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domingo, 2 de outubro de 2011

Notícias da crise (o retorno dos que nunca foram)

Notícias da crise. Mas não, não pretendo comentar sobre o cenário internacional. Domingo pela manhã em Pequim, dia de sol e céu azul, embora esteja esfriando. Ontem tivemos o 62o aniversário da Revolução na China, muy bien, molto benne, hen hao. O Partido desfila soberano, envelhecido mas muito forte, cheio de si.

Pois então. Hoje acordei cedo, de boa, me sentindo bem. É feriadão essa semana, mas precisarei trabalhar um pouco, escrever algumas coisas, ler diversos textos, arrumar minha mesa que é uma zona indescritível. Mais visitas chegam hoje aqui em casa. Um casal. Visitas têm se sucedido. É bom receber gente e é bom saber que todos saem muito felizes de Pequim.

Bom, domingão pela manhã, já estourei os neurônios e estou a fim de falar sobre nosso amado Brasil. Em particular, sobre o que vem se revelando uma gradual reorientação da política econômica conduzida pela Presidenta Dilma Rousseff. O timing da mudança, a forma de implementação, as previsíveis críticas que têm sofrido, os reais riscos que corre, divagar um pouco sem maiores compromissos.

Abre parêntese. Tenho acompanhado muito mais de perto, por óbvias razões, a economia e a política chinesa. As coisas aqui têm atingido um estágio realmente fascinante. A proximidade da sucessão política chinesa em 2012-2013 e os desafios e riscos do atual modelo de crescimento econômico chinês entrelaçam-se num jogo nebuloso, muito rico, rivalidades entre grupos de interesse e facções, disputas ideológicas de uma sociedade que se transforma em todos sentidos, mas mantém rigidez em seus processos políticos.

Porém, é preciso ressaltar: é mais do que uma transição política, é uma transição entre gerações. A 5a geração, representada por Xi Jinping, Li Keqiang, Wang Qishan, Bo Xilai e outros, tem formação mais heterogênea (direito, economia, ciência política; a 4a foi dominada por engenheiros). São mais jovens, porém ainda contam com a experiência da Revolução Cultural (a 6a geração será a primeira sem nenhum contato mais próximo com aqueles anos). Serão os primeiros não diretamente bancados por figuras do porte de Mao ou Deng, mas sim resultado de uma burocracia poderosa e razoavelmente bem institucionalizada. Terão responsabilidades fantásticas que valeriam um ou cinco ou centenas de textos.

A cerâmica chinesa, cujos traços apenas pincelei acima, se torna caledoscopial quando colocada na moldura mais geral de recursos naturais cada vez mais escassos, uma economia global em crise, a falta de liderança e modelos e rumos nesse processo de rearranjo político internacional, as dificuldades do chamado mundo ocidental e a ascensão da Ásia. Um corpo desconhecido, um corpo em mudança, um gigante orgulhoso, se insere num meio internacional instável, ancorado em equilíbrios precários, cujas bases financeiras e ideológicas estão sob ceticismo crescente. Movimentos tectônicos na política internacional.

Devo citar, apesar dos pesares, que na região do leste e do sul da Ásia o xadrez político me assusta e acho tudo um saco. Todos estão se armando, rivalidades crescem, nervos se exaltam, andei lendo uns textos nas últimas semanas em parte da imprensa oficialista chinesa e me assustei. Eles são mesmo sensacionalistas, jogam para a torcida, mas assusta a naturalidade com a qual algumas coisas são abertamente discutidas. A despeito do aumento do comércio e dos investimentos regionais, e mesmo de sucessivas reuniões das lideranças locais, ocorrem lances de disputas de poder e revanchismo que só podem terminar mal, é tragédia anunciada...

Durante algumas oportunidades na minha vida tive a alegria de ouvir de algumas mulheres a doce expressâo "Me encanta...". Sob forma quase musical, hispanicamente entonada, me encanta, Antonio, doce e sorridente expressão. Pois bem, sobre o cenário de rivalidades asiáticas eu só posso dizer "Me espanta...", me espanta muito e quero estar longe daqui quando sobrevier alguma bobagem maior e o sangue começar a correr.

Mas, entretanto, porém, como disse, estou com vontade de falar sobre o Brasil. Estou gostando do primeiro ano de governo da PR Dilma. Ela tem demarcado grandes diferenças com relação ao Lula. Não apenas no estilo, o que sempre foi óbvio. Também programaticamente. Evidentemente, o cenário interno e externo é outro e isso força algumas mudanças. Falarei adiante.

Creio que as similitudes ficaram mais na necessidade de administração e aconchego da base governista e do PT, da relação com os outros Poderes, das disputas entre partidos e grupos que já se movimentam com vistas aos próximos anos. Mesmo nesse ponto há caminhos alternativos, como mostram as seguidas pontes que Dilma têm levantado com setores da oposição, particularmente com FHC. As elocubrações sobre reforma política e, em particular, do financiamento eleitoral. Na política externa, vejo ajustes de estilo, ajustes de foco, ajustes decorrentes de mudanças do jogo internacional, mas a orientação geral permanece e a qualidade da condução brasileira é inegável. Num mundo turbulento e perigoso, a voz brasileira é sempre um alento. Sensata, amigável e atenta para a desordem atual e os riscos que isso traz para o desenvolvimento nacional.

É no que chamei de programático, quero dizer, mais do que na gestão, na orientação geral de determinadas políticas, que desejo me alongar. Em particular, no que se pode começar a pensar em chamar de transição macroeconômica. Os juros foram baixados, contrariando as expectativas dos nossos amigos do mercado. A meia-dúzia de seis mil sobre o qual já comentei tanto aqui. Em geral excelentes profissionais, mas muitas vezes um tanto quanto descompromissados com a nação. Enfim, os juros baixaram e a gritaria foi grande. Hoje parece tudo mais tranquilo. Encaixaram.

Dilma é muito respeitada, vem ganhando uma espécie de autoridade diferente da de Lula. É inevitável voltar ao tema do estilo. Lula equilibrava, seu carisma construía diferentes discursos para diferentes multidões, confiança, apelo à emoção. Dilma organiza, avalia, opera à distância. Não sofre os tipos de ataques que Lula sofria (e sofre), muitos deles verdadeiramente vis. Afastou ministros sem conversa-mole. Não fica com papinho ao léu com quem não se tem o que conversar.

Lembro-me de um dos grampos da Satiagraha, creio, operação em que a Justiça em particular, mas o establishment político, econômico e midiático nacional em geral, acharam por bem silenciar. Lá pelas tantas, um dos grampeados, num daqueles diálogos bem republicanos compilados, referia-se à Dilma, então ainda Ministra. Após uma reunião na Casa Civil, os interlocutores teriam ficado impressionados com a esperteza dela, principalmente em descobrir onde estava "a sacanagem".

Pois é, Dilma parece que sabia onde estava a sacanagem, parece que sabe onde está a sacanagem. E ela não gosta muito de sacanagem. Embora algumas estejam fora de seu alcance, nossa Presidenta tem atuado bem no que lhe diz respeito mais diretamente. Ela passa uma imagem pública muito boa. O Brasil precisa de exemplos que venham de cima. Volto ao ponto do diálogo com FHC. Dilma institucionaliza o país, dá um sentido de continuidade maior do que o lulismo permite. Muito bem, Dilma. Ampliando o Brasil, não sem deixá-lo mais complexo, mas também fascinante.

Mas onde está a sacanagem, povo brasileiro? O famoso "Brasil, mostra a sua cara... quero ver quem paga..." Na apropriação de recursos públicos, apropriação de poder, por entes privados, por pequenos grupos, sob a capa do interesse mais geral ou mesmo sob o comodismo da inércia histórica. Não se trata apenas da licitaçãozinha, da propina do fiscal, essas denúncias da TV com câmeras escondidas. Nem também da Castelo de Areia, da Satigraha. É mais. Trata-se da definição de políticas, da atribuição de responsabilidades, da distribuição de perdas e ganhos, do modelo mais geral. Onde também, como no caso da licitação ou da propina, há corruptos e corruptores. Via de mão dupla, é sempre bom lembrar. Teremos um modelo que permita a progressiva incorporação dos setores mais desfavorecidos e a ampliação das liberdades positivas (o direito de criar, elaborar, escolher caminhos) ou será mantida apenas uma máquina de reprodução da riqueza e manutenção da ordem para setores minoritários? Vamos além na democratização da sociedade ou paramos na forma, no discurso e no ajuste fiscal?

Volto, retorno, retomo: entre muitos outros pontos que considero bem importantes, fico com um exemplo no qual Dilma sinalizou e paralelamente opera mudanças positivas, uma brisa de ar nas esperanças de avanços políticos e econômicos.

Trata-se do que alinhavei acima como transição macroeconômica: a queda nos juros, especialmente; a diminuição das despesas com juros permite a manutenção dos níveis da dívida pública em paralelo a aumento nas transferências de renda e esperados reforços à taxa de investimento; vocalização, e atuação aqui e ali, na proteção do mercado nacional e no suporte à indústria e às exportações; tem se discutido também novo código de mineração, imagino que o controle sobre a propriedade fundiária esteja sendo aperfeiçoado; enquanto isso, no Congresso, segue a discussão sobre os royaltes do petróleo. Em debate, parte do que se conhece como federação brasileira.

Vou ficar na queda dos juros, na queda-de-braço com os mercados, na esfera da alta finança, na especulação com ativos em moeda nacional para que se atinja o fim último de se converterem em riqueza universal (dólar). Taí um setor em que tem muita sacanagem. Altas doses de cinismo e hipocrisia. Um jogo pesado. Dilma operando bem nesse meio. Boa, Presidenta.

Porém, mais tarde. Dia de sol e céu azul em Pequim. Easy rider pelas ruas e vielas da capital do Império do Meio. Vida louca, vida breve. Ars longa, vita brevis, já escrevi isso aqui. A continuar...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Que beleza!

Aviso aos navegantes: o Ninho de Pássaro, aqui em Pequim, é hoje um enorme elefante branco. E lá vamos nós, rumo à Copa 2014... no DF, devemos somar ainda os gastos com o glorioso VLT, a reforma do estádio do Gama, a ampliação do aeroporto e também esse tal sistema de comunicações. Mas quem conhece as cidades satélites e quem acompanhou os recentes atos da política distrital sabe que não há outras prioridades, imagina, vamos lá, que boa notícia, foi assinado o contrato!!!

DF ASSINA CONTRATO DE R$ 696 MI PARA ESTÁDIO

O governador do Distrito Federal, Rogério Rosso (PMDB), assinou ontem o contrato para a reforma do Mané Garrincha para a Copa-2014. A obra ampliará a capacidade para 70 mil lugares, o que coloca Brasília como uma das candidatas para abrir a Copa-2014 - enquanto São Paulo patina para definir se disputará a abertura do evento. A obra de R$ 696 milhões, contudo, não contempla o sistema de telecomunicações.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Mais Brasília

Está óbvio, né? Eu adoro o Distrito Federal. Eu amo o cerrado e penso em um dia ter uma casa, uma chácara, na região da Chapada. Eu sinto falta do céu de Brasilia, do calor, das chuvas, do Parque Olhos D'água, do Calafão velho de guerra, da L4 Norte, do Centro Comunitário da Unb, dos mergulhos no Lago Paranoá, da Esplanada, dos rolês de bike, das partidas de tênis, dos amigos e amigas, das festas que rolavam, inclusive as minhas, que eram muito boas, para desespero dos vizinhos.

Estou na China, mas penso que meu coração ainda está no Planalto Central. Para o Brasil dar certo, Brasilia tem que dar certo.

Pois bem, li que há uma Ação Direta de Inconstitucionalidade sobre o Novo Plano Diretor do DF, aquele mesmo que já critiquei tanto. Soube também que as obras do Noroeste caminham a passos lentos, boa notícia, embora já tenham colocado boa parte do cerrado da região abaixo. Lamento apenas que poucos comentem sobre o VLT milionário e o projeto do novo estádio para a Copa, elefantes brancos que vão desviar recursos de obras mais prioritárias, para não falar de suspeitas generalizadas de corrupção.

O pessoal de SP acha que o DF é seco. Mal sabem eles, pouco conhecem do Brasilsão profundo, que no DF nascem águas que irrigam nossas três principais Bacias Hidrográficas. Há até um parque, Águas Emendadas, cujo nome já insinua o que isso significa. No coração do Brasil.

Aqui e aqui, mais boas matérias do UOL.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pan, Copa, Olimpíadas & Política Externa

O que os eventos esportivos têm a ver com a política externa? Pouco. Tirando a questão da campanha, quando há um trabalho diplomático, e o fato do país se abrir para o escrutínio estrangeiro quando da realização do evento, nada muito direto não. A Espanha não se tornou um país mais influente por ter realizado Barcelona 1992. A África do Sul não irá muito longe se ficar contando apenas com o evento de 2010. As Olimpíadas de Pequim foram uma cereja no bolo da China, mas nada que fizesse aqueeela diferença.

A Copa e as Olimpíadas podem ser boas ou ruins. Podem ser boas para atletas, patrocinadores e imprensa, quando tudo vai bem, instalações de primeira, jogos indo numa boa, lucros razoáveis, tudo legal, na esportiva. Mas pode ser ruim para o país quando há desvios de recursos, a criação de elefantes brancos, a privatização de lucros excessivos e a socialização das perdas.

Mas, enfim, essa divagação inicial nem é por nada não. É apenas falta de tempo e a velha preguiça. Dois assuntos sobre os quais gostaria de dar uma palhinha:

É incontestável que a política externa se tornou assunto de política interna. Isso já é meio complicado normalmente, pois em política externa não cabe demagogia, não se joga para a torcida, as relações internacionais têm valores e objetivos diferentes da política interna. Há políticas que são de Estado. Quem nega isso não entende nada. Quem finge que não é bem por aí pode até enganar alguns incautos, mas se desqualifica perante o público mais esclarecido, seja lá o que isso signifique. Se considerarmos que estamos às vésperas de eleições que prometem ser bastante duras, para usar um eufemismo, a coisa complica ainda mais. Paro por aqui.

O outro assunto é a questão do TCU e o Pan 2007. Tá difícil votarem esses relatórios, mas que demora, ó vida, ó céus...

Além da Copa 2014. O blog do José Cruz informa que o GDF vai torrar R$ 700 milhões no novo Mané Garrincha. Se somarmos a isso os R$ 500 milhões do VLT, a reforma anterior milionária no estádio do Gama (atualmente sem uso), obras no aeroporto e otras cosas, quem sabe bateremos no R$ 1,5 bilhão. Que beleza, que beleza. Quem conhece o GDF, sabe que não há outras prioridades. Então tá.

O blog ainda informa que o Mineirão só terá projeto básico em março do próximo ano. E o Maracanã, após já terem sido gastos uns R$ 300 milhões em reformas anteriores, chute meu, não tem nem projeto ainda.

Enfim, gastos públicos, lucros privados. Ricardo Teixeira é Presidente do Comitê Organizador da Copa, o que é uma aberração. É óbvio que o Presidente da Federação não pode ser o organizador. Coisa básica. Mas é pior. Sua filha é Secretária-Executiva do Comitê.

E quem são os grandes patrocinadores da Copa? Grupos empresariais e financeiros, mega-grupos, conhecidos por serem sustentáveis, favoráveis às atividades ligadas à filantropia social e cultural e históricos advogados da necessidade de educação do povo. E quem também é sócia da Copa? A família Marinho, que promove a arrecadação do Criança Esperança todo mês de outubro (ou seria setembro?).

Depois dizem que o Estado é corrupto, ineficiente, perdulário. Pois é, ele pode ser. Mas quem corrompe? Quem é cúmplice? Quem passa a mão na cabeça? Pois não é o setor privado que ser apropria dos recursos gerados pela corrupção, ou pelo desvio de prioridades, do Estado?

Ofendi alguém? Radical, chato, mala sem alça. Às vezes, sou eu mesmo. Não é para dizer que sou contra Copa, Olimpíadas ou qualquer festa no país. Quem me conhece sabe que estou longe de não gostar de uma festa. Ainda mais em se tratando de esporte. É para alertar que há formas de se fazer a coisa. Que estamos repetindo os erros do Pan. Que há uma enorme hipocrisia em toda a propaganda desses eventos.

Na minha ingênua opinião, é preciso seriedade e transparência. Não dá, por exemplo, pro Ricardo Teixeira ser Presidente do Comitê Organizador e colocar a filha para tocar o dia-dia. Onde estão a Globo, o Itaú, a Brahma, o Pão de Açucar, o Governo Lula e o resto do pessoal para impedir isso? É tão óbvio.

Em segundo lugar, é preciso planejamento. Já estamos atrasados. A real é que vai ficar tudo pra última hora, aquela confusão, aquele desespero, os Ministros serão outros, Prefeitura, Governo Estadual, então quem está agora no poder não está preocupado, vai enrolando. E os organizadores contam com o salvamento no final. Dispensa de licitação, inexigibilidade, o dinheiro do Governo Federal, os atalhos de sempre.

Por fim, na minha infinita ingenuidade, alguém tinha que chegar na Fifa e falar: olha aqui, pessoal, o Brasil é um país em desenvolvimento, temos prioridades sociais e políticas que infelizmente nos obrigam a abrir mão de estádios tão modernos e caros, aeroportos tão amplos e confortáveis, etc... Prometemos o melhor evento esportivo do mundo, mas vocês vão pegar leve nessas exigências. Vamos fazer o básico, dar aquele conforto tranquilo, mas nada de espetacular apenas para que Vossas Excelências passem um mês aqui como nababos entretendo seus sócios patrocinadores do evento. Aqui é Brasil, Capão Redondo, Favela da Maré, Garanhuns, Riacho Fundo, Jequitinhonha, palafitas, não rola, calma aí meus distintos amigos suíços que lavam mais branco.

Leiam o blog do José Cruz. Há uma boa entrevista com o Silvio Torres, um deputado do PSDB de SP que faz um trabalho interessante. Mas insuficiente.

Ingenuidade, idealismo. Triste o mundo em que isso está errado. Apenas uma ilusão.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Reiterando Recomendação

O blog do José Cruz é ótimo. Imagina se fôssemos depender da cobertura da Globo, sócia do Pan, da Copa e das Olimpíadas? Ou de outros membros do oligopólio?

É por isso que assino embaixo do que vem sendo colocado por diversos comentaristas: a Internet, e mais precisamente a blogosfera, é revolucionária. Perdendo o monopólio da informação, da interpretação, da edição da realidade, os grandes grupos têm seu poder enfraquecido.

Depois, quem sabe, poderei comentar sobre essa lei de Internet que desejam aprovar, sobre a extinção da Lei de Imprensa, com tudo de bom e de ruim que havia nela, e o vácuo jurídico que agora ficou.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Excelente Notícia

O cara que eu tinha citado num post anterior, pois tinha montado um blog sobre a esculhambação do PAN no RJ, montou um blog no uol. Vai acompanhar Olimpíadas e Copa.

Vejam bem, nada contra o Brasil se candidatar e eventualmente receber as competições. Só que o país tem prioridades sociais muito mais urgentes e, portanto, já que querem o oba-oba por aqui, eventos para a elite, caríssimos, ao menos que se minimize, veja bem, não digo elimine, mas minimize a roubalheira e a apropriação de fundos públicos por entes privados. E é preciso fiscalização, TCU, promotoria, sociedade civil, imprensa, etc...

domingo, 16 de agosto de 2009

A Copa do Mundo é nossa II

Vejam a reportagem abaixo da FSP. Vizi, no DF ainda temos que acrescentar a reforma do estádio do Gama e o VLT (tipo fura-fila) entre o aeroporto e o estádio.

Reforma no DF equivale a dois estádios novos
Pela Copa, Mané Garrincha irá consumir R$ 740 mi

SIMONE IGLESIAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Se dependesse só da vontade das cidades que sediarão a Copa-2014, reforma, demolição e construção dos estádios que serão utilizados pelas seleções chegariam a quase R$ 5 bilhões.
O custo detalhado previsto por cada sede foi apresentado ao governo, que determinou a redução das estimativas, tamanha a discrepância detectada.
Não se tratam, porém, de projetos executivos, quando será possível ter uma ideia mais clara dos custos envolvidos.
Pouquíssimas das cidades chegaram a esse estágio e há casos em que nem foi escolhida ainda a empresa de arquitetura.
Um caso de discrepância é a reforma do Mané Garrincha (Brasília), cuja previsão é de R$ 740 milhões de recursos públicos (o estádio é do governo do DF). O valor representa pouco menos do que foi orçado para construir dois novos estádios, em Cuiabá (R$ 440 milhões) e Manaus (R$ 400 milhões).
Mas, mesmo que as estimativas das arenas de Manaus e Cuiabá sejam baixas perto da do Mané Garrincha, o governo federal não vê necessidade de usar tanto dinheiro, já que essas capitais não têm clubes na primeira divisão, o que restringe o uso das arenas após a Copa.
Manaus já está revisando o valor para que seja reduzido. Nos dois casos, os recursos serão provenientes de impostos porque as áreas são públicas.
Depois de Brasília, o orçamento mais caro é o de Salvador: R$ 639 milhões para a reconstrução da Fonte Nova. Os recursos serão obtidos por meio de PPPs (parcerias público-privadas). O novo estádio de Recife custará, pelos cálculos exibidos, R$ 540 milhões, com PPP. A seguir, vem a reforma do Mineirão, estimada entre R$ 350 milhões e 500 milhões.
O custo inicial para a reforma do Maracanã é de R$ 440 milhões, mesmo valor da construção de arena em Cuiabá.
A reforma de estádio em Fortaleza está orçada em R$ 400 milhões, mesmo valor previsto para a construção em Manaus.
A estimativa para erguer um estádio em Natal é de R$ 309 milhões, valor pouco menor do previsto para a reforma no Morumbi (R$ 300 milhões). As reformas do Beira-Rio, em Porto Alegre, e da Arena da Baixada, em Curitiba, são as mais baratas: R$ 150 milhões e R$ 138 milhões, respectivamente.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A Copa do Mundo é nossa

Tá feio o cenário para a Copa 2014 por aqui. Lucros privados, gordos lucros privados para algumas famílias, eventos exclusivos para a elite, estádios modernos que se tornarão elefantes brancos, obras viárias de prioridade duvidosa e o principal: dinheiro público bancando tudo num país com as carências que nós temos. A promessa de que o setor privado entraria com os fundos não durou, creio, nem um ano. Sugiro aos interessados que leiam o blog do Juca, o editorial da FSP, a entrevista do Ministro Orlando Silva no Estadão, tudo isso hoje.

No caso do Pan do RJ, uma alma nobre montou, à época, um blog compilando notícias e denúncias. Pergunto-me onde estaria esse cara e o que teria a nos dizer hoje. Falo isso porque passou despercebido, mas li em algum lugar que o Ministro Villaça, do TCU, após ter deitado falação sobre transparência e fiscalização, teria passado carimbo de aprovado nos relatórios sobre o Pan no RJ. Agora teria se aposentado. Parece que se candidatará a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Ó vida, ó céus.

O Deputado Silvio Torres (PSDB/SP) fez um bom trabalho na CPI da CBF. Ele está de olho na Copa do Mundo aqui. Vamos acompanhá-lo e torcer para que encha o saco do pessoal e tenha ressonância, receba apoios. A equipe da ESPN/Brasil costuma ser bem crítica, mas atinge um público muito pequeno. Do governo Lula, não espero nada nesse sentido. Eu gosto do Presidente, defendo-o pra caramba, mas em várias áreas ele decepciona.