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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Que beleza!

Aviso aos navegantes: o Ninho de Pássaro, aqui em Pequim, é hoje um enorme elefante branco. E lá vamos nós, rumo à Copa 2014... no DF, devemos somar ainda os gastos com o glorioso VLT, a reforma do estádio do Gama, a ampliação do aeroporto e também esse tal sistema de comunicações. Mas quem conhece as cidades satélites e quem acompanhou os recentes atos da política distrital sabe que não há outras prioridades, imagina, vamos lá, que boa notícia, foi assinado o contrato!!!

DF ASSINA CONTRATO DE R$ 696 MI PARA ESTÁDIO

O governador do Distrito Federal, Rogério Rosso (PMDB), assinou ontem o contrato para a reforma do Mané Garrincha para a Copa-2014. A obra ampliará a capacidade para 70 mil lugares, o que coloca Brasília como uma das candidatas para abrir a Copa-2014 - enquanto São Paulo patina para definir se disputará a abertura do evento. A obra de R$ 696 milhões, contudo, não contempla o sistema de telecomunicações.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Não há, ó gente, ó não

Lua cheia por aqui. Lamento, mas a de Brasília é muito melhor. Incomparável.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Mais Brasília

Está óbvio, né? Eu adoro o Distrito Federal. Eu amo o cerrado e penso em um dia ter uma casa, uma chácara, na região da Chapada. Eu sinto falta do céu de Brasilia, do calor, das chuvas, do Parque Olhos D'água, do Calafão velho de guerra, da L4 Norte, do Centro Comunitário da Unb, dos mergulhos no Lago Paranoá, da Esplanada, dos rolês de bike, das partidas de tênis, dos amigos e amigas, das festas que rolavam, inclusive as minhas, que eram muito boas, para desespero dos vizinhos.

Estou na China, mas penso que meu coração ainda está no Planalto Central. Para o Brasil dar certo, Brasilia tem que dar certo.

Pois bem, li que há uma Ação Direta de Inconstitucionalidade sobre o Novo Plano Diretor do DF, aquele mesmo que já critiquei tanto. Soube também que as obras do Noroeste caminham a passos lentos, boa notícia, embora já tenham colocado boa parte do cerrado da região abaixo. Lamento apenas que poucos comentem sobre o VLT milionário e o projeto do novo estádio para a Copa, elefantes brancos que vão desviar recursos de obras mais prioritárias, para não falar de suspeitas generalizadas de corrupção.

O pessoal de SP acha que o DF é seco. Mal sabem eles, pouco conhecem do Brasilsão profundo, que no DF nascem águas que irrigam nossas três principais Bacias Hidrográficas. Há até um parque, Águas Emendadas, cujo nome já insinua o que isso significa. No coração do Brasil.

Aqui e aqui, mais boas matérias do UOL.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Brasilia outros 50

O Governo do Distrito Federal, mostrando mais uma vez sua falta de compromisso com a população e a cultura local, havia montado uma mega festa para comemorar os 50 anos com artistas famosos, mas poucos ou nenhum de Brasilia. Simplesmente não havia nada relativo à comunidade artística do GDF, seu povo, sua arte, vida e processo criativo. Para vocês terem uma idéia, antes de todo esse rolo, os caras pensavam em trazer Roberto Carlos ou, acreditem, Paul Mcartney, para estrelarem o evento. Coisa bem baratinha, aliás.

Pois bem, a comunidade artística de Brasília se organizou, conseguiu apoio do Governo Federal, e vai realizar uma bela festa alternativa com 200 mil atrações entre os dias 20 e 23 de abril. Mais informações aqui.

domingo, 18 de abril de 2010

O novo Governador do GDF...

Eleito por seus pares na Câmara Distrital para cumprir um mandato tampão...
Segue coluna do Fernando Rodrigues:

20h37 - 17/04/2010
Brasília é um fracasso político

A eleição do advogado Rogério Rosso (PMDB) como governador tampão de Brasília neste sábado (17.abr.2010) é mais um capítulo do fracasso político e administrativo da capital federal, que completa 50 anos na próxima quarta-feira, dia 21.

Rosso foi administrador de Celiândia, a maior cidade satélite do Distrito Federal, durante o governo de Joaquim Roriz. Depois, foi presidente da Codeplan (Companhia de Planejamento do DF) no governo de José Roberto Arruda, cassado e preso até alguns dias atrás.

A Codeplan, só para lembrar, é o mesmo órgão hoje investigado por uma CPI na Câmara Legislativa de Brasília. O grande delator do chamado mensalão do DEM, Durval Barbosa, foi presidente da Codeplan durante a campanha eleitoral de 2006, da qual Arruda saiu vitorioso.

Brasília tem perto de 2,7 milhões de habitantes e um modelo curioso de administração. Não é um Estado nem um município. Tem apenas um governador, mas não tem prefeitos. Cidades satélites como Ceilândia (600 mil habitantes) são governadas por gente nomeada de maneira nebulosa.

Pode-se argumentar que vários países têm distritos federais. É verdade. Mas comparem-se as áreas dessas localidades. Brasília tem 5.783 km², o que equivale a 26% da área do Estado de Sergipe. Já Washington, D.C, capital dos Estados Unidos, tem 177 km² – é apenas uma cidade e tem um prefeito eleito.

Depois da Constituição de 1988, o democratismo em vigor no país deu a Brasília 3 senadores e 8 deputados federais. É claro que os habitantes de Brasília têm o direito de eleger representantes para o Congresso. Mas bastaria que votassem escolhendo entre os candidatos de Goiás, Estado no qual está inserido o “quadradinho”, como é chamado o Distrito Federal pelos locais. Só que aí os brasilienses não poderiam ter se esmerado para eleger senadores como Luiz Estevão, Joaquim Roriz, José Roberto Arruda, os três “saídos” do Congresso.

Brasília é a unidade da Federação que mais elegeu senadores encrencados até hoje na história do país –e essa história eleitoral só começou pós-1988.

Agora, ao eleger um governador biônico cria de Roriz e de Arruda, a Câmara Distrital da capital federal manda mais um recado. Os políticos de Brasília não estão nem aí para o que pensam o Brasil e os brasileiros a respeito do “quadradinho”.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Brasília 50 anos

Belo trabalho do pessoal do UOL. Dados, desigualdades, fotografias, projeto, trabalhadores.

Neste link.



Acima, personagem do Cidade em Plano, que entra em cartaz no cerrado novamente. Projeto filosófico-espiritual-transcedental-artístico-cultural-dançante. Brasília e o corpo. Já comentei aqui, foi bem legal, boa viagem.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Impressionante

Nesse link, uma pequena amostra do grau de corrupção no Governo do Distrito Federal. Impressionante. Na saúde, educação, no metrô, informática, no plano diretor, um esquema desses monumentais, bandidagem mesmo, quadrilha. E o Tribunal de Contas do DF, que me perdoem os digníssimos, não serve para porra nenhuma, são uns idiotas completos. Aliás, pouco antes do escândalo vir a tona, o Arruda simplesmente havia conseguido colocar seu ex-chefe de gabinete como membro desse Tribunal. Máfia.

É como digo, a elite política do Distrito Federal, com raras e honrosas exceções, é pequena, mesquinha, tosca. Não valem nada, são uns despreparados. Tudo na base do compadrio, do nepotismo, do apadrinhamento, do esquemão. Gordas verbas da União alimentando esse povo.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Bairro Sustentável





vou sair para jantar e depois posto mais vídeos

segunda-feira, 29 de março de 2010

Lamaçal em Brasília



Na foto, intervenção artística de um pessoal legal e muito querido em frente à gloriosa sede do Governo do Distrito Federal.

Quem acompanha o blog sabe que em alguns posts já havia comentado sobre as desventuras da especulação imobiliária no Distrito Federal, fortemente ancorada no poder político local, cujo símbolo maior era a presença de Paulo Otavio como vice-governador. Sob o silêncio vergonhoso da imprensa do DF, e nacional, o rolo compressor do executivo no legislativo aprovou alterações no Plano Diretor que abriam as portas, arrombavam-nas, para o deleite de grileiros, especuladores e construtoras, além de todo o setor de comercialização. Creio que apenas 4 deputados do PT e o Reguffe, do PDT, votaram contra.

O Setor Noroeste é o símbolo de tudo isso. Situado entre duas grandes áreas de proteção ambiental, em meio a nascentes e ligações pluviais importantes nessa região do cerrado, o novo Plano Diretor liberava geral para o soerguimento de nova área para apartamentos de luxo. Para "facilitar as coisas", ao invés de licitações por edifício, fizeram por quadra, assim só os grandes teriam bala para participar. Tudo correu rápido, desde a aprovação do Plano, com poucas e "encomendadas" audiências públicas, até a realização das licitações iniciais. O marketing ficou por conta do tal "bairro sustentável", que para mim é uma hipocrisia semelhante à dessas grandes empresas e bancos que se dizem verdes mas estão inteiramente integrados à uma lógica maior que é contra tudo que eles dizem prezar.

Dei uma passada pela região do Noroeste logo antes de sair do Brasil. Os tratores estavam lá arregaçando geral. Cerrado abaixo. Corrupção, concentração de renda. Prédios para os ricos. Mais carros, mais trânsito.

Pois bem, com o afundamento do Governo do GDF e a vergonhosa nudez de toda a elite política local, a merda começa a subir para a superfície. Foi paga propina para os deputados aprovarem o novo Plano Diretor. Acho que ficou no mesmo patamar das outras sujeiras da área de informática: 40% Arruda; 30% Paulo Otavio; o resto para os deputados, talvez alguns secretários. Aqui e ali a imprensa começa a ouvir partes interessadas (urbanistas, ecologistas, acadêmicos) que desvendam como foi o processo de aprovação do Plano.

Não tenho detalhes por estar distante, acompanhando muito mais os temas da China e da Ásia, trabalhando bastante, mas o fato é que já está mais ou menos claro o que eu apenas insinuava aqui.

Brasília chocou-me logo que cheguei. Onde moram os pobres, os empregados domésticos, vigilantes, motoristas, etc...? Nas cidades-satélite, 30km ou 50km distantes. O horror, quase um cenário totalitário. As mansões do Lago Sul, mansões do ParkWay. E a massa num inferno distante, uma segregação social explícita. Com meios de transporte limitados, caros.

O planejamento do DF pode até ter sido feito com boas intenções, mas deu errado. A República não se encontra refletida no ordenamento urbano de Brasília. Havia, sim, um sistema totalitário, pois incrivelmente poucas das pessoas com as quais eu me relacionava questionavam isso, atentavam para tal absurdo, uma completa aberração. Até surreal: Brasilia, toda organizadinha, limpinha, florida, planejada... porém com enormes guetos em seu entorno.

Artistas, lógico, tinham essa percepção bem clara. Vladimir Carvalho, guerreiro ainda forte, tá na ativa, filmou a obra-prima documental que é o Conterrâneos Velhos de Guerra. Acadêmicos escreveram sobre a evolução do GDF. Tenho alguns, diversos livros, com teor bastante crítico.

Pouco antes de sair para o exterior, em uma de minhas crises profissionais, pensei até em me desligar de minha profissão, dar um tempo, mudar meu título para o DF e sair candidato a deputado distrital por algum partido. Chutar o balde, jogar pra cima, partir para uma outra na qual eu seria mais independente, na qual poderia lidar com coisas mais concretas, mais próximas à nossa realidade do que a política internacional. Não fui por aí, escolhas, receios, mas logo depois veio a público a merdalhada toda e hoje penso que minhas chances seriam muito maiores caso tivesse insistido nessa pequena loucura. E cá estou escrevendo sobre a possibilidade de uma bolha na economia chinesa, sobre os desencontros China-EUA, sobre a enorme rede de trens de alta velocidade que eles estão construindo...

Saudade grande do cerrado, torcida à distância, esperança de que dias melhores virão. O Reguffe deveria sair candidato a Governador, ele me parece um cara com boas idéias, recordo-me dele denunciando o Setor Noroeste, o tal "bairro sustentável".

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Feliz 2010

Leminski e Brasilia

Pesquisando sobre Paulo Leminski, filho de polonês com negra, poeta curitibano, escritor, tradutor e professor. Recordava-me da poesia abaixo. Ela faz sentido, sempre fez. Atualmente faz mais, pois estou me despedindo de muita gente. É hora de dizer, caso contrário carregarei coisas dentro de mim que poderão ocupar muito espaço. O tempo é precioso, não volta, sem chance. Ás vezes nos chama a olhar para trás. Pode incomodar. Por que não olhá-lo de frente?

"É tarde, sai daqui", poderão redarguir até com raiva. "E daí", poderão falar... e como é dura a indiferença! Isso quando eu conseguir ser devidamente ouvido... faz tempo, né, para que mexer?

Mas acho importante tentar, fazer o gesto, colocar para jogo, se abrir. Às vezes dói. Pode doer bastante. Falo porque já estive lá. Mas vale.

E por isso, se possível, não custa procurar aprender a tornar tais movimentos parte do dia-dia, exercitar o diálogo, evitar grandes choques, se colocar de forma mais aberta, tranquila, construtiva. Deixar o sentimento fluir. Tô tentando.

Fiquemos com a poesia de nosso amigo Leminski.

PERGUNTE AO PÓ

cresce a vida
cresce o tempo
cresce tudo
e vira sempre
esse momento

cresce o ponto
bem no meio
do amor seu centro
assim como
o que a gente sente
e não diz
cresce dentro



E agora essa abaixo tirei de um blog, muito interessante, Leminski em Brasilia...

"Paulo Leminski durante sua visita a Brasília em 1984, após um almoço numa pensão na W3S,. com Ivan "Presença", Nicholas Behr e Alice Ruiz, deixou o manuscrito com o também poeta Nicholas Behr. Originalmente publicado em “Tira Prosa” a revista cultural do Feitiço Mineiro, Número 11 out. / nov. / 1998."

claro calar
sobre uma cidade
sem ruínas
Em Brasília admirei
Não a niemeyer lei,
admirei a vida das pessoas
penetrando nos esquemas,
tinta sangue no mata borrão,
vermelho gente
entre pedra e pedra
pela terra a dentro
Em Brasília, admirei
Admirei o pequeno restaurante
Oculto,
Criminoso por estar fora
Da quadra permitida
Sim, Brasília
Admirei o tempo
Que já cobre de anos
Tuas impecáveis matemáticas
Sim, Brasília,
O erro sim, não a lei
Muito me admiraste,
Muito te admirei

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Arquitetura da Segregação

Na semana passada, mais incêndios em favelas paulistanas. O Kassab também anunciou a "remoção" de milhares de famílias das margens do córrego Águas Espraiadas. Pretende fazer nada mais nada menos que um túnel entre a saída da Berrini/Morumbi e a Imigrantes. Mais uma obra bilionária para automóveis, não para os seres humanos. Coisa leve, fácil, baratinha, para que os ricos possam chegar mais rapidamente à praia e, tá bom, que os caminhões desçam melhor para o porto de Santos.

Por cima do túnel, o projeto promete um parque e, segundo o plano de marketing, moradias razoavelmente populares. Sei, ãhãn, acredita nele, moradias populares. Justo Kassab e seus vereadores, amplamente financiados pelo setor imobiliário. Esse blog já vai direto ao ponto: é mais uma obra faraônica, enormes investimentos públicos, para privilégio dos automóveis e a viabilização da valorização imobiliária. Um túnel para a especulação. E os pobres favelados serão expulsos para recantos longínquos das zonas leste e sul. E a estória do parque é como o Setor Noroeste em Brasília (bairro sustentável): busca dar uma roupagem verde, "sustentável", para um empreendimento socialmente segregador, concentrador de renda e com parcos requisitos do que se pode entender como desenvolvimento urbano de qualidade.

A cidade que cresce e enriquece não é para eles, que estão lá longe, alagados nas marginais, na zona leste ou nas cidades satélite. São Paulo é a "cidade dos muros", conforme falou a maravilhosa Teresa Pires do Rio Caldeira. Uma cidade segregada, privatizada, com espaços públicos degradados. E tome obras para carros, especulação imobiliária, remoção de favelas, etc... E Brasília é a Ilha da Fantasia, uma distribuição espacial burocraticamente hierarquizada, distante, inalcançável. Aliás, deverei voltar a comentar em breve, mas apenas adianto que em Brasília explodem as contratações de empresas de segurança, vigilância privada, câmeras e luzes bem fortes. O pesadelo privatista ensaia novos avanços na capital do país.

A continuar...

PS: Abro aspas para recentes mudanças no Orçamento 2010 da Prefeitura de SP:

"Ultimo Segundo/Agência Estado
Câmara de São Paulo corta verba contra enchentes, e garante a da publicidade

Votado em segunda discussão menos de quatro horas após ser apresentado aos líderes de bancada, a terceira versão do Orçamento de São Paulo para 2010 veio com uma redução de R$ 70,4 milhões na verba destinada à canalização de córregos, de R$ 30 milhões na coleta de lixo e de R$ 1 milhão para obras em áreas de risco.

O corte de R$ 1 bilhão feito de última hora pelo relator Milton Leite (DEM), contudo, não afetou os R$ 126 milhões reservados para a publicidade oficial da gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e a verba recorde da própria Câmara, fixada em R$ 399 milhões, um crescimento de 29% para o ano eleitoral, em relação aos recursos gastos deste ano (R$ 310,3 milhões)."

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Piedade aos Miseráveis

Eu estou com asco da exploração do texto do Cesar Benjamin. É o esgoto jornalístico, a torpeza moral, pura canalhice.

Piedade a esses miseráveis de alma bem pequena.

Não ame-o, mas também não o deixe

Pois bem, a coisa está ficando muito séria. Brava, baixa. Lula, ame-o ou deixe-o. Há, de um lado, enorme louvação a Lula que ignora alguns erros e contradições de seu governo (que eu defendo bastante). De outro lado, alguns não escondem a gana de destroçá-lo seja lá por quais métodos forem.

Esse blog não entra em picuinhas do dia-dia. Agressões pessoais. Exemplos: filho de FHC, filho do Renan, Lula "analfabeto", Cesar Benjamin, denúncias de corrupção, o preto e o branco, o mal contra o bem, o falso moralismo (Sarney).

Critiquei o artigo de FHC que basicamente dizia que se Dilma fosse eleita, a democracia estaria em risco. Não está.

Pois idéias são criticáveis. Mas não escrevo aqui para julgar nem crucificar ninguém.

Apontei em alguns posts que um dos maiores problemas da democracia brasileira está no financiamento das campanhas. O mensalão se inscreve aí. Os vereadores de SP e o Governo Kassab, amplamente financiados pelo setor imobiliário, e que estão detonando o Plano Diretor, também. No GDF, o Setor Noroeste e outras artimanhas são decorrência natural da simbiose especulação imobiliária-poder político. E agora, essas denúncias contra toda a Cúpula do GDF.

O financiamento de campanhas causa problemas a todos os partidos, candidatos, etc... Corrói a política brasileira. É um problema estrutural. Não cabe moralismo, demagogia, individualização. Lógico que quando pegos devem ser punidos, mas o problema está nas leis, na estrutura.

O blog talvez não seja muito inteligente, os posts não são muito preparados nem contam com teses muito elaboradas. É sentar e escrever, coisa rápida. Tampouco coloca-se como dono da verdade, com exceção de algumas barbaridades defendidas por alguns financistas mais rasteiros. Tenho perguntas, mais do que respostas. Talvez seja muito idealista, ingênuo, tolo. Um inocente útil, ou inútil. Mas não entro na baixaria, no bem contra o mal, na torcida organizada.

O blog tenta ficar além disso. Ver o Brasil como um todo, o desenvolvimento da nação, o bem-estar de seu povo, a produção e o emprego sobre o rentismo, o respeito ao meio-ambiente e à interação homem-natureza, a valorização da cultura universal e do que gosto no cinema e na música (falo pouco de literatura, leio pouca literatura), a consolidação da democracia, o aprofundamento do espírito republicano.

Com todas as limitações, dá um certo orgulho reler, já temos algo nesta página alittlefunnyinthehead.

Agradeço muito aos meus poucos leitores, aos elogios que de quando em quando recebo. Voltem sempre.

domingo, 29 de novembro de 2009

Debaixo dos caracóis da L4 Sul

Ontem à noite rolou o samba, o samba raiou, aquelas noites de Brasília, céu aberto estrelado enluarado, uma maravilha, e cantam e dançam as moças, está quente e desfilam os vestidos mais bem vestidos e sorrisos e passos e beijos e abraços e é o sol que nasce e já me deixa com saudade.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Brasil século XXI

Hoje o Brasil está na capa do Economist. Decolando.

O Presidente de Israel está aqui. Daqui a pouco teremos a Autoridade Palestina. Na sequência, o Presidente do Irã. Uma trinca dessas, vejam só que trinca, atravessa continentes, mares e séculos para avistar-se com os conterrâneos dos trópicos por onde saltitou e brincou Macunaíma, nosso herói sem caráter. Golaço da diplomacia brasileira.

Alguns países e importantes figuras pedem ao Brasil que medie o bafafá entre Colômbia e Venezuela. Nesse meio tempo, teremos Cristina Kirchner aqui. No começo de dezembro, o Presidente Lula será recebido por Angela Merkel. E assim vai, num crescente...

É cada vez mais difícil para setores oposicionistas da grande imprensa taparem o sol com a peneira. Mas eles tentam e há gente que compra o que lê. Estão acostumados a desmerecer seu próprio país para melhor poderem pilhá-lo. Bom, esperar o que de quem jogou pesado para convencer a platéia de que o combate ao crime do colarinho branco é uma ameaça às liberdades e ao Estado de Direito. A ABIN não pode colaborar com a PF, vejam só, é ilegal, anulem todo o processo. Socorro, a República do Grampo, um Estado Totalitário.

E, bem, o rentismo resiste, clamam por uma alta na taxa de juros, querem mais bolhas e o câmbio valorizando. A arbitragem e a intermediação do capital externo são um dinheiro fácil, muito fácil. Uma das consequências, o déficit em conta corrente, que historicamente nos arrebentou, seria a contrapartida de nossa baixa poupança, o necessário complemento aos investimentos que tanto precisamos. Não há o que fazer, não faltará financiamento, nos dizem os arautos da "ciência" econômica e do discurso "técnico". Ficam aí esgrimindo identidades contábeis invertendo relações de causa e efeito. O câmbio, nessa fábula maravilhosa, é variável de ajuste para desequilíbrios mais fundamentais. Fingem ou talvez até acreditem que tais construções discursivas não representam interesses bem concretos. Não há o que fazer, segundo eles, desta vez é diferente. Como diria Kenneth Rogoff, um dos mestres de Harvard, sempre que alguém disser que "desta vez é diferente", não tenha dúvidas, estamos diante de uma bolha.

Os R$ 70 do Bolsa Família farão com que os pobres, esses vagabundos incompetentes que votam errado, se acomodem. E é uma irresponsabilidade aumentar o salário mínimo. As contas vão estourar. Mas espera aí, o mercado vê sinais de inflação em 2010 ou 2011. Há um perigo de descontrole, uma farra, um rombo. É melhor, por precaução, aumentarmos os juros pois os credores da dívida demandam um retorno maior diante de tantos riscos. É o mercado, não se pode enfrentar as forças do mercado, sempre haverá um jeito de burlar regras. As CC5, a lavagem de dinheiro, a evasão fiscal, o planejamento tributário. Os fundos offshore com isenção de impostos. O mar do Caribe, o guarda-chuva da família real em Jersey, a pompa e a circunstância de nossos fleumáticos suíços e seus vizinhos de Luxemburgo.

Se a Dilma ganhar, a democracia estará ameaçada. Profundo. Mas, enfim... Brasil século XXI. A luta continua. E o Brasil seguirá democrático com a vitória de A, B ou C.

Engraçado que finalmente hoje, quando o Economist, na sequência do Financial Times, o NYT, o Herald, bem, toda a imprensa internacional louva o Brasil, eu finalmente resolva postar o vídeo do Na Real do Real. Hoje, justo hoje que li Rodrik defendendo o IOF, mais um dos big shots do mainstream do debate da economia política toma posição em defesa da sinalização que o governo emitiu para os money managers. E após Taiwan ter também adotado precauções contra o afluxo das armas financeiras de destruição em massa, a enorme liquidez em busca de plataformas de valorização.

Favela do Real Parque, Morumbi, ao amanhecer. Em meio às mansões com segurança privada, cercas elétricas e circuitos internos de vigilância informatizados. De frente aos mais modernos prédios da Berrini, onde funcionam as subsidiárias nacionais de algumas das grandes corporações do capital cosmopolita. A modernidade, a tecnologia, uma ponte que brilha, brilha para a especulação. Dinheiro e poder. Poder e dinheiro. Segregação. A Justiça, a PM, às 6 da manhã. Perdoai os nossos erros, Ave Maria, cheia de graça, Olorum.

Ainda ficarei devendo comentários sobre tudo isso. Quem sabe em breve eu vá falar da maravilhosa Teresa Pires do Rio Caldeira. E do texto de Mariana Fix. E dos Conterrâneos Velhos de Guerra. O Setor Noroeste de Brasília. As cidades satélites e a ilha da fantasia, o Plano Piloto.

Brasil século XXI, contradições, desafios, oportunidades.
Amadurecimento.

Pensamento, voz, liberdade, Na Real do Real. A democratização dos meios de comunicação. Perdoai, Ave Maria

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Fogo

Outro incêndio em uma favela paulistana. Desta vez, em Paraisópolis.

Espalhando-se no Morumbi, Paraisópolis não é uma favela qualquer.

Estou devendo textos sobre urbanismo. Em SP e em Brasilia. Ontem vi um espetáculo bem alternativo, bem legal, que me lembrou dessas coisas, curiosamente. No teatro da Funarte, no Eixo, debaixo do céu infinito do cerrado, estava um pouco frio, ventava lá fora. Os corpos desfilavam no palco e eu ficava ali parado, olhando, arregalando, e a mente fugia, eu pensava na solidão do cerrado, nos candangos conterrâneos velhos de guerra, no lago sul, no setor de mansões, no centro de erradicação de invasões ceilândia, na rodoviária, e aí virava a mente e parecia caminhar pelos corredores da Esplanada, entre ternos e saias e pastas, carimbos, memorandos, discursos, circulares, elevadores, placas oficiais, assessores, gravatas, apertos de mãos, cochichos, atas e subsídios.

JK, o Supremo, o Congresso, o Alvorada.
Riacho Fundo, Samambaia, Estrutural e Paranoá.
Paraisópolis. Morumbi.

Brasilia merece uma reflexão, il faut, é preciso, fundamental, tal qual Paraisópolis e o Morumbi. Quem sabe um dia nesse blog.

Pausa.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Boa Iniciativa

Ontem pedalei por todo o Eixão de Brasília, da Asa Norte até a Asa Sul. Acho que são uns 30km, quase tudo plano, debaixo do sol punk da seca. Gosto de andar de bicicleta. Seria bom se pudesse ir pedalando ao trabalho, mas como faria isso de terno?

Enfim, escrevo isso a propósito da ciclovia inaugurada em SP. Parece que funcionará apenas nos finais-de-semana. Excelente iniciativa da Prefeitura. Espero que seja ampliada. Bicicletas são um ótimo meio de transporte para distâncias pequenas. Caso a coisa avance, com novas ciclovias, "estacionamentos de bicicletas" e integração com metrô e ônibus, seria realmente positivo. Tornaria SP mais humana, menos agressiva, menos poluída, mais saudável. Além de diminuir o trânsito e baratear a vida dos ciclistas.

Bom, diferentemente de Bsb, SP é cheia de morros, subidas e descidas, isso prejudica. Aliás, em Bsb, por incrível que pareça, não há ciclovias. E o transporte público é lamentável, para dizer o mínimo.

Escrevendo isso reparo que ainda não cornetei sobre a estrutura urbana do Distrito Federal. Nem cheguei perto de falar sobre o Plano Piloto, o Lago, as cidades-satélite, o transporte, a especulação imobiliária e, principalmente, os trabalhos dos grandes pensadores e artistas daqui, incluindo Vladimir de Carvalho, o Rossellini do Sertão, na definição de Glauber. Também ainda não comentei nada sobre urbanismo em SP. Na real, os Planos Diretores de SP e do DF vêm sendo gradualmente detonados. Enfim, depois escrevo sobre isso.

Por enquanto, para não me dizerem que só fico na corneta, apenas registro que a ciclovia de SP é um bom começo.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Agenda

Bom, no dia 31, além da série do Silvio Tendler, teremos, bem mais importante, o lançamento do marco regulatório do Pré-Sal. Os lobbies estão à solta nos jornais, em revistas, notinhas, entrevistas, artigos, "estudos", "consultores". É uma luta feroz, sanguinária, suja. O marco regulatório irá ao Congresso e aí veremos algumas coisas muito interessantes. Seria bom também que os pré-candidatos se posicionassem sobre esse tema fundamental.

A próxima reunião do COPOM também será divertida, anotem, 1 e 2 de setembro. A bancada dos "juristas" vai clamar pela manutenção da taxa no nível atual. Argumentarão que o cenário é incerto, que há um descontrole fiscal, etc... etc... e tal. Haverá ainda alguma luta política e ideológica no país até que o setor rentista tome consciência de que deve ganhar dinheiro na produção e não parasitando o resto do país. Após décadas na ciranda, será realmente uma mudança cultural de monta que o país tenha juros civilizados. Há ainda muito espaço para aumentarmos o volume de crédito no PIB (hoje está em +-43%), especialmente no setor de habitação, cuja demanda reprimida é grotescamente alta no Brasil.

O julgamento do Pallocci no STF é na 5a feira. Parece que será absolvido.

Temos aí também São Paulo x Palmeiras no brasileirão, o Santos em busca da libertadores, o trio carioca na segundona, o Goiás com um time muito bom (atacante Felipe, Iarley, Fernandão, dois excelentes laterais, belo time), o Inter buscando se recuperar.

Aguardamos também o relatório final do TCU sobre o PAN no RJ. Hoje li que esse negócio ainda não saiu. Difíííícil, de repente sai no dia 29 de dezembro...

Há também a CPI da Petrobrás, ai ai ai, no meio da discussão sobre o Pré-Sal. Sarney é passado, Lina-Dilma também faleceu por absoluta falta de provas, então a novela da vez deve ser a CPI da Petrobrás.

Bom, o G-20 em Pittsburgh, 24 e 25 de setembro, dispensa comentários. Há coisas interessantes rolando.

Pretendo dar um pitaco também sobre urbanismo. Os Planos Diretores de SP, do DF, e creio que outros, estão sendo detonados. O Plano Diretor é fundamental para colocar algum ordenamento, mínimo que seja, diretrizes que sejam, no crescimento das cidades. É tudo que SP não teve, planejamento. Aliás, em SP, hoje, nova remoção de favelas com a tropa de choque chegando 6 da manhã. Cabe lembrar também que a Lei Cidade Limpa de Sampa está sendo devidamente rasgada, temporariamente, pelos distintos vereadores, com apoio da Prefeitura.

Há coisas boas também acontecendo, eu sei, mas esse blog é sobre a crise, o Brasil e o mundo, escolhas e omissões que traçarão nosso futuro. Portanto prefiro me ater, na maioria das vezes, ao que tá errado, andando pra trás, andando de lado, tropeçando, caindo, reclamando. Sempre gostei do alambrado nos estádios, sempre gostei de ficar ali embaixo, na corneta mesmo.