Mostrando postagens com marcador blog. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador blog. Mostrar todas as postagens

sábado, 23 de abril de 2011

Pois é...

Pois é, pois é, sumi...

Nenhum grande motivo, nada muito concreto. Talvez um somatório de pequenas coisas, num contexto onde a internet por aqui prossegue péssima. Meu programa fura-firewall funcionando muito mal, praticamente sem acesso. Agora arrumei outro programa, tem ido bem por enquanto. A primavera chegou, nossa amiga Dilma se foi. Quem sabe eu não volte a escrever.

Tantos assuntos para comentar, está batendo vontade de voltar a rascunhar alguns textos. Ao mesmo tempo, cresce também a percepção de alguns temas mereceriam algo mais elaborado do que posts escritos sem preparo, planejamento ou qualquer cuidado maior. A ver...

Não resisto a pincelar algumas mal traçadas: o blog já vinha antecipando faz tempo e a coisa só faz piorar. Dificuldades, tensões, desarranjos, falta de coordenação e liderança no cenário internacional. Nada indica que a maré vá virar, pelo contrário. Há um processo de reordenamento em andamento. Tanto sob o ponto de vista macro quanto, conforme se viu pelo Jasmim, partindo de isolados fatos micro.

A política externa brasileira opera diante de cenário cada vez mais turbulento.

Dilma vai bem, porém os desafios são enormes. Está ficando claro que é necessário rearrumar o modelo macroeconômico. Transição difícil, pois há resistências muito poderosas. Quanto ao varejão político, por enquanto segue manejável, embora instável e pouco ou nada desinteressado. Habilmente, nossa amiga Presidenta vem evitando certos embates. Há um jogo mais importante correndo. Mas se abre mão de algumas lutas, seria preciso que abraçasse com mais vigor outras. Enfim, vamos dar tempo ao tempo e lembrar um sábio mestre que um dia afirmou que o ótimo é inimigo do bom. Dilma, estou com você, siga em frente.

Não posso deixar de mencionar: os tribunais superiores estão se encarregando de enterrar a Satiagraha e a Castelo de Areia. Sob os olhares cínicos e complacentes de todo o establishment político nacional. Ponto final, paro por aqui. Afinal, sou apenas um auto-exilado.

A China. Sem querer, sem planejar, sem facilidades, vim parar num lugar que tem me proporcionado uma experiência sensacional. De vida, de trabalho, de responsabilidade, de amadurecimento. Meu santo é forte e espero que continue me protegendo. Saravá...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Breves não bravas sem bravatas brovidênciais

Não é que não esteja com vontade de escrever. É que meu programinha fura-firewall está meio ruim. É preciso paciência e no frio a minha acaba rapidamente. Pois é. Esfriou pacas em Pequim.

Não falta assunto. China-EUA, EUA-China. Desafios macroeconômicos. Rearranjos políticos. Transição Lula-Dilma. Desafios macroeconômicos. Rearranjos políticos. Pretendo escrever sobre o governo Dilma, mas acho melhor esperar a montagem do ministério. A eleição foi fraca em termos de conteúdo. O governo Dilma só terá uma cara assim mais definida com a montagem do ministério. As linhas gerais prosseguem, mas o cenário externo e interno exigirá grande habilidade. Serão escolhas difíceis, testes vários. A artilharia dos de sempre já está apontada para Dilma. Ela terá que vencer sua mais difícil batalha.

Reforma política. Ajustes macroeconômicos. Comentarei-os, quem sabe, depois. Regulação dos artigos 220, 221 e 222 da Constituição, será que ela vai jogar esse jogo? Lula não jogou. A reincorporação do Banco Central ao aparelho de Estado. Essa parece estar melhor encaminhada. A política externa: não vejo grandes mudanças, provavelmente de estilo, talvez ajustes aqui e ali. É fato, porém, que o cenário externo se deteriora. A macroeconomia e a política externa terão que jogar com as circunstâncias. Então volto ao início do parágrafo. Reforma política só sai no começo do mandato. E a regulação dos artigos 220-222 dependerá de solidez na macroeconomia e na base política. Enfim, num mundo interdependente, numa institucionalidade interdependente, num todo que não se divide em partes, há um mosaico de desafios à frente que deverão ter como pano de fundo o processo de redução das desigualdades sociais, ampliação de oportunidades, alargamento da esfera pública em meio às novas velhas questões do ambientalismo, da segurança, da qualidade educacional, etc...

Tô falando complicado. Faz frio aqui. Comentário final: na China, os desafios da elite dirigente também não são poucos. Iludem-se os que pensam que o regime daqui facilita as coisas. Há desequilíbrios, conflitos, disputas. Nossos amigos chineses estão cada dia mais fortes, mas seus desafios não devem ser subestimados.

O festival de cinema brasileiro em Pequim. Um sucesso. Hoje vi O Homem que Engarrafava Nuvens. "Dirigido por Lírio Ferreira, o premiado diretor de Árido Movie, Cartola e Baile Perfumado, esse documentário musical conta a história de Humberto Teixeira, o Doutor do Baião, o compositor por trás de clássicos como Asa Branca, uma das canções mais populares do Brasil".

Fiquei arrepiado e passado de vontade de ir ao Brasil. E os chineses, poxa, ficam boquiabertos. Os gringos presentes também. O baião, o forró. Luiz Gonzaga. A música, a cultura, a arte brasileira. A melhor maneira que temos para ajudar os chineses nessa difícil transição.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Giant Buddha - Leshan/Sichuan

Bom, consegui colocar mais fotos no post abaixo sobre os pandas e parece que agora a coisa normalizou. Mas estou com preguiça de escrever sobre o Giant Buddha, então deixo esse link aqui. Início da construção: meados de 713, uns quinhentos anos depois do budismo chegar à China. Fotos a seguir... (lamento que não estejam tão boas, sugiro olhar as fotos do link acima;)



terça-feira, 19 de outubro de 2010

Amenidades

Agora só amenidades. Cenas de Pequim e mais Teresa Cristina.




sábado, 16 de outubro de 2010

sábado, 9 de outubro de 2010

Santa ingenuidade

No post abaixo, manifestei a esperança de que no segundo turno pudessem ser discutidos temas mais substantivos, propostas, projetos, rumos mais estruturais do país. Mencionei as contas externas, cheguei a citar a PNAD, tive devaneios com pacto federativo e estrutura tributária, delirei com a reforma política.

Santa ingenuidade. Pelo que vi até agora, teremos um apelo barato a emoções, à mistura de política com religião, boatos, o denuncismo, comparações enviesadas entre governos ignorando um sentido de continuidade na democracia da Nova República, enfim, é guerra, é o duelo de versões, a superficialidade, uma espécie de vale-tudo maquiado pela marquetagem.

O blog provavelmente retornará, portanto, a seu habitual silêncio sobre as idas e vindas da batalha e confortavelmente, confesso, procurará discutir um pouco mais da desordem econômica e política internacional, mostrar um pouco da China que me fascina, e às vezes assusta, além de pitadas de respiros musicais, cinematográficos e etcéteras.

Para uns, o muro é tucanagem e tudo mais que se associa ao termo. Para outros, o muro é condescender com ameaças à democracia e à familia brasileira, ai ai ai...

A meus poucos e valorosos leitores, uma poesia para refrescar a alma.

Rudyard Kipling

If

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don't deal in lies,
Or, being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;

If you can dream - and not make dreams your master;
If you can think - and not make thoughts your aim;
If you can meet with triumph and disaster
And treat those two imposters just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to broken,
And stoop and build 'em up with wornout tools;

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on";

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings - nor lose the common touch;
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run -
Yours is the Earth and everything that's in it,
And - which is more - you'll be a Man my son!



Tradução de Guilherme de Almeida

Se

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar --sem que a isso só te atires,
De sonhar --sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais --tu serás um homem, ó meu filho!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Economist: a little funny in the head

He went a little funny in the head. O título do blog veio de uma cena do Dr. Strangelove, ou Dr. Fantástico, clássico de Kubrick dos anos 60. Já a postei duas vezes, aqui e aqui. Recuso-me a comentar a respeito da obra, uma de minhas preferidas. Se não viu, apenas recomendo que vá correndo.

Estava eu hoje num aprazível vôo Shenzhen-Beijing (3 horas), cercado de nossos amigos chineses, o único ocidental no trajeto, lendo a digníssima The Economist. Essa última, da capa com reportagem sobre as razões pelas quais acreditam que o crescimento da Índia superará em breve o da China. A propósito, reportagem interessante, mas limitada em sua análise e, por vários motivos, creio que meio empolgadinha demais. Há também matérias sobre o legado de Lula, uma muito boa sobre a relação da China com "valores universais" y otras cositas más, como uma análise de algumas contradições da Guerra da Criméia, no século XIX. É fácil discordar dos editorialistas da Economist, difícil é abandonar sua leitura. Coisa fina.

Bom, enfim, vamos lá. Uma matéria que chamou minha atenção (não sei se o link está aberto para não assinantes). "Gunning for Trident: The coalition government is divided over whether and to what extent Britain should remain a nuclear power"

Pois é. Os ingleses estão quebrados. Cortam custos. Despesas. Realocam. Ajustam. Choques de gestão. Apequenam-se. Coisas da vida. Nessas idas e vindas, que chato, os gastos com "defesa" são sempre um alvo. Sacaram a ironia? Pois é. O tal do Trident é um míssil nuclear, desenhado pelos norte-americanos, feito para submarinos. Parece que o equipamento atualmente em uso terá que ser substituído em 2020. Custo: US$ 32 bilhões. Daí vêm os questionamentos: vale a pena? o país precisa dessa capacidade nuclear? para que mesmo? e a qual custo?

O artigo discute daqui, argumenta dali, contextualiza brevemente as posições políticas internas e então passa a discutir maneiras de manter a mesma capacidade de dissuadir os eventuais inimigos a um custo menor. Dissuadir = preservar o poder da coroa britânica, seu prestígio, sua força política, com base na ameaça de aniquilação instantânea do inimigo da vez. São citados a Rússia, a China e divaga-se sobre outros países em busca de armamento nuclear que seriam hostis ao Ocidente.

E foi aí que me lembrei do Dr. Strangelove. Inevitável. A racionalidade, a técnica, a geopolítica, o cálculo financeiro, as variáveis políticas internas, tudo sob um contexto maior, não questionado, do equilíbrio do terror, da ameça de morte, da chantagem nuclear. Sei que o Economist não é exatamente um veículo para mudar o mundo. Idealismo não é a praia deles. Mas a naturalidade com que discutiram o assunto, e de forma breve e quase passageira, quase um comentário rápido, tomou conta de meus pensamentos e resolvi compartilhar mais um pouco desse sentimento de espanto, e certo receio, que vai tomando conta de mim conforme as disputas na política e na economia internacional vão se aprofundando e tornando-se mais complexas, intrincadas, sem solução aparente. Sabemos como, historicamente, essas disputas se resolvem. Na porrada. Quando os poetas se calam, cessa a música e jorra o sangue dos inocentes.

Seguem abaixo duas outras cenas do Dr. Strangelove. The Doomsday Machine; Mein Fuhrer, I can walk! Para pensar...



PS: Leitores mais atentos poderão recordar posts, como o 2o citado lá em cima, que é seguido por um debate Samuel x Ricupero sobre o TNP, nos quais defendo que o Brasil não assine o protocolo adicional do TNP. Contradição minha? Incoerência do blog? Pode ser. Em política, certezas demais são perigosas. É preciso dar chance ao diálogo. E mudar de opinião, se for o caso. Sei lá.

Mundo, mundo, vasto mundo. Mais vasto é meu coração.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Comentários

Após cerca de um mês de ausência, hoje resolvi tomar vergonha na cara e voltar a escrever. Não estou assim muito cheio de idéias, mas espero retomar algum ritmo em breve. É lógico que há muito a escrever sobre as eleições, mas prefiro esperar as coisas realmente se definirem, ainda que tudo se encaminhe para aquilo que já era esperado: as pessoas estão vivendo melhor, com mais oportunidades, mais empregos, o país retomou um otimismo positivo, e portanto votarão na candidata da continuidade. A oposição segue perdida, sem rumo, como eu já apontara em diversos posts recentes e outros nem tão recentes.

Na China, estou cada vez mais convencido de que, a despeito dos dados econômicos impressionantes e do crescente, e cada vez mais vocal, poder do país, há enormes desafios pela frente. As autoridades se defrontam com um cenário complicado conforme se aproxima a próxima transição política da cúpula do país, prevista para 2012. Há questões sobre a manutenção do crescimento, possíveis buracos no sistema financeiro, crescentes desigualdades, a degradação ambiental, envelhecimento da população, sobre a política externa do país, demandas por responsabilidade e o desconfiômetro dos vizinhos, etc... um mundo de variáveis, um mundo do tamanho da China.

O lobby dos bancos funcionou e parece que as regras de Basiléia III ficaram meio frouxas, diferidas no tempo. Há também riscos de uma nova crise, não nos esqueçamos disso. Desequilíbrios globais, desequilíbrios entre as finanças e a produção. Problemas foram empurrados com a barriga. A reforma financeira nos EUA, ainda que positiva, foi um remendo em um ou outro ponto mais ousado, mas no geral tímida, muito aquém da retórica.

As relações China-EUA seguem também complicadas. Aos dois lados interessa uma acomodação, mas no dia-dia os choques se sucedem, há pontos de divergência. Essa região do leste da Ásia é um tabuleiro geopolítico complicadíssimo. E os EUA se defrontam com inúmeros outros desafios, passando do Paquistão/Afeganistão/Iraque/Irã até a questão dos palestinos/Israel, o avanço chinês em outras regiões, os europeus que se sentem abandonados, governos crescentemente autônomos na América Latina.

Períodos de transição do poder mundial, como já escrevi, são em geral turbulentos. Adicionando a isso a questão ambiental, populacional, uma descrença grande nos mecanismos tradicionais da política e no multilateralismo, enfim, poderia elencar uma série de coisas, temos aí um quadro muito complexo e perigoso do mundo em que vivemos.

Mas vamos falar de coisas mais divertidas. Na semana passada, visitei o zoologico de Pequim. Fui ver os pandas. Mal sabia o que me aguardava. Hehehe, por enquanto me limito a dizer isso. E a colocar uma foto de um deles. Depois seguirá uma sequência de fotos impressionantes. Saudações aos sobreviventes do blog!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Fim da corneta

Bom, chega de cornetar no blog, já reclamei demais, vamos mostrar coisas legais, talvez uma cara de cansaço de fim de expediente, mas aquele cansaço bom de missão cumprida, de força para os dias seguintes, algum otimismo, bola pra frente, todo dia um pouco como Didi na final de 58, busca a bola lá dentro e caminhe lentamente, passe confiança, acredite...

mas não consigo dar o glorioso upload na foto... lamento, é uma foto tirada hoje na saída do trabalho: a estética é mais ou menos, a luz tá ruim, o enquadramento tá errado, mas o momento foi captado, depois tento colocá-la aqui

agora sim... e o blog sai de férias, já de cabelo cortado, retorno em meados de agosto

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Problemas com o acesso

Estava com problemas para acessar o blog. É preciso ter um programinha esperto, pois a internet na China sofre com algumas dificuldades. Agora espero ter resolvido.

Muita coisa para comentar: viagem a Harbin, os falcões do déficit em ação, Marina Silva, rolês de bicicleta em Pequim, vídeos com sons legais, a Copa.

A ver se retomo as postagens. A seleção ontem foi muito bem, gostei bastante. Time raçudo, concentrado, tocando a bola, se movimentando. O ataque está muito bom. Luis Fabiano foi sensacional. Fez um gol histórico, golaço, honrou a mística da camisa 9, o artilheiro, matador, não perdoou. Kaka mostrou lampejos de seu futebol, melhorou. Robinho segue muito bem, tá faltando o gol do Pelezinho.

O jogo foi 2 e meia da manhã aqui, 2a feira, um saco, sem condições de festa. Mas o próximo é 6a feira 10 da noite. Aí sim.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Voltando...

Meus caros três leitores,

Estava sem acesso à pagina. Tive que instalar um pequeno programinha para conseguir acessar o blog, outros blogs, youtube, etc... Espero voltar a postar em breve. Ainda pegando o ritmo das coisas, conhecendo gente, tentando entender um pouco da nova realidade, me acostumar com esse friozinho chato.

Ars longa, vita brevis.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Cavalcante/GO


Na despedida do Brasil, um mergulho no cerrado. Em resumo, foi muito especial. Ponto.

Na foto, um pedaço da Pousada Aruana. Dica de primeira.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Esclarecimentos, comentários, reflexões

Aos sobreviventes do blog,

Estou em processo de mudança. Pequim é bem longe. Maior trabalheira. Trampo. Correria. Lógico que deixei tudo para a última hora. Mas vai rolar, tá indo. As despedidas têm sido maravilhosas. Talvez um dos melhores períodos da minha vida. Nessas, o que já ia atrasar ficou ainda mais atrasado. Correria. Trampo. Por isso o blog tem descansado um pouco.

Aliás, Memórias, Sonhos e Reflexões não é um livro do Jung. É sua autobiografia. São portas que tenho aberto em minha vida. Caminhos. Um dia vou ler.

Comprometo-me a não ficar falando muito do Santos em 2010, senão vai monopolizar o blog. Esse ano vai ser brincadeira. O SP, time montado e experiente, já foi vencido com certa facilidade. E que golaços. E eu lá, em Barueri, feliz... Ganso, Robinho e Neymar são um espetáculo. O melhor ataque do mundo, eu arriscaria. Acorda, Dunga, junta eles com o Elano e levamos a Copa com goleada em cima de goleada.

Para não dizer que não falei das flores, seguem dois posts do nosso amigo Alon sobre o Fla-Flu Lula-FHC. Antes, não posso deixar dizer que considero positiva a candidatura do Ciro, para além da Marina. É importante ampliarmos o debate, novas perspectivas, posicionamentos, questionamentos. Ciro tem estofo, tem idéias, está preocupado com a governabilidade do pós-Lula. Aliás, na Revista Interesse Nacional, em mais uma boa edição, Zé Dirceu combate a idéia de que poderia haver uma convergência PT-PSDB. Não concordo com ele, embora ele tenha seus pontos. Enfim...

do blog do Alon

Demonização em excesso (10/02)
O político pode dar-se ao luxo inclusive de arrepender-se. Desde, é claro, que o arrependimento não implique abrir mão do que conquistou com os meios dos quais agora se arrepende


Um lance arriscado na política é pintar o adversário como algo mais defeituoso do que é. Não há artilharia de marketing que dispense, alguma hora, o uso da infantaria da informação, dos argumentos. Por isso, a longa e maciça campanha do PT para carimbar o governo Fernando Henrique Cardoso como um desastre deverá em certo momento voltar-se contra o criador.

FHC fez um governo com erros e acertos. Talvez mais acertos do que erros. Luiz Inácio Lula da Silva faz um governo melhor que o do antecessor, mas as comparações objetivas não são assim tão contrastantes, tão revolucionárias. O tucano fez privatizações bem criticáveis, como a da Vale, mas o PT no poder não reestatizou a empresa. Nem a candidata do PT diz que vai fazer isso.

A verdade é que o Brasil vem progredindo por etapas, mais rápido ou mais devagar, em especial desde a Revolução de 1930. A obra de cada presidente ergue-se sobre a herança dos anteriores. Depois de Getúlio Vargas é complicado dizer que algum tenha promovido rupturas. Talvez esse gradualismo tenha a ver com o desejo de não terem o destino do gaúcho.

Um americano, Seth Godin, relançou ano passado seu livro "All the Marketers are Liars" para reafirmar que, na opinião dele, todos os marqueteiros são mentirosos. E que o melhor marketing é a autenticidade. O exemplo recente seria Barack Obama (isso digo eu). É o político mais autêntico e transparente disponível, entre os planetariamente conhecidos.

Deu certo na campanha presidencial nos Estados Unidos, mas ainda está por dar certo no governo. A oposição republicana parece discordar radicalmente de Godin. Não propriamente no título do livro, mas na conclusão.

O PT também foi a seu tempo vítima do catastrofismo e da deturpação. Hoje recolhe os frutos de terem falhado os profetas do apocalipse. Diziam tantas barbaridades do que seria um eventual governo federal do PT que quando ele chegou ao poder a surpresa acabou sendo positiva. Aconteceu em 2003, mas teria acontecido antes, caso Lula tivesse subido antes a rampa do Planalto. A regra nos governos locais do PT pré-2002 sempre foi responsabilidade fiscal, gestão equilibrada da máquina pública e foco em benefícios estatais para os pobres. Como é agora em Brasília.

Em São Paulo, aliás, a administração Luiza Erundina (1989-92) acabou sendo tão austera que ela nunca mais conseguiu se eleger para um cargo executivo. Não foi só isso, mas teve a ver.

Prestar atenção excessiva ao que os políticos dizem em público uns dos outros é desperdício de tempo e energia. Nesse campo eles dão razão a Godin, pois mentem de modo compulsivo. O cálculo é simples: quanto mais o sujeito puder atrasar a consciência sobre a realidade dos fatos, melhor.

Se tiver sorte, na hora em que a ficha coletiva cair ele já estará sentado na ambicionada cadeira, e daí passará a administrar em posição de força o fato de ter mistificado no passado. Em geral não é tão difícil assim, pois o público quase tudo perdoa, se as coisas estiverem dando certo.

O político poderá dar-se ao luxo inclusive de arrepender-se . Desde, é claro, que o arrependimento não implique abrir mão do que conquistou com os meios dos quais agora se arrepende.

Por que FHC decidiu escrever o artigo do fim de semana em que se diz disponível para comparações entre o governo dele e o de Lula? Só ele poderá esclarecer. De qualquer modo, por mais desvantagem que o tucano leve, os números serão incapazes de chancelar a demonização promovida pelo PT e pelo governo ao longo destes sete anos. Assim, quando alguma racionalidade acabar introduzida no debate, é possível que FHC e o PSDB colham dividendos político-eleitorais.

A tática do PT é cartesiana. Como os números de Lula são melhores que os de FHC, não vale a pena promover uma volta ao passado. Simples de comunicar, mas não impossível de desconstruir. José Serra não é um fantoche de FHC, assim como Dilma está a anos-luz de ser um marionete de Lula.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quarta (10) no Correio Braziliense.


Marina

É bom ficar de olho em Marina Silva. Seu programa de televisão quinta-feira foi muito bom. Obedeceu a um mandamento vital: autenticidade. Políticos falando no horário eleitoral (ou partidário) dão sempre a ideia de estarem lendo um texto escrito por outros. Parecem fantoches. Marina não. Ela consegue evitar o incômodo (para o telespectador).

Na era da informação abundante e disseminada, a tendência é o marketing eleitoral ser substituído pelo jornalismo. Tem que ter a musiquinha, a lagriminha, mas o central é conhecer o candidato em situação verídica. Olho no olho. É por sinal um combustível de Lula. Você pode concordar ou discordar, mas ele dá a impressão de acreditar no que diz. Mesmo quando diz uma coisa hoje e outra diferente amanhã.

E tem a questão técnica. Se o público estivesse só atrás de apuro técnico, a TV aberta não estaria tendo que trazer o YouTube para a programação. O público quer menos burilação e mais conteúdo.



Quem fez um comentário no post sobre nosso mestre Fellini poderia se identificar. Corro o risco de perder uma amizade, um amor antigo, uma pequena paixão perdida no tempo. Mande um email no antonio.freitas05@gmail.com. 09 de fevereiro. A franqueza é sempre o melhor caminho. Não me lembro, je suis desolé.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Dívidas

O blog andou se afastando muito dos tradicionais temas.

Há algumas coisas sobre as quais quero escrever e ficarei com a dívida até desenvolvê-las de forma mais elaborada:

a) novos lances da Satiagraha e a reação ao combate ao crime do colarinho branco... há uma reação poderosa, de diversos lados, que encontra acolhida nas altas instâncias do judiciário e é aplaudida por setores da imprensa. Estão mirando o juiz, o delegado e os promotores, não os criminosos. É surreal.

b) o déficit na conta corrente brasileira. Eu já vinha alertando aqui faz tempo. Lá vamos nós surfar a onda do endividamento externo. Os mais "espertinhos" aplaudem. Mas sabemos onde isso vai dar.

c) o Partido da Imprensa tentando criar um ar de ameaça à democracia, às liberdades políticas, caso Dilma seja eleita. O PNDH III, a Confecom, agora uma Conferência sobre Cultura, seriam indícios, uhuhhuu, amedrontadores. Na versão mais delirante, Dilma teria um "plano secreto para acabar com a democracia". O fato, no entanto, é que os que dizem isso são os mesmos, ou herdeiros, dos que em 1964 diziam que Jango tinha esse mesmo plano. Com base nessa "ameaça", eles mesmos deram o golpe. Derrubaram o Estado de Direito em defesa do Estado de Direito. Enriqueceram, fizeram carreiras políticas. Trata-se de uma canalha muito inteligente. Mas nada original.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Breves

Ainda meio lesado das férias, férias que curam, férias que renovam, neurônios descansando, às vezes confusos, chinelos e bermudas, pé na areia, pés descalços que não se cansaram de tanto sambar e forrozear nas noites estreladas do céu brasileiro.

Meio lesado e correndo atrás de burocratices da grande mudança que se avizinha, mudança que mexe mas me deixa muito feliz, será incrível, espero, torço... A alguns de meus poucos leitores que porventura não saibam, no dia 20 de fevereiro embarco para Pequim, capital do Império do Meio, onde meu espírito se alimentará de novas energias filosóficas, religiosas, políticas, diplomáticas, culturais, linguísticas, gastronômicas, enfim, experiências demasiadamente humanas que enriquecerão minha existência e, espero, contribuirão também para que me torne um servidor público mais competente e lúcido. Mais importante, meu crescimento será o crescimento daqueles que me rodeiam, daqueles que me amam, daqueles que retiram de minha alegria um pouco de sua felicidade.

Li muito Confucio nas férias. Vou comentar bastante sobre isso depois. Com ele, creio que começo bem essa viagem. Grande Mestre.

Como vêem, o blogueiro continua meio mexido, quase poético, hehe. Mas foram ajustados certos sentimentos que andavam desequilibrados. O pensamento é positivo. Devagarzinho, voltarei a postar com mais frequência.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Feliz 2010

Leminski e Brasilia

Pesquisando sobre Paulo Leminski, filho de polonês com negra, poeta curitibano, escritor, tradutor e professor. Recordava-me da poesia abaixo. Ela faz sentido, sempre fez. Atualmente faz mais, pois estou me despedindo de muita gente. É hora de dizer, caso contrário carregarei coisas dentro de mim que poderão ocupar muito espaço. O tempo é precioso, não volta, sem chance. Ás vezes nos chama a olhar para trás. Pode incomodar. Por que não olhá-lo de frente?

"É tarde, sai daqui", poderão redarguir até com raiva. "E daí", poderão falar... e como é dura a indiferença! Isso quando eu conseguir ser devidamente ouvido... faz tempo, né, para que mexer?

Mas acho importante tentar, fazer o gesto, colocar para jogo, se abrir. Às vezes dói. Pode doer bastante. Falo porque já estive lá. Mas vale.

E por isso, se possível, não custa procurar aprender a tornar tais movimentos parte do dia-dia, exercitar o diálogo, evitar grandes choques, se colocar de forma mais aberta, tranquila, construtiva. Deixar o sentimento fluir. Tô tentando.

Fiquemos com a poesia de nosso amigo Leminski.

PERGUNTE AO PÓ

cresce a vida
cresce o tempo
cresce tudo
e vira sempre
esse momento

cresce o ponto
bem no meio
do amor seu centro
assim como
o que a gente sente
e não diz
cresce dentro



E agora essa abaixo tirei de um blog, muito interessante, Leminski em Brasilia...

"Paulo Leminski durante sua visita a Brasília em 1984, após um almoço numa pensão na W3S,. com Ivan "Presença", Nicholas Behr e Alice Ruiz, deixou o manuscrito com o também poeta Nicholas Behr. Originalmente publicado em “Tira Prosa” a revista cultural do Feitiço Mineiro, Número 11 out. / nov. / 1998."

claro calar
sobre uma cidade
sem ruínas
Em Brasília admirei
Não a niemeyer lei,
admirei a vida das pessoas
penetrando nos esquemas,
tinta sangue no mata borrão,
vermelho gente
entre pedra e pedra
pela terra a dentro
Em Brasília, admirei
Admirei o pequeno restaurante
Oculto,
Criminoso por estar fora
Da quadra permitida
Sim, Brasília
Admirei o tempo
Que já cobre de anos
Tuas impecáveis matemáticas
Sim, Brasília,
O erro sim, não a lei
Muito me admiraste,
Muito te admirei

domingo, 27 de dezembro de 2009

Assuntos para breve

Novos lances da Satiagraha.

A crise econômica, financeira, ambiental, ideológica, de governança, enfim, a crise do sistema político mundial.

Elencar alguns temas para 2010.

A máquina político-financeira montada por Arruda, PO, deputados distritais, imprensa, juizes, auditores, etc... Em que pé estão as coisas. E minha visita pelo Setor Noroeste, símbolo da especulação político-imobiliária, que promete complicar ainda muito mais as coisas em Bsb.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O blog é chapa branca?

Não me vejo como chapa branca. Defendo especialmente a política externa, boa parte da condução macroeconômica e a ampliação dos programas sociais como o Bolsa Família. Fiquei bem satisfeito com o viés nacionalista do pré-sal. Nas outras áreas do governo, ou não conheço as coisas de perto para poder julgar, ou vejo contradições, fraquezas, enfim, há problemas vários como não poderia deixar de ser, incluindo a relação com os partidos, o Congresso, o Judiciário, a maneira como foi feita a intervenção na Polícia Federal, etc...

Admiro muito o Presidente, mas em torno dele proliferam pessoas com interesses bem particulares, ainda mais em fim de governo com alta popularidade. Ele deve tomar cuidado com isso. Lula governa em contexto no qual os partidos se dissolveram, os ideais parecem ter ficado para trás, o governo arbitra batalhas entre grandes grupos econômicos, a legislação sobre o financiamento eleitoral é essa que ele mesmo critica, enfim, todo cuidado é pouco. Atenção com a hubris, como diriam nossos amigos ingleses.

Em respeito ao Cesar Benjamim, um intelectual com uma obra e uma história de ativismo político considerável, vou transcrever aqui o artigo dele de hoje. Não o primeiro, pois achei surreal algo daquele jeito publicado sem apuração, de maneira irresponsável. Mas o de hoje pode ser, é a crítica, vivemos num país democrático, ele toca em pontos importantes, num momento importante, enfim. Respeito-o. Tenho um ou dois livros dele, escreve muito bem, conhece das coisas, não é um qualquer. Bom, segue o artigo de hoje e azar de quem não gosta de crítica.

Chapa branca não. O Brasil está acima do PT, do PSDB, do Presidente Lula e do Partido da Imprensa Golpista. Não vi ainda o filme do Lula. Vou ver em algum momento. E prometo comentar.


Por que agora?
CÉSAR BENJAMIN
ESPECIAL PARA A FOLHA

DEIXO de lado os insultos e as versões fantasiosas sobre os "verdadeiros motivos" do meu artigo "Os Filhos do Brasil". Creio, porém, que devo esclarecer uma indagação legítima: "por quê?", ou, em forma um pouco expandida, "por que agora?". A rigor, a resposta já está no artigo, mas de forma concisa. Eu a reitero: o motivo é o filme, o contexto que o cerca e o que ele sinaliza.
Há meses a Presidência da República acompanha e participa da produção desse filme, financiado por grandes empresas que mantêm contratos com o governo federal.
Antes de finalizado, ele foi analisado por especialistas em marketing, que propuseram ajustes para torná-lo mais emotivo.
O timing do lançamento foi calculado para que ele gire pelo Brasil durante o ano eleitoral. Recursos oriundos do imposto sindical -ou seja, recolhidos por imposição do Estado- estão sendo mobilizados para comprar e distribuir gratuitamente milhares de ingressos. Reativam-se salas pelo interior do país e fala-se na montagem de cines volantes para percorrerem localidades que não têm esses espaços. O objetivo é que o filme seja visto por cerca de 5 milhões de pessoas, principalmente pobres.
Como se fosse pouco, prepara-se uma minissérie com o mesmo título para ser exibida em 2010 pela nossa maior rede de televisão que, como as demais, também recebe publicidade oficial. Desconheço que uma operação desse tipo e dessa abrangência tenha sido feita em qualquer época, em qualquer país, por qualquer governante. Ela sinaliza um salto de qualidade em um perigoso processo em curso: a concentração pessoal do poder, a calculada construção do culto à personalidade e a degradação da política em mitologia e espetáculo. Em outros contextos históricos isso deu em fascismo.
O presidente Lula sabe o que faz. Mais de uma vez declarou como ficou impressionado com o belo "Cinema Paradiso", de Giuseppe Tornatore, que narra o impacto dos primeiros filmes na mente de uma criança. "O Filho do Brasil" será a primeira -e talvez a única- oportunidade de milhões de pessoas irem a um cinema. Elas não esquecerão.
Em quase oito anos de governo, o loteamento de cargos enfraqueceu o Estado. A generalização do fisiologismo demoliu o Congresso Nacional. Não existem mais partidos. A política ficou diminuída, alienada dos grandes temas nacionais. Nesse ambiente, o presidente determinou sozinho a candidata que deverá sucedê-lo, escolhendo uma pessoa que, se eleita, será porque ele quis. Intervém na sucessão em cada Estado, indicando, abençoando e vetando. Tudo isso porque é popular. Precisa, agora, do filme.
Embalado pelas pré-estreias, anunciou que "não há mais formadores de opinião no Brasil". Compreendi que, doravante, ele reserva para si, com exclusividade, esse papel. Os generais não ambicionaram tanto poder. A acusação mais branda que tenho recebido é a de que mudei de lado. Porém os que me acusam estão preparando uma campanha milionária para o ano que vem, baseada em cabos eleitorais remunerados e financiada por grandes grupos econômicos. Em quase todos os Estados, estarão juntos com os esquemas mais retrógrados da política brasileira. E o conteúdo de sua pregação, como o filme mostra, estará centrado no endeusamento de um líder.
Não há nada de emancipatório nisso. Perpetuar-se no poder tornou-se mais importante do que construir uma nação. Quem, afinal, mudou de lado? Aos que viram no texto uma agressão, peço desculpas. Nunca tive essa intenção. Meu artigo trata, antes de tudo, de relações humanas e é, antes de tudo, uma denúncia do círculo vicioso da extrema pobreza e da violência que oprime um sem-número de filhos do Brasil. Pois o Brasil não tem só um filho.
Reitero: o que escrevi está além da política. Recuso-me a pensar o nosso país enquadrado pela lógica da disputa eleitoral entre PT e PSDB. Mas, se quiserem privilegiar uma leitura política, que também é legítima, vejam o texto como um alerta contra a banalização do culto à personalidade com os instrumentos de poder da República. O imaginário nacional não pode ser sequestrado por ninguém, muito menos por um governante.
Alguns amigos disseram-me que, com o artigo, cometi um ato de imolação. Se isso for verdadeiro, terá sido por uma boa causa.

CÉSAR BENJAMIN, 55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Não ame-o, mas também não o deixe

Pois bem, a coisa está ficando muito séria. Brava, baixa. Lula, ame-o ou deixe-o. Há, de um lado, enorme louvação a Lula que ignora alguns erros e contradições de seu governo (que eu defendo bastante). De outro lado, alguns não escondem a gana de destroçá-lo seja lá por quais métodos forem.

Esse blog não entra em picuinhas do dia-dia. Agressões pessoais. Exemplos: filho de FHC, filho do Renan, Lula "analfabeto", Cesar Benjamin, denúncias de corrupção, o preto e o branco, o mal contra o bem, o falso moralismo (Sarney).

Critiquei o artigo de FHC que basicamente dizia que se Dilma fosse eleita, a democracia estaria em risco. Não está.

Pois idéias são criticáveis. Mas não escrevo aqui para julgar nem crucificar ninguém.

Apontei em alguns posts que um dos maiores problemas da democracia brasileira está no financiamento das campanhas. O mensalão se inscreve aí. Os vereadores de SP e o Governo Kassab, amplamente financiados pelo setor imobiliário, e que estão detonando o Plano Diretor, também. No GDF, o Setor Noroeste e outras artimanhas são decorrência natural da simbiose especulação imobiliária-poder político. E agora, essas denúncias contra toda a Cúpula do GDF.

O financiamento de campanhas causa problemas a todos os partidos, candidatos, etc... Corrói a política brasileira. É um problema estrutural. Não cabe moralismo, demagogia, individualização. Lógico que quando pegos devem ser punidos, mas o problema está nas leis, na estrutura.

O blog talvez não seja muito inteligente, os posts não são muito preparados nem contam com teses muito elaboradas. É sentar e escrever, coisa rápida. Tampouco coloca-se como dono da verdade, com exceção de algumas barbaridades defendidas por alguns financistas mais rasteiros. Tenho perguntas, mais do que respostas. Talvez seja muito idealista, ingênuo, tolo. Um inocente útil, ou inútil. Mas não entro na baixaria, no bem contra o mal, na torcida organizada.

O blog tenta ficar além disso. Ver o Brasil como um todo, o desenvolvimento da nação, o bem-estar de seu povo, a produção e o emprego sobre o rentismo, o respeito ao meio-ambiente e à interação homem-natureza, a valorização da cultura universal e do que gosto no cinema e na música (falo pouco de literatura, leio pouca literatura), a consolidação da democracia, o aprofundamento do espírito republicano.

Com todas as limitações, dá um certo orgulho reler, já temos algo nesta página alittlefunnyinthehead.

Agradeço muito aos meus poucos leitores, aos elogios que de quando em quando recebo. Voltem sempre.