Tenho recebido algumas visitas, finalmente, começaram a aparecer pessoas em Pequim. Como já estou bem mais local por aqui, os passeios têm rendido bastante. Espero postar muitas fotos da cidade e do povo chinês, povo amigo, povo bom. Não garanto, porém, que vá escrever muita coisa, ando meio sem inspiração, ou talvez meio sem saco.
Esse final de verão tem se mostrado a melhor época por aqui. Dias de sol e céu azul, o bafo do calor forte se foi, clima ótimo.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Comentários
Após cerca de um mês de ausência, hoje resolvi tomar vergonha na cara e voltar a escrever. Não estou assim muito cheio de idéias, mas espero retomar algum ritmo em breve. É lógico que há muito a escrever sobre as eleições, mas prefiro esperar as coisas realmente se definirem, ainda que tudo se encaminhe para aquilo que já era esperado: as pessoas estão vivendo melhor, com mais oportunidades, mais empregos, o país retomou um otimismo positivo, e portanto votarão na candidata da continuidade. A oposição segue perdida, sem rumo, como eu já apontara em diversos posts recentes e outros nem tão recentes.
Na China, estou cada vez mais convencido de que, a despeito dos dados econômicos impressionantes e do crescente, e cada vez mais vocal, poder do país, há enormes desafios pela frente. As autoridades se defrontam com um cenário complicado conforme se aproxima a próxima transição política da cúpula do país, prevista para 2012. Há questões sobre a manutenção do crescimento, possíveis buracos no sistema financeiro, crescentes desigualdades, a degradação ambiental, envelhecimento da população, sobre a política externa do país, demandas por responsabilidade e o desconfiômetro dos vizinhos, etc... um mundo de variáveis, um mundo do tamanho da China.
O lobby dos bancos funcionou e parece que as regras de Basiléia III ficaram meio frouxas, diferidas no tempo. Há também riscos de uma nova crise, não nos esqueçamos disso. Desequilíbrios globais, desequilíbrios entre as finanças e a produção. Problemas foram empurrados com a barriga. A reforma financeira nos EUA, ainda que positiva, foi um remendo em um ou outro ponto mais ousado, mas no geral tímida, muito aquém da retórica.
As relações China-EUA seguem também complicadas. Aos dois lados interessa uma acomodação, mas no dia-dia os choques se sucedem, há pontos de divergência. Essa região do leste da Ásia é um tabuleiro geopolítico complicadíssimo. E os EUA se defrontam com inúmeros outros desafios, passando do Paquistão/Afeganistão/Iraque/Irã até a questão dos palestinos/Israel, o avanço chinês em outras regiões, os europeus que se sentem abandonados, governos crescentemente autônomos na América Latina.
Períodos de transição do poder mundial, como já escrevi, são em geral turbulentos. Adicionando a isso a questão ambiental, populacional, uma descrença grande nos mecanismos tradicionais da política e no multilateralismo, enfim, poderia elencar uma série de coisas, temos aí um quadro muito complexo e perigoso do mundo em que vivemos.
Mas vamos falar de coisas mais divertidas. Na semana passada, visitei o zoologico de Pequim. Fui ver os pandas. Mal sabia o que me aguardava. Hehehe, por enquanto me limito a dizer isso. E a colocar uma foto de um deles. Depois seguirá uma sequência de fotos impressionantes. Saudações aos sobreviventes do blog!
Na China, estou cada vez mais convencido de que, a despeito dos dados econômicos impressionantes e do crescente, e cada vez mais vocal, poder do país, há enormes desafios pela frente. As autoridades se defrontam com um cenário complicado conforme se aproxima a próxima transição política da cúpula do país, prevista para 2012. Há questões sobre a manutenção do crescimento, possíveis buracos no sistema financeiro, crescentes desigualdades, a degradação ambiental, envelhecimento da população, sobre a política externa do país, demandas por responsabilidade e o desconfiômetro dos vizinhos, etc... um mundo de variáveis, um mundo do tamanho da China.
O lobby dos bancos funcionou e parece que as regras de Basiléia III ficaram meio frouxas, diferidas no tempo. Há também riscos de uma nova crise, não nos esqueçamos disso. Desequilíbrios globais, desequilíbrios entre as finanças e a produção. Problemas foram empurrados com a barriga. A reforma financeira nos EUA, ainda que positiva, foi um remendo em um ou outro ponto mais ousado, mas no geral tímida, muito aquém da retórica.
As relações China-EUA seguem também complicadas. Aos dois lados interessa uma acomodação, mas no dia-dia os choques se sucedem, há pontos de divergência. Essa região do leste da Ásia é um tabuleiro geopolítico complicadíssimo. E os EUA se defrontam com inúmeros outros desafios, passando do Paquistão/Afeganistão/Iraque/Irã até a questão dos palestinos/Israel, o avanço chinês em outras regiões, os europeus que se sentem abandonados, governos crescentemente autônomos na América Latina.
Períodos de transição do poder mundial, como já escrevi, são em geral turbulentos. Adicionando a isso a questão ambiental, populacional, uma descrença grande nos mecanismos tradicionais da política e no multilateralismo, enfim, poderia elencar uma série de coisas, temos aí um quadro muito complexo e perigoso do mundo em que vivemos.
Mas vamos falar de coisas mais divertidas. Na semana passada, visitei o zoologico de Pequim. Fui ver os pandas. Mal sabia o que me aguardava. Hehehe, por enquanto me limito a dizer isso. E a colocar uma foto de um deles. Depois seguirá uma sequência de fotos impressionantes. Saudações aos sobreviventes do blog!
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010
De vuerta
de volta. belo video do amigo zeca baleiro, abertura de um show. muita coisa pra tentar escrever.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Fim da corneta
Bom, chega de cornetar no blog, já reclamei demais, vamos mostrar coisas legais, talvez uma cara de cansaço de fim de expediente, mas aquele cansaço bom de missão cumprida, de força para os dias seguintes, algum otimismo, bola pra frente, todo dia um pouco como Didi na final de 58, busca a bola lá dentro e caminhe lentamente, passe confiança, acredite...
mas não consigo dar o glorioso upload na foto... lamento, é uma foto tirada hoje na saída do trabalho: a estética é mais ou menos, a luz tá ruim, o enquadramento tá errado, mas o momento foi captado, depois tento colocá-la aqui
agora sim... e o blog sai de férias, já de cabelo cortado, retorno em meados de agosto
mas não consigo dar o glorioso upload na foto... lamento, é uma foto tirada hoje na saída do trabalho: a estética é mais ou menos, a luz tá ruim, o enquadramento tá errado, mas o momento foi captado, depois tento colocá-la aqui
agora sim... e o blog sai de férias, já de cabelo cortado, retorno em meados de agosto
Que beleza!
Aviso aos navegantes: o Ninho de Pássaro, aqui em Pequim, é hoje um enorme elefante branco. E lá vamos nós, rumo à Copa 2014... no DF, devemos somar ainda os gastos com o glorioso VLT, a reforma do estádio do Gama, a ampliação do aeroporto e também esse tal sistema de comunicações. Mas quem conhece as cidades satélites e quem acompanhou os recentes atos da política distrital sabe que não há outras prioridades, imagina, vamos lá, que boa notícia, foi assinado o contrato!!!
DF ASSINA CONTRATO DE R$ 696 MI PARA ESTÁDIO
O governador do Distrito Federal, Rogério Rosso (PMDB), assinou ontem o contrato para a reforma do Mané Garrincha para a Copa-2014. A obra ampliará a capacidade para 70 mil lugares, o que coloca Brasília como uma das candidatas para abrir a Copa-2014 - enquanto São Paulo patina para definir se disputará a abertura do evento. A obra de R$ 696 milhões, contudo, não contempla o sistema de telecomunicações.
DF ASSINA CONTRATO DE R$ 696 MI PARA ESTÁDIO
O governador do Distrito Federal, Rogério Rosso (PMDB), assinou ontem o contrato para a reforma do Mané Garrincha para a Copa-2014. A obra ampliará a capacidade para 70 mil lugares, o que coloca Brasília como uma das candidatas para abrir a Copa-2014 - enquanto São Paulo patina para definir se disputará a abertura do evento. A obra de R$ 696 milhões, contudo, não contempla o sistema de telecomunicações.
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terça-feira, 20 de julho de 2010
Desânimo
Recentemente, após a suposta pressão inflacionária que fazia com que o mercado clamasse por nova elevação dos juros, pressão bem sucedida, ora pois, começaram a sair análises, na maior cara-de-pau, dizendo que as perspectivas de aumento da inflação eram baixas. Os números não mentem, diariamente temos novas indicações de que não há problema inflacionário, está tudo tranqüilo. Mesmo assim, os gênio$ ainda clamam por mais elevações. E possivelmente vão levar, é inacreditável.
Sabe-se bem qual é a desse jogo. Teatrinho mal montado mas eficiente que busca a captura de recursos públicos por uma pequena minoria. Isso se repete faz longos anos sob os olhares de todos. Os candidatos, com medo do mercado financeiro, necessitando arrecadar recursos para as campanhas, apenas insinuam mudanças, ou as dissimulam.
Segundo matéria do Estadão de ontem, entraram desde janeiro US$ 12 bilhões de capital externo apenas na renda fixa. Apenas na renda fixa. Juros. O juro em todo o mundo está próximo de zero. Aqui, os nacionais levam por baixo uns 4% reais, gringos tiram o dobro, sem mencionar eventual valorização do câmbio, para desespero das contas externas, que preocupam cada vez mais. Caso o governo não tivesse colocado o IOF, a farra seria muito maior. Isso bate no orçamento, bate na dívida pública, é um teatro, repito, tenebroso.
Abaixo sugiro a leitura de alguns textos. Por que? Ora, porque se relacionam com essa dura lenga-lenga mercado-Banco Central de diversas maneiras. Ideologia, interesses. A supremacia de determinada forma de pensamento, supostamente técnica, presumivelmente neutra, ancorada no bom senso científico dos modelos e certezas neoclássicas.
Todo nosso modelo político e econômico, meus caros, não nos iludamos, baseia-se em premissas filosóficas. E as premissas que vêm sendo utilizadas no gerenciamento do sistema financeiro nacional, e mundial, em boa medida, atendem a interesses muito particulares dos estratos rentistas dos diferentes países.
Eu tenho preguiça, me cansa escrever sobre isso. Já foram uns duzentos posts. Lula não teve coragem de enfrentar esse jogo. Obama sofreu para aprovar uma reforma meia boca, ainda que positiva. Espero, sinceramente, que Dilma, Serra ou Marina ponham limites na esbórnia. É dinheiro público, uma catástrofe, dá desânimo seguir escrevendo sobre esse assunto, peço até desculpas a meus poucos e fiéis seguidores.
Leiam os textos a seguir de dois digníssimos lorde inglêses, se tiverem interesse. Skidelsky é autor de famosa biografia de Keynes. Turner é o chefe do órgão regulador britânico, o mesmo já citado aqui lá atrás, quando ousar mencionar a possibilidade de taxação dos fluxos internacionais, levando às reações já esperadas da City londrina.
Coisa fina. A crítica à economia política dos barões das finanças globais.
Sabe-se bem qual é a desse jogo. Teatrinho mal montado mas eficiente que busca a captura de recursos públicos por uma pequena minoria. Isso se repete faz longos anos sob os olhares de todos. Os candidatos, com medo do mercado financeiro, necessitando arrecadar recursos para as campanhas, apenas insinuam mudanças, ou as dissimulam.
Segundo matéria do Estadão de ontem, entraram desde janeiro US$ 12 bilhões de capital externo apenas na renda fixa. Apenas na renda fixa. Juros. O juro em todo o mundo está próximo de zero. Aqui, os nacionais levam por baixo uns 4% reais, gringos tiram o dobro, sem mencionar eventual valorização do câmbio, para desespero das contas externas, que preocupam cada vez mais. Caso o governo não tivesse colocado o IOF, a farra seria muito maior. Isso bate no orçamento, bate na dívida pública, é um teatro, repito, tenebroso.
Abaixo sugiro a leitura de alguns textos. Por que? Ora, porque se relacionam com essa dura lenga-lenga mercado-Banco Central de diversas maneiras. Ideologia, interesses. A supremacia de determinada forma de pensamento, supostamente técnica, presumivelmente neutra, ancorada no bom senso científico dos modelos e certezas neoclássicas.
Todo nosso modelo político e econômico, meus caros, não nos iludamos, baseia-se em premissas filosóficas. E as premissas que vêm sendo utilizadas no gerenciamento do sistema financeiro nacional, e mundial, em boa medida, atendem a interesses muito particulares dos estratos rentistas dos diferentes países.
Eu tenho preguiça, me cansa escrever sobre isso. Já foram uns duzentos posts. Lula não teve coragem de enfrentar esse jogo. Obama sofreu para aprovar uma reforma meia boca, ainda que positiva. Espero, sinceramente, que Dilma, Serra ou Marina ponham limites na esbórnia. É dinheiro público, uma catástrofe, dá desânimo seguir escrevendo sobre esse assunto, peço até desculpas a meus poucos e fiéis seguidores.
Leiam os textos a seguir de dois digníssimos lorde inglêses, se tiverem interesse. Skidelsky é autor de famosa biografia de Keynes. Turner é o chefe do órgão regulador britânico, o mesmo já citado aqui lá atrás, quando ousar mencionar a possibilidade de taxação dos fluxos internacionais, levando às reações já esperadas da City londrina.
Coisa fina. A crítica à economia política dos barões das finanças globais.
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Pobre revista
Num mundo em transformação, num país em transformação, em meio a tantos possíveis debates interessantes e construtivos, questões em aberto, dilemas, possibilidades, algumas publicações insistem em protagonizar seguidos vexames. Cheias de certezas em sua visão simplificadora, tacanha, mesquinha das coisas. Se fosse apenas isso, tudo bem, fazer o que? O problema é o constante recurso a afirmações fora de contexto, a ilações diversas a partir daí, à montagem de reportagens com um objetivo definido, ao uso de linguagem infantil, imbecilizada, ao abuso de adjetivos, a fontes não identificadas, a dossiês do submundo, enfim, ao que de pior poderia haver no jornalismo. Isso quando não avançam para ataques de caráter pessoal nos quais o preconceito se torna arma política, tudo isso sem direito de defesa, lama plena. E eles têm recursos, poderiam chamar massa crítica, debates, polemizar, enfim, ajudar a construir...
Mas não é isso que preferem. E na próxima semana, teremos em destaque os perigos de tomar sol sem protetor ou as novas técnicas que revolucionam o mercado de cirurgia estética...
Revista Veja - Lula na África/seção leitores
Em geral, não me manifesto sobre textos de imprensa, até por entender que a discordância e o debate fazem parte da democracia. Mas, desta vez, VEJA passou dos limites ao ofender-me com a caracterização de "imoral" em matéria sobre a recente visita do presidente Lula à África. Citou a minha frase "negócios são negócios” fora de contexto e fez daí uma ciranda de inferências e distorções. Para o bem da informação e pelo respeito às normas de uma imprensa responsável, resumo o ocorrido, uma vez que a revista não enviou jornalista para acompanhar a visita a África. Quando me perguntaram, em Malabo, por que o Brasil fazia negócios com a Guiné Equatorial, respondi efetivamente que "negócios são negócios", e que bastava ver a origem da manteiga consumida nos hotéis da cidade (francesa) ou a nacionalidade das principais empresas que exploram petróleo no país (americana) para saber que perseguir interesses comerciais não significa dar apoio político.
Acrescentei que "o isolamento e a distância só fazem com que eles (guineanos) dependam mais de outros e fiquem mais longe daquilo que nós desejamos”. Disse ainda que a aproximação da Guiné Equatorial com a CPLP "vai contribuir para que estas práticas que nós apreciamos sejam também adotadas pelos outros" (a Guiné Equatorial já é, de resto, membro pleno da Francofonia, liderada pela França). Nenhuma dessas declarações – referentes ao interesse na melhoria da situação interna daquele país - foi reproduzida por VEJA. A revista limitou-se a atribuir-me o adjetivo injurioso, que nunca conferiu a autoridades dos demais países que fazem negócios com a Guiné Equatorial ou com qualquer país de regime não democrático. O debate democrático e mesmo a crítica pressupõem um mínimo de respeito. Da mesma maneira que VEJA discorda das minhas opiniões, freqüentemente discordo das visões da revista, mas nunca me referi a ela de forma ofensiva e injuriosa.
CELSO AMORIM
Ministro das Relações Exteriores
Mas não é isso que preferem. E na próxima semana, teremos em destaque os perigos de tomar sol sem protetor ou as novas técnicas que revolucionam o mercado de cirurgia estética...
Revista Veja - Lula na África/seção leitores
Em geral, não me manifesto sobre textos de imprensa, até por entender que a discordância e o debate fazem parte da democracia. Mas, desta vez, VEJA passou dos limites ao ofender-me com a caracterização de "imoral" em matéria sobre a recente visita do presidente Lula à África. Citou a minha frase "negócios são negócios” fora de contexto e fez daí uma ciranda de inferências e distorções. Para o bem da informação e pelo respeito às normas de uma imprensa responsável, resumo o ocorrido, uma vez que a revista não enviou jornalista para acompanhar a visita a África. Quando me perguntaram, em Malabo, por que o Brasil fazia negócios com a Guiné Equatorial, respondi efetivamente que "negócios são negócios", e que bastava ver a origem da manteiga consumida nos hotéis da cidade (francesa) ou a nacionalidade das principais empresas que exploram petróleo no país (americana) para saber que perseguir interesses comerciais não significa dar apoio político.
Acrescentei que "o isolamento e a distância só fazem com que eles (guineanos) dependam mais de outros e fiquem mais longe daquilo que nós desejamos”. Disse ainda que a aproximação da Guiné Equatorial com a CPLP "vai contribuir para que estas práticas que nós apreciamos sejam também adotadas pelos outros" (a Guiné Equatorial já é, de resto, membro pleno da Francofonia, liderada pela França). Nenhuma dessas declarações – referentes ao interesse na melhoria da situação interna daquele país - foi reproduzida por VEJA. A revista limitou-se a atribuir-me o adjetivo injurioso, que nunca conferiu a autoridades dos demais países que fazem negócios com a Guiné Equatorial ou com qualquer país de regime não democrático. O debate democrático e mesmo a crítica pressupõem um mínimo de respeito. Da mesma maneira que VEJA discorda das minhas opiniões, freqüentemente discordo das visões da revista, mas nunca me referi a ela de forma ofensiva e injuriosa.
CELSO AMORIM
Ministro das Relações Exteriores
domingo, 18 de julho de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Red China Blues
Separei duas colunas de opinião, uma do China Daily, outra do Estadão, para tentar escrever um texto sobre liberdade de expressão. Ao contrário do que indica o senso comum, a China não é tão fechada quanto pensamos de longe. Não há uma máquina central determinando o que se escreve e o que não se escreve. Discute-se bastante, sobre vários assuntos, vivo me surpreendendo. Mas é evidente que há limitações importantes, não quero dar uma de ingênuo.
Por outro lado, no Brasil a liberdade de imprensa é um conceito muito mal utilizado. A defesa de desregulamentação em um ambiente oligopolizado, e com propriedades cruzadas, não se pode confundir com a defesa de liberdade de expressão. Os exemplos do setor financeiro e petrolífero são suficientes para atentarmos quanto aos riscos do que se convencionou chamar de autoregulação. A questão do direito de resposta também é fundamental.
Estou entrando em terreno arriscado. Vou pensar em como ou o que escrever.
Miles Davis é sensacional, não? Achei outro vídeo dele no youtube, na verdade só a música e seu rosto genial, Red China Blues, o nome me instigou a postá-lo, mas não apenas por isso, é sonzeira mesmo.
Por enquanto é só. Vou descansar, tenho trabalhado demais. Amanhã 8 horas é a estréia de Alan Patrick no Santos. A santástica fábrica de craques.
Por outro lado, no Brasil a liberdade de imprensa é um conceito muito mal utilizado. A defesa de desregulamentação em um ambiente oligopolizado, e com propriedades cruzadas, não se pode confundir com a defesa de liberdade de expressão. Os exemplos do setor financeiro e petrolífero são suficientes para atentarmos quanto aos riscos do que se convencionou chamar de autoregulação. A questão do direito de resposta também é fundamental.
Estou entrando em terreno arriscado. Vou pensar em como ou o que escrever.
Miles Davis é sensacional, não? Achei outro vídeo dele no youtube, na verdade só a música e seu rosto genial, Red China Blues, o nome me instigou a postá-lo, mas não apenas por isso, é sonzeira mesmo.
Por enquanto é só. Vou descansar, tenho trabalhado demais. Amanhã 8 horas é a estréia de Alan Patrick no Santos. A santástica fábrica de craques.
In a Silent Way
Viagem de Miles Davis remixada e com um vídeo muito maneiro, bem feito, viagem em cima de viagem, arte gráfica, música, silêncio, reflexão.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Perguntas em Pequim
Chaoyang Park. Não me pergunte quem foi Chaoyang. O que é Chaoyang. Qual exatamente a localização do Chaoyang Park. É mais ou menos perto daqui, uns 20 minutos de bicicleta. Chovia no domingo. Garoava, parava. Clima paulistano.
Lá vai Robinho. Pela esquerda, pela direita, dribla os carros, pedestres, ônibus e umas coisas cujo nome não conheço. Veículos de transporte. Chineses. E entre eles pedala Robinho. Com a camisa da seleção. Amarela. Não a que perdeu contra a Holanda.
O Chaoyang Park não deixa bicicletas entrarem. Como o Ritan Park. Como todos parques de Pequim, creio. Como o Parque Olhos D´água em Brasília. Então fiquei de fora. Na verdade, tentara entrar por portarias laterais. Mas nada. Não rolou. Guardinhas, cancelas, grades. Bom, nessas tentativas fui circundando o parque. Entrando nuns caminhos aí. Uma rua para dentro. Do parque? Outra entrada? Não sei.
Sei que noto algo. Noto alguém. Há uma estátua meio escondida atrás da grade lateral. Numa rua em que não passa ninguém. Num beco do parque, totalmente só.
Um chinês. Um homem em seus 50 ou 60 anos. Parece vestido como um inglês, não? Fuma como um inglês, não? Sua pose, parece que observa cavalos saltando obstáculos, sorri depois da caça, saboreia um chá. Chá chinês? Chá inglês? Não sei bem. Estranha a estátua ali, sob a vista de ninguém.
Há uma lápide em frente à estátua. Lápide? É assim que se fala? Uma placa, que seja. Deve haver alguma explicação. Em chinês? Caracteres em chinês. Deve haver alguma explicação. Mas não entendo. Deixa pra lá.
Logo à frente, fazendo a curva, uma construção imponente, às margens de um lago. Bela vista. Grandes estátuas de leões. Talvez hoje um hotel, um restaurante, não sei. Branca, colunas, em estilo clássico. Europeu. Inglês? Seria aquela a antiga mansão de nosso amigo apreciador de charutos. Seriam charutos? De ópio? Seria esse chinês-inglês um vencedor da guerra do ópio? Our man in Beijing?
Vou investigar qualé, qual foi. O que é Chaoyang? Quem foi Chaoyang?
Perguntas. Na China, fica-se sempre um pouco com aquele ar de não entendi. A gente acaba se acostumando com isso. E promete investigar depois. Vai pra estante.
Mais à frente, estou retornando pra casa. Passeio menor, na véspera me cansara. Almoçar. Ler. Esticar as pernas.
Estou ao lado do Estádio dos Trabalhadores. Um belo estádio. Demorou para eu ir lá. Há um time em Pequim. Vestem verde, porcada na fita. Mas vou ao jogo com a camisa do Santos, evidentemente. Em agosto.
Paro no cruzamento. Aguardo o sinal. Às vezes dá pra ir no vermelho, mas tem que ter cuidado. O melhor seria não ir no vermelho. Mas a gente vai pegando o jeito, já viu. Dessa vez parei, há uns cruzamentos em que não dá pra brincar. Não dá nem para pensar na malandragem. Há vezes inclusive que procuro ir escoltado por pedestres. Eles vão na frente, eu sigo ao lado da barreira humana. Se der zica, tem uns 5 que vão antes de mim.
Estou parado no cruzamento. Os arredores do estádio são verdes, há um lago por perto, é um lugar legal. Domingo de leve chuva. São Paulo. Ruas meio vazias. Há um senhor com um saco na mão. Olha pro mato, parado, não sei se procura algo. Catando lixo?

Num primeiro momento, achei que fosse morador de rua. Suas vestes contrastam com a do distinto lorde acima, se é que me entendem. Mas olhando agora a foto, penso que talvez seja funcionário da municipalidade de Beijing. Sua calça combina com uma capa, acho, que está no guidão da bicicleta. Não sei bem. Laranja, para ser visto, para evitar acidentes.
Reparem na sua bicicleta. Há várias desse tipo em Pequim. Bicicletas-carretas. Precárias. Entre vários outros tipos de transporte. Já disse isso. E muitos pedestres. Chineses. Muito metrô, mas o metrô é lotado. Chineses. Maior zona. Chinês não tem muito a manha com fila. Um dia comento sobre isso.
Quem é nosso amigo? Como se chama, onde vive? Família, filhos?
E o que faz um outro cara, atrás da bicicleta, agachado, de costas, meio escondido atrás da árvore?
Não dá para saber.
Nunca se está totalmente por dentro do que acontece a seu redor. No dia-dia, às vezes no trabalho, na observação da política local, para comprar qualquer coisa, parafusar a bicicleta. A China exerce grande fascínio. Vai te picando. Deu pra transmitir um pouco da sensação?
Lá vai Robinho. Pela esquerda, pela direita, dribla os carros, pedestres, ônibus e umas coisas cujo nome não conheço. Veículos de transporte. Chineses. E entre eles pedala Robinho. Com a camisa da seleção. Amarela. Não a que perdeu contra a Holanda.
O Chaoyang Park não deixa bicicletas entrarem. Como o Ritan Park. Como todos parques de Pequim, creio. Como o Parque Olhos D´água em Brasília. Então fiquei de fora. Na verdade, tentara entrar por portarias laterais. Mas nada. Não rolou. Guardinhas, cancelas, grades. Bom, nessas tentativas fui circundando o parque. Entrando nuns caminhos aí. Uma rua para dentro. Do parque? Outra entrada? Não sei.
Sei que noto algo. Noto alguém. Há uma estátua meio escondida atrás da grade lateral. Numa rua em que não passa ninguém. Num beco do parque, totalmente só.
Um chinês. Um homem em seus 50 ou 60 anos. Parece vestido como um inglês, não? Fuma como um inglês, não? Sua pose, parece que observa cavalos saltando obstáculos, sorri depois da caça, saboreia um chá. Chá chinês? Chá inglês? Não sei bem. Estranha a estátua ali, sob a vista de ninguém.
Há uma lápide em frente à estátua. Lápide? É assim que se fala? Uma placa, que seja. Deve haver alguma explicação. Em chinês? Caracteres em chinês. Deve haver alguma explicação. Mas não entendo. Deixa pra lá.
Logo à frente, fazendo a curva, uma construção imponente, às margens de um lago. Bela vista. Grandes estátuas de leões. Talvez hoje um hotel, um restaurante, não sei. Branca, colunas, em estilo clássico. Europeu. Inglês? Seria aquela a antiga mansão de nosso amigo apreciador de charutos. Seriam charutos? De ópio? Seria esse chinês-inglês um vencedor da guerra do ópio? Our man in Beijing?
Vou investigar qualé, qual foi. O que é Chaoyang? Quem foi Chaoyang?
Perguntas. Na China, fica-se sempre um pouco com aquele ar de não entendi. A gente acaba se acostumando com isso. E promete investigar depois. Vai pra estante.
Mais à frente, estou retornando pra casa. Passeio menor, na véspera me cansara. Almoçar. Ler. Esticar as pernas.
Estou ao lado do Estádio dos Trabalhadores. Um belo estádio. Demorou para eu ir lá. Há um time em Pequim. Vestem verde, porcada na fita. Mas vou ao jogo com a camisa do Santos, evidentemente. Em agosto.
Paro no cruzamento. Aguardo o sinal. Às vezes dá pra ir no vermelho, mas tem que ter cuidado. O melhor seria não ir no vermelho. Mas a gente vai pegando o jeito, já viu. Dessa vez parei, há uns cruzamentos em que não dá pra brincar. Não dá nem para pensar na malandragem. Há vezes inclusive que procuro ir escoltado por pedestres. Eles vão na frente, eu sigo ao lado da barreira humana. Se der zica, tem uns 5 que vão antes de mim.
Estou parado no cruzamento. Os arredores do estádio são verdes, há um lago por perto, é um lugar legal. Domingo de leve chuva. São Paulo. Ruas meio vazias. Há um senhor com um saco na mão. Olha pro mato, parado, não sei se procura algo. Catando lixo?
Num primeiro momento, achei que fosse morador de rua. Suas vestes contrastam com a do distinto lorde acima, se é que me entendem. Mas olhando agora a foto, penso que talvez seja funcionário da municipalidade de Beijing. Sua calça combina com uma capa, acho, que está no guidão da bicicleta. Não sei bem. Laranja, para ser visto, para evitar acidentes.
Reparem na sua bicicleta. Há várias desse tipo em Pequim. Bicicletas-carretas. Precárias. Entre vários outros tipos de transporte. Já disse isso. E muitos pedestres. Chineses. Muito metrô, mas o metrô é lotado. Chineses. Maior zona. Chinês não tem muito a manha com fila. Um dia comento sobre isso.
Quem é nosso amigo? Como se chama, onde vive? Família, filhos?
E o que faz um outro cara, atrás da bicicleta, agachado, de costas, meio escondido atrás da árvore?
Não dá para saber.
Nunca se está totalmente por dentro do que acontece a seu redor. No dia-dia, às vezes no trabalho, na observação da política local, para comprar qualquer coisa, parafusar a bicicleta. A China exerce grande fascínio. Vai te picando. Deu pra transmitir um pouco da sensação?
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