comércio com os países mais ricos. O Brasil deve assinar o protocolo adicional do TNP para ser um país confiável.
Traduzindo... porrada nos pobres, violência, autoritarismo, exclusão ... e sujeição aos ricos, covardia, vamos nos adequar ao figurino, nos associarmos a eles, temos que respeitá-los, eles são muito superiores a nós.
Heranças perversas do colonialismo e da escravidão. Em pleno século XXI.
Sei que ficou meio caricato, mas é por aí mesmo. A continuar...
"A boa cautela de Lula (08/11)
Se não nos convidaram para o banquete, soa um pouco excessivo que nos intimem a participar de igual para igual na hora de rachar a dolorosa.
É bom que o presidente da República esteja cauteloso nas discussões sobre o papel do Brasil na Conferência do Clima. E é curioso que os críticos do "protagonismo a qualquer custo" sejam agora os primeiros a exigir de Luiz Inácio Lula da Silva que coloque o Brasil na linha de frente das medidas contra o aquecimento global. É a dança da política."
Ele tocou num ponto interessante. Como sabemos, a política externa do Presidente Lula é muito criticada por algumas rodas "bem pensantes" do andar de cima nacional. Dentre outras razões, afirmam que o Brasil é muito arrogante, quer se meter em tudo, fala demais, inventa candidaturas fracassadas, dá vexame, faz papel de ridículo, etc...
Eu já tinha notado isso quando da pressão pelo apoio à candidatura de um brasileiro para presidir a poderosíssima UNESCO, que como sabemos é uma organização cujo controle da agenda faz toda a diferença na política internacional. Mas agora o Alon voltou ao tema de forma muito correta. Aqueles que criticam nossa megalomania, por exemplo, agora estão aí pedindo, lutando, exigindo que o Brasil dê um passo à frente em Copenhaguen, se mostre disposto a colaborar, seja ousado, etc.... É a dança da política, a dança das eleições 2010.
Bom, rapidamente: 1) os países ricos acumularam a a maior parte de todo esse carbono na atmosfera, beneficiando-se historicamente do atual modelo; 2) eles não fazem nada para mudar a situação e querem que a gente assuma compromissos antes deles mesmos fazerem isso 3) na hora de colocar a mão no bolso eles relutam, enrolam, deixam para depois, very funny indeed. 4) perguntem se eles topam flexibilizar a propriedade intelectual para tecnologias limpas...
E lá vai parte de nossos bem pensantes agora querendo que o Brasil dê o exemplo, se comprometa com metas ambiciosas, etc... Acho até que vamos fazer algo semelhante a isso, a conferir, não tenho muito a contestar, mas enfim, não é muito curiosa essa postura maleável de nossos críticos?
E vejam só que coincidência interessante: no caso da megalomania ou da arrogância, os casos criticados em geral se referem a posturas brasileiras de confronto com países poderosos. E nesse caso de Copenhaguen, em que nos pedem protagonismo, trata-se de agir como desejam os países mais ricos.
Não é apenas a dança das eleições: é também uma questão psicológica, histórica, a ser desenvolvida em outros textos.
Ou seja, para resumir essa curiosa linha política de certas elites nacionais:
Porrada no Paraguai, na Bolívia, no Equador, em nossos pobres vizinhos, nos pobres do Brasil, no Bolsa Família, nos que vivem de salário mínimo. Esqueçam a África, aquilo não presta, essa diplomacia terceiro-mundista ideológica de merda. Mercosul, Unasul, Países Árabes, isso não presta, é ideologia. Chavez deve ser enfrentado.
x
Temos que adotar uma postura construtiva em Copenhaguen. Como assim ele disse que os brancos de olhos azuis são culpados pela crise? É importante termos acordos de livre comércio com os países mais ricos. O Brasil deve assinar o protocolo adicional do TNP para ser um país confiável.
Traduzindo... porrada nos pobres, violência, autoritarismo, exclusão ... e sujeição aos ricos, covardia, vamos nos adequar ao figurino, nos associarmos a eles, temos que respeitá-los, eles são muito superiores a nós.
Heranças perversas do colonialismo e da escravidão. Em pleno século XXI.
Sei que ficou meio caricato, mas é por aí mesmo. A continuar...
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