No post abaixo, manifestei a esperança de que no segundo turno pudessem ser discutidos temas mais substantivos, propostas, projetos, rumos mais estruturais do país. Mencionei as contas externas, cheguei a citar a PNAD, tive devaneios com pacto federativo e estrutura tributária, delirei com a reforma política.
Santa ingenuidade. Pelo que vi até agora, teremos um apelo barato a emoções, à mistura de política com religião, boatos, o denuncismo, comparações enviesadas entre governos ignorando um sentido de continuidade na democracia da Nova República, enfim, é guerra, é o duelo de versões, a superficialidade, uma espécie de vale-tudo maquiado pela marquetagem.
O blog provavelmente retornará, portanto, a seu habitual silêncio sobre as idas e vindas da batalha e confortavelmente, confesso, procurará discutir um pouco mais da desordem econômica e política internacional, mostrar um pouco da China que me fascina, e às vezes assusta, além de pitadas de respiros musicais, cinematográficos e etcéteras.
Para uns, o muro é tucanagem e tudo mais que se associa ao termo. Para outros, o muro é condescender com ameaças à democracia e à familia brasileira, ai ai ai...
A meus poucos e valorosos leitores, uma poesia para refrescar a alma.
Rudyard Kipling
If
If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don't deal in lies,
Or, being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;
If you can dream - and not make dreams your master;
If you can think - and not make thoughts your aim;
If you can meet with triumph and disaster
And treat those two imposters just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to broken,
And stoop and build 'em up with wornout tools;
If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on";
If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings - nor lose the common touch;
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run -
Yours is the Earth and everything that's in it,
And - which is more - you'll be a Man my son!
Tradução de Guilherme de Almeida
Se
Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se és capaz de pensar --sem que a isso só te atires,
De sonhar --sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais --tu serás um homem, ó meu filho!
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sábado, 9 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Um trem para as estrelas
O blog tá muito pesado, posts em sequência sobre política interna, política externa, economia & finanças, guerra e paz, entre partidos, entre países. Chove em Hong Kong e estou trancado no hotel dando um tempo para quem sabe passear mais tarde.
Num trem para as estrelas, depois dos navios negreiros, outras correntezas. Cazuza & Gil, cenas do filme, que recomendo.
São 7 horas da manhã
Vejo o Cristo da janela
O sol já apagou sua luz
E o povo lá embaixo espera
Nas filas dos pontos de ônibus
Procurando aonde ir
São todos seus cicerones
Correm pra não desistir
Dos seus salários de fome
É a esperança que eles tem
Neste filme como extras
Todos querem se dar bem
Num trem pras estrelas
Depois dos navios negreiros
Outras correntezas
Estranho o teu Cristo, Rio
Que olha tão longe, além
Com os braços sempre abertos
Mas sem protejer ninguém
Eu vou forrar as paredes
Do meu quarto de miséria
Com manchetes de jornal
Pra ver que não é nada sério
Eu vou dar o meu desprezo
Pra você que me ensinou
Que a tristeza é uma maneira
Da gente se salvar depois
Num trem pras estrelas
Depois dos navios negreiros
Outras correntezas
Num trem para as estrelas, depois dos navios negreiros, outras correntezas. Cazuza & Gil, cenas do filme, que recomendo.
São 7 horas da manhã
Vejo o Cristo da janela
O sol já apagou sua luz
E o povo lá embaixo espera
Nas filas dos pontos de ônibus
Procurando aonde ir
São todos seus cicerones
Correm pra não desistir
Dos seus salários de fome
É a esperança que eles tem
Neste filme como extras
Todos querem se dar bem
Num trem pras estrelas
Depois dos navios negreiros
Outras correntezas
Estranho o teu Cristo, Rio
Que olha tão longe, além
Com os braços sempre abertos
Mas sem protejer ninguém
Eu vou forrar as paredes
Do meu quarto de miséria
Com manchetes de jornal
Pra ver que não é nada sério
Eu vou dar o meu desprezo
Pra você que me ensinou
Que a tristeza é uma maneira
Da gente se salvar depois
Num trem pras estrelas
Depois dos navios negreiros
Outras correntezas
sábado, 16 de janeiro de 2010
Analectos
IV.15 O Mestre disse: "Ts`an! Uma única linha amarra todo o meu pensamento".
Tseng Tzu assentiu.
Depois que o Mestre tinha saído, os discípulos perguntaram:
"O que ele quis dizer?"
Tseng Tzu disse: "O caminho do Mestre consiste em dar o melhor de si e usar a si próprio para julgar os outros. Isso é tudo."
IV.23 O Mestre disse: "É raro que um homem apegado às coisas essenciais perca o autocontrole".
IV.25 O Mestre disse: "A virtude nunca está sozinha. Está destinada a ter vizinhos."
Tseng Tzu assentiu.
Depois que o Mestre tinha saído, os discípulos perguntaram:
"O que ele quis dizer?"
Tseng Tzu disse: "O caminho do Mestre consiste em dar o melhor de si e usar a si próprio para julgar os outros. Isso é tudo."
IV.23 O Mestre disse: "É raro que um homem apegado às coisas essenciais perca o autocontrole".
IV.25 O Mestre disse: "A virtude nunca está sozinha. Está destinada a ter vizinhos."
O caminho do bem
IV.7 O Mestre disse: "Os erros de um homem são condizentes com o tipo de pessoa que ele é. Observe os erros e você conhecerá o homem."
IV.8 O Mestre disse: "Não viveu em vão aquele que morre no dia em que descobriu o Caminho."
VI.29 O Mestre disse: "Supremo, de fato, é o Caminho do Meio como virtude moral. Tem sido raro entre o povo há muito tempo."
Confúcio, "Analectos"
"O Eu é o mestre do eu. Que outro mestre poderia existir? Tudo existe, é um dos extremos. Nada existe, é o outro extremo. Devemos sempre nos manter afastados desses dois extremos, e seguir o Caminho do Meio."
Buda
IV.8 O Mestre disse: "Não viveu em vão aquele que morre no dia em que descobriu o Caminho."
VI.29 O Mestre disse: "Supremo, de fato, é o Caminho do Meio como virtude moral. Tem sido raro entre o povo há muito tempo."
Confúcio, "Analectos"
"O Eu é o mestre do eu. Que outro mestre poderia existir? Tudo existe, é um dos extremos. Nada existe, é o outro extremo. Devemos sempre nos manter afastados desses dois extremos, e seguir o Caminho do Meio."
Buda
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Leminski e Brasilia
Pesquisando sobre Paulo Leminski, filho de polonês com negra, poeta curitibano, escritor, tradutor e professor. Recordava-me da poesia abaixo. Ela faz sentido, sempre fez. Atualmente faz mais, pois estou me despedindo de muita gente. É hora de dizer, caso contrário carregarei coisas dentro de mim que poderão ocupar muito espaço. O tempo é precioso, não volta, sem chance. Ás vezes nos chama a olhar para trás. Pode incomodar. Por que não olhá-lo de frente?
"É tarde, sai daqui", poderão redarguir até com raiva. "E daí", poderão falar... e como é dura a indiferença! Isso quando eu conseguir ser devidamente ouvido... faz tempo, né, para que mexer?
Mas acho importante tentar, fazer o gesto, colocar para jogo, se abrir. Às vezes dói. Pode doer bastante. Falo porque já estive lá. Mas vale.
E por isso, se possível, não custa procurar aprender a tornar tais movimentos parte do dia-dia, exercitar o diálogo, evitar grandes choques, se colocar de forma mais aberta, tranquila, construtiva. Deixar o sentimento fluir. Tô tentando.
Fiquemos com a poesia de nosso amigo Leminski.
PERGUNTE AO PÓ
cresce a vida
cresce o tempo
cresce tudo
e vira sempre
esse momento
cresce o ponto
bem no meio
do amor seu centro
assim como
o que a gente sente
e não diz
cresce dentro
E agora essa abaixo tirei de um blog, muito interessante, Leminski em Brasilia...
"Paulo Leminski durante sua visita a Brasília em 1984, após um almoço numa pensão na W3S,. com Ivan "Presença", Nicholas Behr e Alice Ruiz, deixou o manuscrito com o também poeta Nicholas Behr. Originalmente publicado em “Tira Prosa” a revista cultural do Feitiço Mineiro, Número 11 out. / nov. / 1998."
claro calar
sobre uma cidade
sem ruínas
Em Brasília admirei
Não a niemeyer lei,
admirei a vida das pessoas
penetrando nos esquemas,
tinta sangue no mata borrão,
vermelho gente
entre pedra e pedra
pela terra a dentro
Em Brasília, admirei
Admirei o pequeno restaurante
Oculto,
Criminoso por estar fora
Da quadra permitida
Sim, Brasília
Admirei o tempo
Que já cobre de anos
Tuas impecáveis matemáticas
Sim, Brasília,
O erro sim, não a lei
Muito me admiraste,
Muito te admirei
"É tarde, sai daqui", poderão redarguir até com raiva. "E daí", poderão falar... e como é dura a indiferença! Isso quando eu conseguir ser devidamente ouvido... faz tempo, né, para que mexer?
Mas acho importante tentar, fazer o gesto, colocar para jogo, se abrir. Às vezes dói. Pode doer bastante. Falo porque já estive lá. Mas vale.
E por isso, se possível, não custa procurar aprender a tornar tais movimentos parte do dia-dia, exercitar o diálogo, evitar grandes choques, se colocar de forma mais aberta, tranquila, construtiva. Deixar o sentimento fluir. Tô tentando.
Fiquemos com a poesia de nosso amigo Leminski.
PERGUNTE AO PÓ
cresce a vida
cresce o tempo
cresce tudo
e vira sempre
esse momento
cresce o ponto
bem no meio
do amor seu centro
assim como
o que a gente sente
e não diz
cresce dentro
E agora essa abaixo tirei de um blog, muito interessante, Leminski em Brasilia...
"Paulo Leminski durante sua visita a Brasília em 1984, após um almoço numa pensão na W3S,. com Ivan "Presença", Nicholas Behr e Alice Ruiz, deixou o manuscrito com o também poeta Nicholas Behr. Originalmente publicado em “Tira Prosa” a revista cultural do Feitiço Mineiro, Número 11 out. / nov. / 1998."
claro calar
sobre uma cidade
sem ruínas
Em Brasília admirei
Não a niemeyer lei,
admirei a vida das pessoas
penetrando nos esquemas,
tinta sangue no mata borrão,
vermelho gente
entre pedra e pedra
pela terra a dentro
Em Brasília, admirei
Admirei o pequeno restaurante
Oculto,
Criminoso por estar fora
Da quadra permitida
Sim, Brasília
Admirei o tempo
Que já cobre de anos
Tuas impecáveis matemáticas
Sim, Brasília,
O erro sim, não a lei
Muito me admiraste,
Muito te admirei
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Drummond...
Poema de sete faces
...
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
...
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Afim de saber
saindo do pensamento, atravessando o concreto e abraçando o sentimento, temos tom jobim soprando uma canção, um ensinamento, meditação, a dor e a beleza do amor, a angústia e a incerteza, palavras que falam e palavras que calam, sons, olhares, silêncios, jobins e tons de mil lugares;
não vale correr, não carece fugir, por favor não faça isso
E o mestre sossegou, respirou, meneou e ponderou-me com a tranquilidade de quem apenas repete uma conhecida verdade:
"Antonio,
suspiro que vem de dentro e não sai, arde que cai, chora que rola
mas se mexe lá dentro e escapa e atrai, assusta e encanta e seus males espanta"
em chinês?
não vale correr, não carece fugir, por favor não faça isso
E o mestre sossegou, respirou, meneou e ponderou-me com a tranquilidade de quem apenas repete uma conhecida verdade:
"Antonio,
suspiro que vem de dentro e não sai, arde que cai, chora que rola
mas se mexe lá dentro e escapa e atrai, assusta e encanta e seus males espanta"
em chinês?
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