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segunda-feira, 17 de setembro de 2012
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Privilégio
Privilégio.
A selva de são paulo, a selva invisível de Pequim.
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terça-feira, 28 de setembro de 2010
Incêndios
Tanta coisa interessante para comentar. Tantos perigos no mar revolto da política internacional. Tantas decepções no campo das finanças internacionais. Tantas músicas, tantas pessoas, tantas viagens, tantas tantas que só quem não vive não se espanta!
Descobri que o blog antecipa tendências, hehe. A oposição, em vias de ser derrotada, anuncia perigos para a democracia. Já falei sobre isso lá atrás, no ano passado. Há outros posts também. Mas deixa pra lá. Escreverei sobre isso e outras coisas após o resultado final.
Queria comentar mesmo sobre o incêndio na Favela do Real Parque (Jardim Panorama). Mais um incêndio numa favela em SP. Quantos foram nos últimos 12 meses mesmo? Vários, inúmeros. E como anda o Plano Diretor de SP? A Barra Funda? As marginais? A expansão do mercado imobiliário que banca as campanhas de setores da política paulista?
Tudo muito estranho.
Vocês já ouviram falar do Parque Cidade Jardim? Misto de condomínio residencial, clube e shopping center. Você faz tudo sem sair de dentro dos muros de seu paraíso. Só convive com os de sua classe. Além dos empregados, evidentemente. Segurança informatizada, câmeras, agentes de vigilância bem pagos. Uma ilha de riqueza e segurança. Privacidade, privada, privação. Do convívio com o outro.
A arquitetura da segregação. Na sua essência, a anti-democracia. O fechamento do espaço público.
Pois bem, o Parque Cidade Jardim é vizinho da Favela Real Parque. Já havia postado aqui sobre o Na Real do Real, vídeo dos moradores da favela. Agora posto outro, quando os moradores de lá foram protestar durante o evento de inauguração do Parque Cidade Jardim. Isso foi em 2007, creio.
Show de Caetano, estampa fina para os convidados. O Parque Cidade Jardim. De frente para o Rio Pinheiros. Rio sujo e sem vida. Do outro lado das torres das corporações globais. Espremendo as favelas. Muros, seguranças. Um burgo, tal qual na Idade Média. A arquitetura da segregação.
Eu adoro Caetano. Independente de suas opiniões políticas. Não vamos misturar arte com política. Às vezes pode ser, mas com moderação. Senão fica tudo muito chato, muito radicalizado. A força da grana que ergue e destrói coisas belas.
Fiquemos com o vídeo.
Mas antes, irresistível finalizar: os que hoje clamam por democracia são os que desejam derrubá-la. Foi assim com Vargas. Foi assim em 1964. É assim também, de forma caricata e tosca, que se apresentam nossas vestais do Século XXI. Mas vejam só o povo, esse tal de povo, esses que não conhecem sua própria ignorância, que não conhecem seu lugar, que não se colocam em seu lugar, vejam só, o povo está aprendendo a se manifestar. E parece dispensar interpretações.
E como são numerosos! E como incomodam! E como é perigosa essa democracia! Fogo!
(i) em decorrência da manifestação, foi permitida a uma menina, a que sai chorando ao final do vídeo, a leitura de um manifesto aos brancos de olhos azuis (metáfora) que se deliciavam em seu showzinho privê, num espaço privê, com tudo de graça. uma garrafa servida naquela noite valia mais do que o bolsa família de uma mãe carente. muito ainda se escreverá da psicologia, da sociologia, da falta de filosofia de certo pensamento entranhado em parcela das elites paulistanas na alvorada do século XXI... a arquitetura da segregação é apenas uma forma de manifestação dessa distorção terrível
(ii) às vezes sinto-me um exilado, mas creio que todo exilado carrega em si a vontade de retorno ao meio em que se formou, seja para acomodar-se no aconchego familiar, seja para transformá-lo com base em sua própria evolução. cresci ao lado da Favela do Real Parque e no seio da mentalidade do Parque Cidade Jardim
Descobri que o blog antecipa tendências, hehe. A oposição, em vias de ser derrotada, anuncia perigos para a democracia. Já falei sobre isso lá atrás, no ano passado. Há outros posts também. Mas deixa pra lá. Escreverei sobre isso e outras coisas após o resultado final.
Queria comentar mesmo sobre o incêndio na Favela do Real Parque (Jardim Panorama). Mais um incêndio numa favela em SP. Quantos foram nos últimos 12 meses mesmo? Vários, inúmeros. E como anda o Plano Diretor de SP? A Barra Funda? As marginais? A expansão do mercado imobiliário que banca as campanhas de setores da política paulista?
Tudo muito estranho.
Vocês já ouviram falar do Parque Cidade Jardim? Misto de condomínio residencial, clube e shopping center. Você faz tudo sem sair de dentro dos muros de seu paraíso. Só convive com os de sua classe. Além dos empregados, evidentemente. Segurança informatizada, câmeras, agentes de vigilância bem pagos. Uma ilha de riqueza e segurança. Privacidade, privada, privação. Do convívio com o outro.
A arquitetura da segregação. Na sua essência, a anti-democracia. O fechamento do espaço público.
Pois bem, o Parque Cidade Jardim é vizinho da Favela Real Parque. Já havia postado aqui sobre o Na Real do Real, vídeo dos moradores da favela. Agora posto outro, quando os moradores de lá foram protestar durante o evento de inauguração do Parque Cidade Jardim. Isso foi em 2007, creio.
Show de Caetano, estampa fina para os convidados. O Parque Cidade Jardim. De frente para o Rio Pinheiros. Rio sujo e sem vida. Do outro lado das torres das corporações globais. Espremendo as favelas. Muros, seguranças. Um burgo, tal qual na Idade Média. A arquitetura da segregação.
Eu adoro Caetano. Independente de suas opiniões políticas. Não vamos misturar arte com política. Às vezes pode ser, mas com moderação. Senão fica tudo muito chato, muito radicalizado. A força da grana que ergue e destrói coisas belas.
Fiquemos com o vídeo.
Mas antes, irresistível finalizar: os que hoje clamam por democracia são os que desejam derrubá-la. Foi assim com Vargas. Foi assim em 1964. É assim também, de forma caricata e tosca, que se apresentam nossas vestais do Século XXI. Mas vejam só o povo, esse tal de povo, esses que não conhecem sua própria ignorância, que não conhecem seu lugar, que não se colocam em seu lugar, vejam só, o povo está aprendendo a se manifestar. E parece dispensar interpretações.
E como são numerosos! E como incomodam! E como é perigosa essa democracia! Fogo!
(i) em decorrência da manifestação, foi permitida a uma menina, a que sai chorando ao final do vídeo, a leitura de um manifesto aos brancos de olhos azuis (metáfora) que se deliciavam em seu showzinho privê, num espaço privê, com tudo de graça. uma garrafa servida naquela noite valia mais do que o bolsa família de uma mãe carente. muito ainda se escreverá da psicologia, da sociologia, da falta de filosofia de certo pensamento entranhado em parcela das elites paulistanas na alvorada do século XXI... a arquitetura da segregação é apenas uma forma de manifestação dessa distorção terrível
(ii) às vezes sinto-me um exilado, mas creio que todo exilado carrega em si a vontade de retorno ao meio em que se formou, seja para acomodar-se no aconchego familiar, seja para transformá-lo com base em sua própria evolução. cresci ao lado da Favela do Real Parque e no seio da mentalidade do Parque Cidade Jardim
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Os donos da rua
Os donos da rua, São Paulo Babilônia Selva, belo dia de sol, grafites, office-boys, carros, ônibus e motoboys, grafites para todo o lado, mensagens, "eu quero respirar", as moças nos jardins, os PMs, taxistas, moradores de rua, o cinza dos prédios e as cores dos grafites, arte nas ruas, pintura, Avenida Paulista, Pacaembu, Museu do Futebol, recomendo o Museu, muito legal, maior astral a molecada, poderia ter ficado umas 3 horas por lá. Aliás, da última vez que vim fui visitar o Museu Afro-Brasileiro no Parque do Ibirapuera, exposições fantásticas, fotos sensacionais, grande, imponente, em meio ao parque, fica a dica.
São Paulo Babilônia Selva, os Racionais comandam, mas há também o rock, o punk, o samba, a mpb e tudo o mais que puderem imaginar. Alô Vida Madaloka, à noite nos vemos. Faz sol, muito sol, tudo gira, tudo corre, os Racionais comandam.
Procure a sua fórmula mágica da paz. Eu vou atrás da minha.
São Paulo Babilônia Selva, os Racionais comandam, mas há também o rock, o punk, o samba, a mpb e tudo o mais que puderem imaginar. Alô Vida Madaloka, à noite nos vemos. Faz sol, muito sol, tudo gira, tudo corre, os Racionais comandam.
Procure a sua fórmula mágica da paz. Eu vou atrás da minha.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Arquitetura da Segregação
Na semana passada, mais incêndios em favelas paulistanas. O Kassab também anunciou a "remoção" de milhares de famílias das margens do córrego Águas Espraiadas. Pretende fazer nada mais nada menos que um túnel entre a saída da Berrini/Morumbi e a Imigrantes. Mais uma obra bilionária para automóveis, não para os seres humanos. Coisa leve, fácil, baratinha, para que os ricos possam chegar mais rapidamente à praia e, tá bom, que os caminhões desçam melhor para o porto de Santos.
Por cima do túnel, o projeto promete um parque e, segundo o plano de marketing, moradias razoavelmente populares. Sei, ãhãn, acredita nele, moradias populares. Justo Kassab e seus vereadores, amplamente financiados pelo setor imobiliário. Esse blog já vai direto ao ponto: é mais uma obra faraônica, enormes investimentos públicos, para privilégio dos automóveis e a viabilização da valorização imobiliária. Um túnel para a especulação. E os pobres favelados serão expulsos para recantos longínquos das zonas leste e sul. E a estória do parque é como o Setor Noroeste em Brasília (bairro sustentável): busca dar uma roupagem verde, "sustentável", para um empreendimento socialmente segregador, concentrador de renda e com parcos requisitos do que se pode entender como desenvolvimento urbano de qualidade.
A cidade que cresce e enriquece não é para eles, que estão lá longe, alagados nas marginais, na zona leste ou nas cidades satélite. São Paulo é a "cidade dos muros", conforme falou a maravilhosa Teresa Pires do Rio Caldeira. Uma cidade segregada, privatizada, com espaços públicos degradados. E tome obras para carros, especulação imobiliária, remoção de favelas, etc... E Brasília é a Ilha da Fantasia, uma distribuição espacial burocraticamente hierarquizada, distante, inalcançável. Aliás, deverei voltar a comentar em breve, mas apenas adianto que em Brasília explodem as contratações de empresas de segurança, vigilância privada, câmeras e luzes bem fortes. O pesadelo privatista ensaia novos avanços na capital do país.
A continuar...
PS: Abro aspas para recentes mudanças no Orçamento 2010 da Prefeitura de SP:
"Ultimo Segundo/Agência Estado
Câmara de São Paulo corta verba contra enchentes, e garante a da publicidade
Votado em segunda discussão menos de quatro horas após ser apresentado aos líderes de bancada, a terceira versão do Orçamento de São Paulo para 2010 veio com uma redução de R$ 70,4 milhões na verba destinada à canalização de córregos, de R$ 30 milhões na coleta de lixo e de R$ 1 milhão para obras em áreas de risco.
O corte de R$ 1 bilhão feito de última hora pelo relator Milton Leite (DEM), contudo, não afetou os R$ 126 milhões reservados para a publicidade oficial da gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e a verba recorde da própria Câmara, fixada em R$ 399 milhões, um crescimento de 29% para o ano eleitoral, em relação aos recursos gastos deste ano (R$ 310,3 milhões)."
Por cima do túnel, o projeto promete um parque e, segundo o plano de marketing, moradias razoavelmente populares. Sei, ãhãn, acredita nele, moradias populares. Justo Kassab e seus vereadores, amplamente financiados pelo setor imobiliário. Esse blog já vai direto ao ponto: é mais uma obra faraônica, enormes investimentos públicos, para privilégio dos automóveis e a viabilização da valorização imobiliária. Um túnel para a especulação. E os pobres favelados serão expulsos para recantos longínquos das zonas leste e sul. E a estória do parque é como o Setor Noroeste em Brasília (bairro sustentável): busca dar uma roupagem verde, "sustentável", para um empreendimento socialmente segregador, concentrador de renda e com parcos requisitos do que se pode entender como desenvolvimento urbano de qualidade.
A cidade que cresce e enriquece não é para eles, que estão lá longe, alagados nas marginais, na zona leste ou nas cidades satélite. São Paulo é a "cidade dos muros", conforme falou a maravilhosa Teresa Pires do Rio Caldeira. Uma cidade segregada, privatizada, com espaços públicos degradados. E tome obras para carros, especulação imobiliária, remoção de favelas, etc... E Brasília é a Ilha da Fantasia, uma distribuição espacial burocraticamente hierarquizada, distante, inalcançável. Aliás, deverei voltar a comentar em breve, mas apenas adianto que em Brasília explodem as contratações de empresas de segurança, vigilância privada, câmeras e luzes bem fortes. O pesadelo privatista ensaia novos avanços na capital do país.
A continuar...
PS: Abro aspas para recentes mudanças no Orçamento 2010 da Prefeitura de SP:
"Ultimo Segundo/Agência Estado
Câmara de São Paulo corta verba contra enchentes, e garante a da publicidade
Votado em segunda discussão menos de quatro horas após ser apresentado aos líderes de bancada, a terceira versão do Orçamento de São Paulo para 2010 veio com uma redução de R$ 70,4 milhões na verba destinada à canalização de córregos, de R$ 30 milhões na coleta de lixo e de R$ 1 milhão para obras em áreas de risco.
O corte de R$ 1 bilhão feito de última hora pelo relator Milton Leite (DEM), contudo, não afetou os R$ 126 milhões reservados para a publicidade oficial da gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e a verba recorde da própria Câmara, fixada em R$ 399 milhões, um crescimento de 29% para o ano eleitoral, em relação aos recursos gastos deste ano (R$ 310,3 milhões)."
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Piedade aos Miseráveis
Eu estou com asco da exploração do texto do Cesar Benjamin. É o esgoto jornalístico, a torpeza moral, pura canalhice.
Piedade a esses miseráveis de alma bem pequena.
Piedade a esses miseráveis de alma bem pequena.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Brasil século XXI
Hoje o Brasil está na capa do Economist. Decolando.
O Presidente de Israel está aqui. Daqui a pouco teremos a Autoridade Palestina. Na sequência, o Presidente do Irã. Uma trinca dessas, vejam só que trinca, atravessa continentes, mares e séculos para avistar-se com os conterrâneos dos trópicos por onde saltitou e brincou Macunaíma, nosso herói sem caráter. Golaço da diplomacia brasileira.
Alguns países e importantes figuras pedem ao Brasil que medie o bafafá entre Colômbia e Venezuela. Nesse meio tempo, teremos Cristina Kirchner aqui. No começo de dezembro, o Presidente Lula será recebido por Angela Merkel. E assim vai, num crescente...
É cada vez mais difícil para setores oposicionistas da grande imprensa taparem o sol com a peneira. Mas eles tentam e há gente que compra o que lê. Estão acostumados a desmerecer seu próprio país para melhor poderem pilhá-lo. Bom, esperar o que de quem jogou pesado para convencer a platéia de que o combate ao crime do colarinho branco é uma ameaça às liberdades e ao Estado de Direito. A ABIN não pode colaborar com a PF, vejam só, é ilegal, anulem todo o processo. Socorro, a República do Grampo, um Estado Totalitário.
E, bem, o rentismo resiste, clamam por uma alta na taxa de juros, querem mais bolhas e o câmbio valorizando. A arbitragem e a intermediação do capital externo são um dinheiro fácil, muito fácil. Uma das consequências, o déficit em conta corrente, que historicamente nos arrebentou, seria a contrapartida de nossa baixa poupança, o necessário complemento aos investimentos que tanto precisamos. Não há o que fazer, não faltará financiamento, nos dizem os arautos da "ciência" econômica e do discurso "técnico". Ficam aí esgrimindo identidades contábeis invertendo relações de causa e efeito. O câmbio, nessa fábula maravilhosa, é variável de ajuste para desequilíbrios mais fundamentais. Fingem ou talvez até acreditem que tais construções discursivas não representam interesses bem concretos. Não há o que fazer, segundo eles, desta vez é diferente. Como diria Kenneth Rogoff, um dos mestres de Harvard, sempre que alguém disser que "desta vez é diferente", não tenha dúvidas, estamos diante de uma bolha.
Os R$ 70 do Bolsa Família farão com que os pobres, esses vagabundos incompetentes que votam errado, se acomodem. E é uma irresponsabilidade aumentar o salário mínimo. As contas vão estourar. Mas espera aí, o mercado vê sinais de inflação em 2010 ou 2011. Há um perigo de descontrole, uma farra, um rombo. É melhor, por precaução, aumentarmos os juros pois os credores da dívida demandam um retorno maior diante de tantos riscos. É o mercado, não se pode enfrentar as forças do mercado, sempre haverá um jeito de burlar regras. As CC5, a lavagem de dinheiro, a evasão fiscal, o planejamento tributário. Os fundos offshore com isenção de impostos. O mar do Caribe, o guarda-chuva da família real em Jersey, a pompa e a circunstância de nossos fleumáticos suíços e seus vizinhos de Luxemburgo.
Se a Dilma ganhar, a democracia estará ameaçada. Profundo. Mas, enfim... Brasil século XXI. A luta continua. E o Brasil seguirá democrático com a vitória de A, B ou C.
Engraçado que finalmente hoje, quando o Economist, na sequência do Financial Times, o NYT, o Herald, bem, toda a imprensa internacional louva o Brasil, eu finalmente resolva postar o vídeo do Na Real do Real. Hoje, justo hoje que li Rodrik defendendo o IOF, mais um dos big shots do mainstream do debate da economia política toma posição em defesa da sinalização que o governo emitiu para os money managers. E após Taiwan ter também adotado precauções contra o afluxo das armas financeiras de destruição em massa, a enorme liquidez em busca de plataformas de valorização.
Favela do Real Parque, Morumbi, ao amanhecer. Em meio às mansões com segurança privada, cercas elétricas e circuitos internos de vigilância informatizados. De frente aos mais modernos prédios da Berrini, onde funcionam as subsidiárias nacionais de algumas das grandes corporações do capital cosmopolita. A modernidade, a tecnologia, uma ponte que brilha, brilha para a especulação. Dinheiro e poder. Poder e dinheiro. Segregação. A Justiça, a PM, às 6 da manhã. Perdoai os nossos erros, Ave Maria, cheia de graça, Olorum.
Ainda ficarei devendo comentários sobre tudo isso. Quem sabe em breve eu vá falar da maravilhosa Teresa Pires do Rio Caldeira. E do texto de Mariana Fix. E dos Conterrâneos Velhos de Guerra. O Setor Noroeste de Brasília. As cidades satélites e a ilha da fantasia, o Plano Piloto.
Brasil século XXI, contradições, desafios, oportunidades.
Amadurecimento.
Pensamento, voz, liberdade, Na Real do Real. A democratização dos meios de comunicação. Perdoai, Ave Maria
O Presidente de Israel está aqui. Daqui a pouco teremos a Autoridade Palestina. Na sequência, o Presidente do Irã. Uma trinca dessas, vejam só que trinca, atravessa continentes, mares e séculos para avistar-se com os conterrâneos dos trópicos por onde saltitou e brincou Macunaíma, nosso herói sem caráter. Golaço da diplomacia brasileira.
Alguns países e importantes figuras pedem ao Brasil que medie o bafafá entre Colômbia e Venezuela. Nesse meio tempo, teremos Cristina Kirchner aqui. No começo de dezembro, o Presidente Lula será recebido por Angela Merkel. E assim vai, num crescente...
É cada vez mais difícil para setores oposicionistas da grande imprensa taparem o sol com a peneira. Mas eles tentam e há gente que compra o que lê. Estão acostumados a desmerecer seu próprio país para melhor poderem pilhá-lo. Bom, esperar o que de quem jogou pesado para convencer a platéia de que o combate ao crime do colarinho branco é uma ameaça às liberdades e ao Estado de Direito. A ABIN não pode colaborar com a PF, vejam só, é ilegal, anulem todo o processo. Socorro, a República do Grampo, um Estado Totalitário.
E, bem, o rentismo resiste, clamam por uma alta na taxa de juros, querem mais bolhas e o câmbio valorizando. A arbitragem e a intermediação do capital externo são um dinheiro fácil, muito fácil. Uma das consequências, o déficit em conta corrente, que historicamente nos arrebentou, seria a contrapartida de nossa baixa poupança, o necessário complemento aos investimentos que tanto precisamos. Não há o que fazer, não faltará financiamento, nos dizem os arautos da "ciência" econômica e do discurso "técnico". Ficam aí esgrimindo identidades contábeis invertendo relações de causa e efeito. O câmbio, nessa fábula maravilhosa, é variável de ajuste para desequilíbrios mais fundamentais. Fingem ou talvez até acreditem que tais construções discursivas não representam interesses bem concretos. Não há o que fazer, segundo eles, desta vez é diferente. Como diria Kenneth Rogoff, um dos mestres de Harvard, sempre que alguém disser que "desta vez é diferente", não tenha dúvidas, estamos diante de uma bolha.
Os R$ 70 do Bolsa Família farão com que os pobres, esses vagabundos incompetentes que votam errado, se acomodem. E é uma irresponsabilidade aumentar o salário mínimo. As contas vão estourar. Mas espera aí, o mercado vê sinais de inflação em 2010 ou 2011. Há um perigo de descontrole, uma farra, um rombo. É melhor, por precaução, aumentarmos os juros pois os credores da dívida demandam um retorno maior diante de tantos riscos. É o mercado, não se pode enfrentar as forças do mercado, sempre haverá um jeito de burlar regras. As CC5, a lavagem de dinheiro, a evasão fiscal, o planejamento tributário. Os fundos offshore com isenção de impostos. O mar do Caribe, o guarda-chuva da família real em Jersey, a pompa e a circunstância de nossos fleumáticos suíços e seus vizinhos de Luxemburgo.
Se a Dilma ganhar, a democracia estará ameaçada. Profundo. Mas, enfim... Brasil século XXI. A luta continua. E o Brasil seguirá democrático com a vitória de A, B ou C.
Engraçado que finalmente hoje, quando o Economist, na sequência do Financial Times, o NYT, o Herald, bem, toda a imprensa internacional louva o Brasil, eu finalmente resolva postar o vídeo do Na Real do Real. Hoje, justo hoje que li Rodrik defendendo o IOF, mais um dos big shots do mainstream do debate da economia política toma posição em defesa da sinalização que o governo emitiu para os money managers. E após Taiwan ter também adotado precauções contra o afluxo das armas financeiras de destruição em massa, a enorme liquidez em busca de plataformas de valorização.
Favela do Real Parque, Morumbi, ao amanhecer. Em meio às mansões com segurança privada, cercas elétricas e circuitos internos de vigilância informatizados. De frente aos mais modernos prédios da Berrini, onde funcionam as subsidiárias nacionais de algumas das grandes corporações do capital cosmopolita. A modernidade, a tecnologia, uma ponte que brilha, brilha para a especulação. Dinheiro e poder. Poder e dinheiro. Segregação. A Justiça, a PM, às 6 da manhã. Perdoai os nossos erros, Ave Maria, cheia de graça, Olorum.
Ainda ficarei devendo comentários sobre tudo isso. Quem sabe em breve eu vá falar da maravilhosa Teresa Pires do Rio Caldeira. E do texto de Mariana Fix. E dos Conterrâneos Velhos de Guerra. O Setor Noroeste de Brasília. As cidades satélites e a ilha da fantasia, o Plano Piloto.
Brasil século XXI, contradições, desafios, oportunidades.
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
Fogo
Outro incêndio em uma favela paulistana. Desta vez, em Paraisópolis.
Espalhando-se no Morumbi, Paraisópolis não é uma favela qualquer.
Estou devendo textos sobre urbanismo. Em SP e em Brasilia. Ontem vi um espetáculo bem alternativo, bem legal, que me lembrou dessas coisas, curiosamente. No teatro da Funarte, no Eixo, debaixo do céu infinito do cerrado, estava um pouco frio, ventava lá fora. Os corpos desfilavam no palco e eu ficava ali parado, olhando, arregalando, e a mente fugia, eu pensava na solidão do cerrado, nos candangos conterrâneos velhos de guerra, no lago sul, no setor de mansões, no centro de erradicação de invasões ceilândia, na rodoviária, e aí virava a mente e parecia caminhar pelos corredores da Esplanada, entre ternos e saias e pastas, carimbos, memorandos, discursos, circulares, elevadores, placas oficiais, assessores, gravatas, apertos de mãos, cochichos, atas e subsídios.
JK, o Supremo, o Congresso, o Alvorada.
Riacho Fundo, Samambaia, Estrutural e Paranoá.
Paraisópolis. Morumbi.
Brasilia merece uma reflexão, il faut, é preciso, fundamental, tal qual Paraisópolis e o Morumbi. Quem sabe um dia nesse blog.
Pausa.
Espalhando-se no Morumbi, Paraisópolis não é uma favela qualquer.
Estou devendo textos sobre urbanismo. Em SP e em Brasilia. Ontem vi um espetáculo bem alternativo, bem legal, que me lembrou dessas coisas, curiosamente. No teatro da Funarte, no Eixo, debaixo do céu infinito do cerrado, estava um pouco frio, ventava lá fora. Os corpos desfilavam no palco e eu ficava ali parado, olhando, arregalando, e a mente fugia, eu pensava na solidão do cerrado, nos candangos conterrâneos velhos de guerra, no lago sul, no setor de mansões, no centro de erradicação de invasões ceilândia, na rodoviária, e aí virava a mente e parecia caminhar pelos corredores da Esplanada, entre ternos e saias e pastas, carimbos, memorandos, discursos, circulares, elevadores, placas oficiais, assessores, gravatas, apertos de mãos, cochichos, atas e subsídios.
JK, o Supremo, o Congresso, o Alvorada.
Riacho Fundo, Samambaia, Estrutural e Paranoá.
Paraisópolis. Morumbi.
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Perguntar não ofende
São Paulo está em guerra civil?
A queda nas estatísticas de homicídios deve-se a mais prisões e presídios ou ao fato do PCC ter se estabelecido como poder paralelo e ter criado seus próprios tribunais? Ou seria fruto da melhora econômica e de programas sociais públicos e de ONGs na periferia?
A queda nas estatísticas de homicídios deve-se a mais prisões e presídios ou ao fato do PCC ter se estabelecido como poder paralelo e ter criado seus próprios tribunais? Ou seria fruto da melhora econômica e de programas sociais públicos e de ONGs na periferia?
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