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domingo, 23 de outubro de 2011

domingo, 2 de outubro de 2011

Notícias da crise (o retorno dos que nunca foram)

Notícias da crise. Mas não, não pretendo comentar sobre o cenário internacional. Domingo pela manhã em Pequim, dia de sol e céu azul, embora esteja esfriando. Ontem tivemos o 62o aniversário da Revolução na China, muy bien, molto benne, hen hao. O Partido desfila soberano, envelhecido mas muito forte, cheio de si.

Pois então. Hoje acordei cedo, de boa, me sentindo bem. É feriadão essa semana, mas precisarei trabalhar um pouco, escrever algumas coisas, ler diversos textos, arrumar minha mesa que é uma zona indescritível. Mais visitas chegam hoje aqui em casa. Um casal. Visitas têm se sucedido. É bom receber gente e é bom saber que todos saem muito felizes de Pequim.

Bom, domingão pela manhã, já estourei os neurônios e estou a fim de falar sobre nosso amado Brasil. Em particular, sobre o que vem se revelando uma gradual reorientação da política econômica conduzida pela Presidenta Dilma Rousseff. O timing da mudança, a forma de implementação, as previsíveis críticas que têm sofrido, os reais riscos que corre, divagar um pouco sem maiores compromissos.

Abre parêntese. Tenho acompanhado muito mais de perto, por óbvias razões, a economia e a política chinesa. As coisas aqui têm atingido um estágio realmente fascinante. A proximidade da sucessão política chinesa em 2012-2013 e os desafios e riscos do atual modelo de crescimento econômico chinês entrelaçam-se num jogo nebuloso, muito rico, rivalidades entre grupos de interesse e facções, disputas ideológicas de uma sociedade que se transforma em todos sentidos, mas mantém rigidez em seus processos políticos.

Porém, é preciso ressaltar: é mais do que uma transição política, é uma transição entre gerações. A 5a geração, representada por Xi Jinping, Li Keqiang, Wang Qishan, Bo Xilai e outros, tem formação mais heterogênea (direito, economia, ciência política; a 4a foi dominada por engenheiros). São mais jovens, porém ainda contam com a experiência da Revolução Cultural (a 6a geração será a primeira sem nenhum contato mais próximo com aqueles anos). Serão os primeiros não diretamente bancados por figuras do porte de Mao ou Deng, mas sim resultado de uma burocracia poderosa e razoavelmente bem institucionalizada. Terão responsabilidades fantásticas que valeriam um ou cinco ou centenas de textos.

A cerâmica chinesa, cujos traços apenas pincelei acima, se torna caledoscopial quando colocada na moldura mais geral de recursos naturais cada vez mais escassos, uma economia global em crise, a falta de liderança e modelos e rumos nesse processo de rearranjo político internacional, as dificuldades do chamado mundo ocidental e a ascensão da Ásia. Um corpo desconhecido, um corpo em mudança, um gigante orgulhoso, se insere num meio internacional instável, ancorado em equilíbrios precários, cujas bases financeiras e ideológicas estão sob ceticismo crescente. Movimentos tectônicos na política internacional.

Devo citar, apesar dos pesares, que na região do leste e do sul da Ásia o xadrez político me assusta e acho tudo um saco. Todos estão se armando, rivalidades crescem, nervos se exaltam, andei lendo uns textos nas últimas semanas em parte da imprensa oficialista chinesa e me assustei. Eles são mesmo sensacionalistas, jogam para a torcida, mas assusta a naturalidade com a qual algumas coisas são abertamente discutidas. A despeito do aumento do comércio e dos investimentos regionais, e mesmo de sucessivas reuniões das lideranças locais, ocorrem lances de disputas de poder e revanchismo que só podem terminar mal, é tragédia anunciada...

Durante algumas oportunidades na minha vida tive a alegria de ouvir de algumas mulheres a doce expressâo "Me encanta...". Sob forma quase musical, hispanicamente entonada, me encanta, Antonio, doce e sorridente expressão. Pois bem, sobre o cenário de rivalidades asiáticas eu só posso dizer "Me espanta...", me espanta muito e quero estar longe daqui quando sobrevier alguma bobagem maior e o sangue começar a correr.

Mas, entretanto, porém, como disse, estou com vontade de falar sobre o Brasil. Estou gostando do primeiro ano de governo da PR Dilma. Ela tem demarcado grandes diferenças com relação ao Lula. Não apenas no estilo, o que sempre foi óbvio. Também programaticamente. Evidentemente, o cenário interno e externo é outro e isso força algumas mudanças. Falarei adiante.

Creio que as similitudes ficaram mais na necessidade de administração e aconchego da base governista e do PT, da relação com os outros Poderes, das disputas entre partidos e grupos que já se movimentam com vistas aos próximos anos. Mesmo nesse ponto há caminhos alternativos, como mostram as seguidas pontes que Dilma têm levantado com setores da oposição, particularmente com FHC. As elocubrações sobre reforma política e, em particular, do financiamento eleitoral. Na política externa, vejo ajustes de estilo, ajustes de foco, ajustes decorrentes de mudanças do jogo internacional, mas a orientação geral permanece e a qualidade da condução brasileira é inegável. Num mundo turbulento e perigoso, a voz brasileira é sempre um alento. Sensata, amigável e atenta para a desordem atual e os riscos que isso traz para o desenvolvimento nacional.

É no que chamei de programático, quero dizer, mais do que na gestão, na orientação geral de determinadas políticas, que desejo me alongar. Em particular, no que se pode começar a pensar em chamar de transição macroeconômica. Os juros foram baixados, contrariando as expectativas dos nossos amigos do mercado. A meia-dúzia de seis mil sobre o qual já comentei tanto aqui. Em geral excelentes profissionais, mas muitas vezes um tanto quanto descompromissados com a nação. Enfim, os juros baixaram e a gritaria foi grande. Hoje parece tudo mais tranquilo. Encaixaram.

Dilma é muito respeitada, vem ganhando uma espécie de autoridade diferente da de Lula. É inevitável voltar ao tema do estilo. Lula equilibrava, seu carisma construía diferentes discursos para diferentes multidões, confiança, apelo à emoção. Dilma organiza, avalia, opera à distância. Não sofre os tipos de ataques que Lula sofria (e sofre), muitos deles verdadeiramente vis. Afastou ministros sem conversa-mole. Não fica com papinho ao léu com quem não se tem o que conversar.

Lembro-me de um dos grampos da Satiagraha, creio, operação em que a Justiça em particular, mas o establishment político, econômico e midiático nacional em geral, acharam por bem silenciar. Lá pelas tantas, um dos grampeados, num daqueles diálogos bem republicanos compilados, referia-se à Dilma, então ainda Ministra. Após uma reunião na Casa Civil, os interlocutores teriam ficado impressionados com a esperteza dela, principalmente em descobrir onde estava "a sacanagem".

Pois é, Dilma parece que sabia onde estava a sacanagem, parece que sabe onde está a sacanagem. E ela não gosta muito de sacanagem. Embora algumas estejam fora de seu alcance, nossa Presidenta tem atuado bem no que lhe diz respeito mais diretamente. Ela passa uma imagem pública muito boa. O Brasil precisa de exemplos que venham de cima. Volto ao ponto do diálogo com FHC. Dilma institucionaliza o país, dá um sentido de continuidade maior do que o lulismo permite. Muito bem, Dilma. Ampliando o Brasil, não sem deixá-lo mais complexo, mas também fascinante.

Mas onde está a sacanagem, povo brasileiro? O famoso "Brasil, mostra a sua cara... quero ver quem paga..." Na apropriação de recursos públicos, apropriação de poder, por entes privados, por pequenos grupos, sob a capa do interesse mais geral ou mesmo sob o comodismo da inércia histórica. Não se trata apenas da licitaçãozinha, da propina do fiscal, essas denúncias da TV com câmeras escondidas. Nem também da Castelo de Areia, da Satigraha. É mais. Trata-se da definição de políticas, da atribuição de responsabilidades, da distribuição de perdas e ganhos, do modelo mais geral. Onde também, como no caso da licitação ou da propina, há corruptos e corruptores. Via de mão dupla, é sempre bom lembrar. Teremos um modelo que permita a progressiva incorporação dos setores mais desfavorecidos e a ampliação das liberdades positivas (o direito de criar, elaborar, escolher caminhos) ou será mantida apenas uma máquina de reprodução da riqueza e manutenção da ordem para setores minoritários? Vamos além na democratização da sociedade ou paramos na forma, no discurso e no ajuste fiscal?

Volto, retorno, retomo: entre muitos outros pontos que considero bem importantes, fico com um exemplo no qual Dilma sinalizou e paralelamente opera mudanças positivas, uma brisa de ar nas esperanças de avanços políticos e econômicos.

Trata-se do que alinhavei acima como transição macroeconômica: a queda nos juros, especialmente; a diminuição das despesas com juros permite a manutenção dos níveis da dívida pública em paralelo a aumento nas transferências de renda e esperados reforços à taxa de investimento; vocalização, e atuação aqui e ali, na proteção do mercado nacional e no suporte à indústria e às exportações; tem se discutido também novo código de mineração, imagino que o controle sobre a propriedade fundiária esteja sendo aperfeiçoado; enquanto isso, no Congresso, segue a discussão sobre os royaltes do petróleo. Em debate, parte do que se conhece como federação brasileira.

Vou ficar na queda dos juros, na queda-de-braço com os mercados, na esfera da alta finança, na especulação com ativos em moeda nacional para que se atinja o fim último de se converterem em riqueza universal (dólar). Taí um setor em que tem muita sacanagem. Altas doses de cinismo e hipocrisia. Um jogo pesado. Dilma operando bem nesse meio. Boa, Presidenta.

Porém, mais tarde. Dia de sol e céu azul em Pequim. Easy rider pelas ruas e vielas da capital do Império do Meio. Vida louca, vida breve. Ars longa, vita brevis, já escrevi isso aqui. A continuar...

sábado, 30 de outubro de 2010

Os 77 anos de Mané Garrincha / Boitatá

De volta a Dongguan para o 2o turno das eleições. Solzinho bom por aqui. Mas fico no hotel trabalhando. E não vou falar nada do cenário político. Depois, é provável que escreva bastante, a ver. Na China, muita coisa interessante acontecendo. Podia escrever muito. Mas também não estou com vontade de navegar por essas praias.

Então vou falar de Garrincha. E depois coloco um vídeo que me matou de saudade, vídeo muito legal do Cordão do Boitatá, no Carnaval do Rio, bagunça boa da qual já participei. Garrincha, Boitatá, Brasil, muito a ver. Mas pouco a ver com a China.



Bom, sobre Garrincha já escrevi algo logo no começo do blog, o sensacional documentário do mestre Joaquim Pedro de Andrade, Garrincha, a Alegria do Povo. Deixo então essa foto acima de outro de nossos gênios da raça, cercado por 8 mexicanos, vejam só. E um texto de Mario de Andrade.

Carlos Drummond de Andrade
A necessidade brasileira de esquecer os problemas agudos do país, difíceis de encarar, ou pelo menos de suavizá-los com uma cota de despreocupação e alegria, fez com que o futebol se tornasse a felicidade do povo. Pobres e ricos param de pensar para se encantar com ele. E os grandes jogadores convertem-se numa espécie de irmãos da gente, que detestamos ou amamos na medida em que nos frustram ou nos proporcionam o prazer de um espetáculo de 90 minutos, prolongado indefinidamente nas conversas e mesmo na solidão da lembrança.

Mané Garrincha foi um desses ídolos providenciais com que o acaso veio ao encontro das massas populares e até dos figurões responsáveis periódicos pela sorte do Brasil, ofertando-lhes o jogador que contrariava todos os princípios sacramentais do jogo, e que no entanto alcançava os mais deliciosos resultados. Não seria mesmo uma indicação de que o país, despreparado para o destino glorioso que ambicionamos, também conseguiria vencer suas limitações e deficiências e chegar ao ponto de grandeza que nos daria individualmente o maior orgulho, pela extinção de antigos complexos nacionais? Interrogação que certamente não aflorava ao nível da consciência, mas que podia muito bem instalar-se no subterrâneo do espírito de cada patrício inquieto e insatisfeito consigo mesmo, e mais ainda com o geral da vida.

Garrincha, em sua irresponsabilidade amável, poderia, quem sabe?, fornecer-nos a chave de um segredo de que era possuidor e que ele mesmo não decifrava, inocente que era da origem do poder mágico de seus músculos e pés. Divertido, espontâneo, inconseqüente, com uma inocência que não excluía espertezas instintivas de Macunaíma — nenhum modelo seria mais adequado do que esse, para seduzir um povo que, olhando em redor, não encontrava os sérios heróis, os santos miraculosos de que necessita no dia-a-dia. A identificação da sociedade com ele fazia-se naturalmente. Garrincha não pedia nada a seus admiradores; não lhes exigia sacrifícios ou esforços mentais para admirá-lo e segui-lo, pois de resto não queria que ninguém o seguisse. Carregava nas costas um peso alegre, dispensando-nos de fazer o mesmo. Sua ambição ou projeto de vida (se é que, em matéria de Garrincha, se pode falar em projeto) consistia no papo de botequim, nos prazeres da cama, de que resultasse o prazer de novos filhos, no descompromisso, afinal, com os valores burgueses da vida.

Não sou dos que acusam dirigentes do esporte, clubes, autoridades civis e torcedores em geral, de ingratidão para com Garrincha. Na própria essência do futebol profissional se instalam a ingratidão e a injustiça. O jogador só vale enquanto joga, e se jogar o fino. Não lhe perdoam a hora sem inspiração, a traiçoeira indecisão de um segundo, a influência de problemas pessoais sobre o comportamento na partida. É pago para deslumbrar a arquibancada e a cadeira importante, para nos desanuviar a alma, para nos consolar dos nossos malogros, para encobrir as amarguras da Nação. Ele julga que entrou em campo a fim de defender o seu sustento, mas seu negócio principal será defender milhões de angustiados presentes e ausentes contra seus fantasmas particulares ou coletivos. Garrincha foi um entre muitos desses infelizes, dos quais só se salva um ou outro predestinado, de estrela na testa, como Pelé.

A simpatia nacional envolveu Mané em todos os lances de sua vida, por mais desajustada que fosse, e isso já é alguma coisa que nos livra de ter remorso pelo seu final triste. A criança grande que ele não deixou de ser foi vitimada pelo germe de autodestruição que trazia consigo: faltavam-lhe defesas psicológicas que acudissem ao apelo de amigos e fãs. Garrincha, o encantador, era folha ao vento. Resta a maravilhosa lembrança de suas incríveis habilidades, que farão sempre sorrir a quem as recordar. Basta ver um filme dos jogos que ele disputou: sente-se logo como o corpo humano pode ser instrumento das mais graciosas criações no espaço, rápidas como o relâmpago e duradouras na memória. Quem viu Garrincha atuar não pode levar a sério teorias científicas que prevêem a parábola inevitável de uma bola e asseguram a vitória — que não acontece.

Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.


sábado, 23 de outubro de 2010

Ausência do maestro

Estava lendo agora que o técnico do Santos acha que com seis vitórias, nos oito jogos restantes, o time será campeão brasileiro pela nona vez. Bom, não é fácil ganhar 6 dos oito jogos finais, muitos deles contra times ameaçados pelo rebaixamento. É preciso combinar com os adversários, heheh.

De todo modo, seria um título surpreendente. O Santos já ganhou tudo esse ano, conforme previ em janeiro, hehe, e teve atuações memoráveis. Fez mais gols que o esquadrão de 2004 e até mais do que em alguns anos da Era Pelé. Até por já ter feito tanto, e por estar se preparando para a Libertadores em 2011, pensei que fôssemos ficar num chove não molha de 5o a 10o lugar. Mais importante, perdemos Ganso, nosso maestro, faz uns dois meses numa jogada boba contra a freguesia gremista.

Ganso joga o fino da bola. Estilo clássico, cadenciado. Muito habilidoso, canhotinha genial. É um cara tranquilo, legal. Até no momento de sua contusão, para quem quiser rever, verá que ele se contunde, arrebenta o joelho, com muita serenidade. Pois bem, ele tá fazendo falta. Para todos que gostam do bom futebol, da arte. Para os santistas, principalmente. A seguir uma seleção de lances do maestro. E vamos ver se o Peixe leva mais esse título.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Fim da corneta

Bom, chega de cornetar no blog, já reclamei demais, vamos mostrar coisas legais, talvez uma cara de cansaço de fim de expediente, mas aquele cansaço bom de missão cumprida, de força para os dias seguintes, algum otimismo, bola pra frente, todo dia um pouco como Didi na final de 58, busca a bola lá dentro e caminhe lentamente, passe confiança, acredite...

mas não consigo dar o glorioso upload na foto... lamento, é uma foto tirada hoje na saída do trabalho: a estética é mais ou menos, a luz tá ruim, o enquadramento tá errado, mas o momento foi captado, depois tento colocá-la aqui

agora sim... e o blog sai de férias, já de cabelo cortado, retorno em meados de agosto

sábado, 3 de julho de 2010

Derrotas

Derrota da seleção na Copa é sempre algo marcante. A gente se lembra de onde estava, como, com quem, dos lances, do sentimento. É um fato histórico. Para o país, para nossas vidas.

Esse é um vídeo bem legal. Gols e mais gols de Romário pela seleção brasileira. Grande craque, grande artilheiro, genioso, figura, Romário deu muitas alegrias para o povo brasileiro.

domingo, 27 de junho de 2010

Dunga em dias de fúria

Pra quem está acompanhando a seleção, assista a esses vídeos e gargalhe à vontade, excepcionais.



terça-feira, 22 de junho de 2010

Umbabarauma Homem Gol

Em homenagem ao Luis Fabiano, nosso homem gol, Umbabarauma dos gramados africanos, herdeiro de Vava, Tostão, Dada, Chulapa, Careca, Bebeto, Romário, Ronaldo e Paulinho Mclaren. Jorge Ben e Mano Brown juntos e a lembrança da canela do Chulapa na final de 1984.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Copa na China

Fazendo a cabeça em Pequim. Pois é.

É Verão. Copa. Brasileirada se junta. Já viu...



O narrador em chinês da CCTV, a TV oficial da China, é péssimo. Sem emoção. Já aconteceu de sair gol e eu estar distraído e não perceber.

A China tem aspectos engraçados. Parece que na Copa de 2006 o antigo narrador surtou num gol da Itália e aí foi demitido. Então contrataram esse cara. Que é um saco, parece ele também é criticado por toda a China, em sites e blogs. O Galvão Bueno local, só que por outros motivos.

Aprendi a falar chutou. Pois é, o narrador lerdão de repente dá um grito: TÁMEN! Isso quer dizer chutou. Sempre que ouço o tal da Támen presto atenção.

A China é engraçada. Saiu um editorial sobre a Copa no China Daily, jornal oficial em inglês, na semana passada, esculhambando o novo Presidente da Federação Chinesa de Futebol, que assumiu o cargo faz poucos meses. O anterior caiu porque estava envolvido em apostas e manipulação de resultados. E a seleção não foi pra Copa.

Pois bem, ao novo Presidente era recomendada atenção. Não deveria ficar na balada na África do Sul, mas sim aprendendo a trabalhar para levar o time à Copa 2014. Observar os adversários Japão, Coréia do Sul e Coréia do Norte. Limpar o futebol de apostas e corrupção. E, vejam só, tinha que tirar os jogadores da esbórnia com mulheres e jogatinas em que viviam. Segundo o editorial, os jogadores chineses não valeriam nada. Os compararam aos norte-coreanos, que "bravamente haviam resistido ao poderoso Brasil".

A China tem umas coisas muito legais. Pitorescas. É engraçada, às vezes incompreensível. Caricatural, mas misteriosa em seus ritos. Já estou habituado ao fato de estar perdido.

Estou certo de que sediará uma Copa em breve, talvez em 2022. Assim ao menos já garantem a classificação. Eles gostam muito de futebol. Por tabela, do Brasil. Lóbinho, amigo, aqui se fala Lóbinho...

Problemas com o acesso

Estava com problemas para acessar o blog. É preciso ter um programinha esperto, pois a internet na China sofre com algumas dificuldades. Agora espero ter resolvido.

Muita coisa para comentar: viagem a Harbin, os falcões do déficit em ação, Marina Silva, rolês de bicicleta em Pequim, vídeos com sons legais, a Copa.

A ver se retomo as postagens. A seleção ontem foi muito bem, gostei bastante. Time raçudo, concentrado, tocando a bola, se movimentando. O ataque está muito bom. Luis Fabiano foi sensacional. Fez um gol histórico, golaço, honrou a mística da camisa 9, o artilheiro, matador, não perdoou. Kaka mostrou lampejos de seu futebol, melhorou. Robinho segue muito bem, tá faltando o gol do Pelezinho.

O jogo foi 2 e meia da manhã aqui, 2a feira, um saco, sem condições de festa. Mas o próximo é 6a feira 10 da noite. Aí sim.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Em breve...

Transmitindo de Xangai, o blog anuncia mais uma edição do sensacional Brazil Culture Day in Beijing

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Psicologia do futebol

Gosto dos textos do Xico Sá. Na Folha de hoje.

XICO SÁ

Dr. Freud Futebol Clube

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São Paulo e Grêmio exibiram como o inconsciente das equipes pode agir para o bem ou para o mal nos gramados --------------------------------------------------------------------------------

AMIGO TORCEDOR , amigo secador, uma das coisas mais belas e clicherosas do futebol é que os times agem como se pessoas fossem altamente impressionáveis pelo que dizem deles, por suas caricaturas ou imagens públicas. Diria até, se os freudianos mais chatos me permitem um trago do vosso cachimbo, que o jogo é jogado mais com o inconsciente das equipes do que com os esquemas táticos e com os pés.
Repare no São Paulo. Fez um Paulistinha medíocre, começou engatinhando como uma débil criança na Libertadores da América, aí, do nada, veio o estalo, epa, e o tricolor derruba o favorito Cruzeiro. Sem querer tirar mérito profissional de ninguém, mas aí agiu o inconsciente são-paulino como esquadrão vencedor-mor desta copa cucaracha.
Tudo bem, o amigo pode dizer que o Fernandão é um gênio, um craque -só Fernandão salva!-, e sozinho arrumou um bando desconjuntado que não vinha bem das pernas. É a tese óbvia dos cavalheiros das mesas-redondas. Faz um pequeno sentido, mas não explica. O SPFC renasceu e recobrou o inconsciente de vencedor latino-americano na hora de um grande aperto, como nós, homens de todos os quilates.
Foi no triunfo dos pênaltis, em que Rogério Ceni dialogou com a tragédia e a glória nas cobranças, que o tricampeão sentiu que podia de novo, de novo e de novo, pedir o bis. A torcida sofreu e voltou para a vida junto, inconsciente coletivo no grau último, mr. Jung.
O inconsciente, amigo, insisto qual um mala de balcão de boteco, nos faz dizer ou fazer coisas sobre as quais não temos o total controle, porém são coisas que estavam ali guardadas, quicando na marca do pênalti do nosso cocoruto, pedindo "me chuta, me chuta". Para o bem ou para o mal, me chuta, desgraçado.
Repare, amigo, no que aconteceu ao Grêmio. Nem vou falar hoje do Santos, minhas retinas estão fatigadas de tanta beleza e videoteipe. O time gaúcho, sob o comando do Silas, jogou bonito e para cima, moçada, no primeiro tempo da batalha decisiva na Vila Belmiro. Era o Grêmio do técnico, não era o clube e o seu repertório da força bruta de quem peleia cegamente.
Aí veio o segundo tempo. O honrado tricolor do alegre porto caiu no conto inconsciente da braveza, rebateu bolas para as margens do Guaíba, sentou a pua nos meninos, acreditou na lenda que se esconde sob a falsa premissa de que "futebol arte é coisa de viado", como diz meu amigo Eduardo Bueno, o Peninha, no começo do livro sobre o Grêmio (coleção Camisa 13, ed. Ediouro).
Era o inconsciente gremista sabotando a Copa do Brasil, ao contrário do que desejava o bom Silas, como nós, pobres guiados pela mesma doideira latente no juízo, sabotamos amor, trabalho, amizade, histórias.
O Santos levar aquele golzinho também diz tudo. Dracena e Durval, caubóis envelhecidos nos barris de tantos faroestes, jogaram bem, incríveis. Quem pode, porém, com a mística de que o Peixe é um time que, na história, sempre fez muitos gols, mas inevitavelmente leva?
É a cabeça, irmão, é a cabeça irmão, como cantava o Silvio Brito.
Seja isolada ou coletiva, é a cabeça, irmão, é a cabeça, irmão, quem manda no jogo da vida.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Ganso herói do título

Jogou muita bola. Quanta elegância, quanta categoria. Teve personalidade. Atitude. Brilhou no drama santista da madrugada de Pequim. Se o futebol é mesmo um imenso teatro, Ganso assumiu com maestria o papel de ator principal.

domingo, 2 de maio de 2010

90 minutos

não resisto... o detalhe é que o jogo é às 3 da manhã no horário daqui. Isso tem prejudicado minhas 2as, mas amanhã é feriado aqui, tranquilo.

Alegria do Povo

domingo, 25 de abril de 2010

Sinais particulares


Prometi no começo do ano não ficar aqui falando muito de futebol, pois tava pintando um timaço do Santos que me obrigaria a falar e falar e exaltar longamente a arte que a Vila Belmiro cria de tempos em tempos. Pois bem, tenho cumprido a promessa. Hoje estamos na final, então não resisto e coloco essa charge legal que saiu no Estadão. Para quem não entendeu, a cabeça dura ali é a do Dunga. E espero em breve postar uma novidade santástica a respeito do futebol na China.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Esclarecimentos, comentários, reflexões

Aos sobreviventes do blog,

Estou em processo de mudança. Pequim é bem longe. Maior trabalheira. Trampo. Correria. Lógico que deixei tudo para a última hora. Mas vai rolar, tá indo. As despedidas têm sido maravilhosas. Talvez um dos melhores períodos da minha vida. Nessas, o que já ia atrasar ficou ainda mais atrasado. Correria. Trampo. Por isso o blog tem descansado um pouco.

Aliás, Memórias, Sonhos e Reflexões não é um livro do Jung. É sua autobiografia. São portas que tenho aberto em minha vida. Caminhos. Um dia vou ler.

Comprometo-me a não ficar falando muito do Santos em 2010, senão vai monopolizar o blog. Esse ano vai ser brincadeira. O SP, time montado e experiente, já foi vencido com certa facilidade. E que golaços. E eu lá, em Barueri, feliz... Ganso, Robinho e Neymar são um espetáculo. O melhor ataque do mundo, eu arriscaria. Acorda, Dunga, junta eles com o Elano e levamos a Copa com goleada em cima de goleada.

Para não dizer que não falei das flores, seguem dois posts do nosso amigo Alon sobre o Fla-Flu Lula-FHC. Antes, não posso deixar dizer que considero positiva a candidatura do Ciro, para além da Marina. É importante ampliarmos o debate, novas perspectivas, posicionamentos, questionamentos. Ciro tem estofo, tem idéias, está preocupado com a governabilidade do pós-Lula. Aliás, na Revista Interesse Nacional, em mais uma boa edição, Zé Dirceu combate a idéia de que poderia haver uma convergência PT-PSDB. Não concordo com ele, embora ele tenha seus pontos. Enfim...

do blog do Alon

Demonização em excesso (10/02)
O político pode dar-se ao luxo inclusive de arrepender-se. Desde, é claro, que o arrependimento não implique abrir mão do que conquistou com os meios dos quais agora se arrepende


Um lance arriscado na política é pintar o adversário como algo mais defeituoso do que é. Não há artilharia de marketing que dispense, alguma hora, o uso da infantaria da informação, dos argumentos. Por isso, a longa e maciça campanha do PT para carimbar o governo Fernando Henrique Cardoso como um desastre deverá em certo momento voltar-se contra o criador.

FHC fez um governo com erros e acertos. Talvez mais acertos do que erros. Luiz Inácio Lula da Silva faz um governo melhor que o do antecessor, mas as comparações objetivas não são assim tão contrastantes, tão revolucionárias. O tucano fez privatizações bem criticáveis, como a da Vale, mas o PT no poder não reestatizou a empresa. Nem a candidata do PT diz que vai fazer isso.

A verdade é que o Brasil vem progredindo por etapas, mais rápido ou mais devagar, em especial desde a Revolução de 1930. A obra de cada presidente ergue-se sobre a herança dos anteriores. Depois de Getúlio Vargas é complicado dizer que algum tenha promovido rupturas. Talvez esse gradualismo tenha a ver com o desejo de não terem o destino do gaúcho.

Um americano, Seth Godin, relançou ano passado seu livro "All the Marketers are Liars" para reafirmar que, na opinião dele, todos os marqueteiros são mentirosos. E que o melhor marketing é a autenticidade. O exemplo recente seria Barack Obama (isso digo eu). É o político mais autêntico e transparente disponível, entre os planetariamente conhecidos.

Deu certo na campanha presidencial nos Estados Unidos, mas ainda está por dar certo no governo. A oposição republicana parece discordar radicalmente de Godin. Não propriamente no título do livro, mas na conclusão.

O PT também foi a seu tempo vítima do catastrofismo e da deturpação. Hoje recolhe os frutos de terem falhado os profetas do apocalipse. Diziam tantas barbaridades do que seria um eventual governo federal do PT que quando ele chegou ao poder a surpresa acabou sendo positiva. Aconteceu em 2003, mas teria acontecido antes, caso Lula tivesse subido antes a rampa do Planalto. A regra nos governos locais do PT pré-2002 sempre foi responsabilidade fiscal, gestão equilibrada da máquina pública e foco em benefícios estatais para os pobres. Como é agora em Brasília.

Em São Paulo, aliás, a administração Luiza Erundina (1989-92) acabou sendo tão austera que ela nunca mais conseguiu se eleger para um cargo executivo. Não foi só isso, mas teve a ver.

Prestar atenção excessiva ao que os políticos dizem em público uns dos outros é desperdício de tempo e energia. Nesse campo eles dão razão a Godin, pois mentem de modo compulsivo. O cálculo é simples: quanto mais o sujeito puder atrasar a consciência sobre a realidade dos fatos, melhor.

Se tiver sorte, na hora em que a ficha coletiva cair ele já estará sentado na ambicionada cadeira, e daí passará a administrar em posição de força o fato de ter mistificado no passado. Em geral não é tão difícil assim, pois o público quase tudo perdoa, se as coisas estiverem dando certo.

O político poderá dar-se ao luxo inclusive de arrepender-se . Desde, é claro, que o arrependimento não implique abrir mão do que conquistou com os meios dos quais agora se arrepende.

Por que FHC decidiu escrever o artigo do fim de semana em que se diz disponível para comparações entre o governo dele e o de Lula? Só ele poderá esclarecer. De qualquer modo, por mais desvantagem que o tucano leve, os números serão incapazes de chancelar a demonização promovida pelo PT e pelo governo ao longo destes sete anos. Assim, quando alguma racionalidade acabar introduzida no debate, é possível que FHC e o PSDB colham dividendos político-eleitorais.

A tática do PT é cartesiana. Como os números de Lula são melhores que os de FHC, não vale a pena promover uma volta ao passado. Simples de comunicar, mas não impossível de desconstruir. José Serra não é um fantoche de FHC, assim como Dilma está a anos-luz de ser um marionete de Lula.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta quarta (10) no Correio Braziliense.


Marina

É bom ficar de olho em Marina Silva. Seu programa de televisão quinta-feira foi muito bom. Obedeceu a um mandamento vital: autenticidade. Políticos falando no horário eleitoral (ou partidário) dão sempre a ideia de estarem lendo um texto escrito por outros. Parecem fantoches. Marina não. Ela consegue evitar o incômodo (para o telespectador).

Na era da informação abundante e disseminada, a tendência é o marketing eleitoral ser substituído pelo jornalismo. Tem que ter a musiquinha, a lagriminha, mas o central é conhecer o candidato em situação verídica. Olho no olho. É por sinal um combustível de Lula. Você pode concordar ou discordar, mas ele dá a impressão de acreditar no que diz. Mesmo quando diz uma coisa hoje e outra diferente amanhã.

E tem a questão técnica. Se o público estivesse só atrás de apuro técnico, a TV aberta não estaria tendo que trazer o YouTube para a programação. O público quer menos burilação e mais conteúdo.



Quem fez um comentário no post sobre nosso mestre Fellini poderia se identificar. Corro o risco de perder uma amizade, um amor antigo, uma pequena paixão perdida no tempo. Mande um email no antonio.freitas05@gmail.com. 09 de fevereiro. A franqueza é sempre o melhor caminho. Não me lembro, je suis desolé.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Presidente Lula é a primeira vítima de Robinho

Histórias do Futebol Brasileiro

Sensacionais vídeos com imagens de Santos 3 x 2 Corinthians, de virada, na Vila Belmiro em 1948. No primeiro deles, vemos os torcedores chegando ao estádio, os bondes, o entorno antigo da Vila mais famosa.

Não há áudio da partida. No entanto, sábios tiveram a idéia de mesclar narrações históricas de Pelé contando sobre seu começo no futebol, discutindo a derrota de 66, alguns gols históricos de Pelé em diferentes épocas e, por fim, a narração dos gols da final da Copa de 1958.

Jóia.





Chuva de gols em 2010

Neymar jogando o fino da bola. Paulo Henrique Ganso é um craque, passeia em campo, joga com calma. Alan Patrick é muito habilidoso, rápido e bate na bola com categoria.

E Robinho, o Messias, retorna. Para a casa onde ele brilha e para garantir a vaga de titular na seleção.

Todos jogando alguns minutos com Giovanni, Léo, outros moleques, boas contratações como o Marquinhos. E jogadores para a reserva.

A torcida santista começa 2010 muito empolgada. Certamente será um ano de muitos gols, goleadas, jogadas rápidas, dribles desconcertantes, tabelinhas, etc... Se vamos levar algum título, aí não posso dizer.