segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Oráculo

Em 5 de outubro, escrevi que Dilma deveria vencer com 55% contra 45%. Pois bem, com uns 93% dos votos apurados, o placar é esse mesmo. A diferença talvez aumente um pouquinho.

Depois escrevo sobre o resultado.

domingo, 31 de outubro de 2010

31 de outubro

31 de outubro de 2010 é dia de celebração da democracia brasileira. Na China, a brincadeira começa daqui a pouco. Deixo a Aquarela Brasileira para celebrar mais esse momento histórico.

João Bosco, num clássico do "meu Brasil, que sonha com a volta do irmão do Henfil"

E o Zé Carioca numa peça fantástica. Eu sei, eu sei, Disney tem toda uma polêmica envolvida, wo jidou, tenho algumas várias reservas, mas não contaminemos toda arte com política.

sábado, 30 de outubro de 2010

Os 77 anos de Mané Garrincha / Boitatá

De volta a Dongguan para o 2o turno das eleições. Solzinho bom por aqui. Mas fico no hotel trabalhando. E não vou falar nada do cenário político. Depois, é provável que escreva bastante, a ver. Na China, muita coisa interessante acontecendo. Podia escrever muito. Mas também não estou com vontade de navegar por essas praias.

Então vou falar de Garrincha. E depois coloco um vídeo que me matou de saudade, vídeo muito legal do Cordão do Boitatá, no Carnaval do Rio, bagunça boa da qual já participei. Garrincha, Boitatá, Brasil, muito a ver. Mas pouco a ver com a China.



Bom, sobre Garrincha já escrevi algo logo no começo do blog, o sensacional documentário do mestre Joaquim Pedro de Andrade, Garrincha, a Alegria do Povo. Deixo então essa foto acima de outro de nossos gênios da raça, cercado por 8 mexicanos, vejam só. E um texto de Mario de Andrade.

Carlos Drummond de Andrade
A necessidade brasileira de esquecer os problemas agudos do país, difíceis de encarar, ou pelo menos de suavizá-los com uma cota de despreocupação e alegria, fez com que o futebol se tornasse a felicidade do povo. Pobres e ricos param de pensar para se encantar com ele. E os grandes jogadores convertem-se numa espécie de irmãos da gente, que detestamos ou amamos na medida em que nos frustram ou nos proporcionam o prazer de um espetáculo de 90 minutos, prolongado indefinidamente nas conversas e mesmo na solidão da lembrança.

Mané Garrincha foi um desses ídolos providenciais com que o acaso veio ao encontro das massas populares e até dos figurões responsáveis periódicos pela sorte do Brasil, ofertando-lhes o jogador que contrariava todos os princípios sacramentais do jogo, e que no entanto alcançava os mais deliciosos resultados. Não seria mesmo uma indicação de que o país, despreparado para o destino glorioso que ambicionamos, também conseguiria vencer suas limitações e deficiências e chegar ao ponto de grandeza que nos daria individualmente o maior orgulho, pela extinção de antigos complexos nacionais? Interrogação que certamente não aflorava ao nível da consciência, mas que podia muito bem instalar-se no subterrâneo do espírito de cada patrício inquieto e insatisfeito consigo mesmo, e mais ainda com o geral da vida.

Garrincha, em sua irresponsabilidade amável, poderia, quem sabe?, fornecer-nos a chave de um segredo de que era possuidor e que ele mesmo não decifrava, inocente que era da origem do poder mágico de seus músculos e pés. Divertido, espontâneo, inconseqüente, com uma inocência que não excluía espertezas instintivas de Macunaíma — nenhum modelo seria mais adequado do que esse, para seduzir um povo que, olhando em redor, não encontrava os sérios heróis, os santos miraculosos de que necessita no dia-a-dia. A identificação da sociedade com ele fazia-se naturalmente. Garrincha não pedia nada a seus admiradores; não lhes exigia sacrifícios ou esforços mentais para admirá-lo e segui-lo, pois de resto não queria que ninguém o seguisse. Carregava nas costas um peso alegre, dispensando-nos de fazer o mesmo. Sua ambição ou projeto de vida (se é que, em matéria de Garrincha, se pode falar em projeto) consistia no papo de botequim, nos prazeres da cama, de que resultasse o prazer de novos filhos, no descompromisso, afinal, com os valores burgueses da vida.

Não sou dos que acusam dirigentes do esporte, clubes, autoridades civis e torcedores em geral, de ingratidão para com Garrincha. Na própria essência do futebol profissional se instalam a ingratidão e a injustiça. O jogador só vale enquanto joga, e se jogar o fino. Não lhe perdoam a hora sem inspiração, a traiçoeira indecisão de um segundo, a influência de problemas pessoais sobre o comportamento na partida. É pago para deslumbrar a arquibancada e a cadeira importante, para nos desanuviar a alma, para nos consolar dos nossos malogros, para encobrir as amarguras da Nação. Ele julga que entrou em campo a fim de defender o seu sustento, mas seu negócio principal será defender milhões de angustiados presentes e ausentes contra seus fantasmas particulares ou coletivos. Garrincha foi um entre muitos desses infelizes, dos quais só se salva um ou outro predestinado, de estrela na testa, como Pelé.

A simpatia nacional envolveu Mané em todos os lances de sua vida, por mais desajustada que fosse, e isso já é alguma coisa que nos livra de ter remorso pelo seu final triste. A criança grande que ele não deixou de ser foi vitimada pelo germe de autodestruição que trazia consigo: faltavam-lhe defesas psicológicas que acudissem ao apelo de amigos e fãs. Garrincha, o encantador, era folha ao vento. Resta a maravilhosa lembrança de suas incríveis habilidades, que farão sempre sorrir a quem as recordar. Basta ver um filme dos jogos que ele disputou: sente-se logo como o corpo humano pode ser instrumento das mais graciosas criações no espaço, rápidas como o relâmpago e duradouras na memória. Quem viu Garrincha atuar não pode levar a sério teorias científicas que prevêem a parábola inevitável de uma bola e asseguram a vitória — que não acontece.

Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.


terça-feira, 26 de outubro de 2010

Giant Buddha - Leshan/Sichuan

Bom, consegui colocar mais fotos no post abaixo sobre os pandas e parece que agora a coisa normalizou. Mas estou com preguiça de escrever sobre o Giant Buddha, então deixo esse link aqui. Início da construção: meados de 713, uns quinhentos anos depois do budismo chegar à China. Fotos a seguir... (lamento que não estejam tão boas, sugiro olhar as fotos do link acima;)



Giant Panda Breeding Base

E por falar em futebol, melhor ficar com a Província de Sichuan, mais prudente. Giant Panda Breeding Base, nos arredores de Chengdu, as fotos dizem quase tudo, é um centro de preservação e criação de pandas.




tchau, tchau

domingo, 24 de outubro de 2010

China-Brasil, razão e paixão

O título é meio pretensioso, mas o post, como o blog, non troppo.

Saudade do Brasil. Mas não queria estar no Brasil nessas semanas. Muitas calúnias, agressões, é uma guerra de torcidas movida a demagogia e hipocrisia. As grandes questões para os próximos não estão sendo discutidas. O debate é superficial, a marquetagem domina. Enfim, o jogo é baixo. Fla-Flu, ou nós ou eles, amor e ódio.

Tenho dito aqui, o Brasil não precisa de confronto, mas sim de diálogo. Há um cenário externo muito complicado e perigoso para os próximos anos, temos que nos prepararmos, infelizmente perdemos a oportunidade de discutir uma série de coisas nessas eleições. Tenho receio de que o clima de batalha perdure mesmo passada a eleição, isso não será nada bom.

Prefiro então, por enquanto, ficar por aqui, auto-exilado em meio aos pandas da Província de Sichuan, passeando pela herança do Reino de Shu, conquistado pela Dinastia Chin, que se desenvolveu aproveitando-se das belas planícies irrigadas pelo Yangtzé, que desce do topo no mundo, no alto do Himalaia, onde deve fazer uma friaca da porra. Descobri também que nessa região resiste uma sociedade matriarcal às margens do lado Lugu, na fronteira com a Província de Yunnan, depois quem sabe eu escrevo sobre isso.

Na China, quanto mais a gente vai mexendo, mais coisa aparece. Tudo muito interessante, o mistério, o fascínio, as descobertas, aventuras. Mas volto e retorno de onde nunca saí, fico com o Brasil tropical, estou com saudade do Brasil, tenho pensado sobre o Brasil e compartilho vídeos selecionados cheios de Brasil. São entrevistas, declarações, feitas por brasileiros e para os brasileiros, parte de nossa história, de onde bebemos o futuro, fontes de inspiração e força, Glauber, Darcy, Freire, Milton Santos, pensadores, sonhadores, é sempre um refresco ouvi-los.





sábado, 23 de outubro de 2010

Ausência do maestro

Estava lendo agora que o técnico do Santos acha que com seis vitórias, nos oito jogos restantes, o time será campeão brasileiro pela nona vez. Bom, não é fácil ganhar 6 dos oito jogos finais, muitos deles contra times ameaçados pelo rebaixamento. É preciso combinar com os adversários, heheh.

De todo modo, seria um título surpreendente. O Santos já ganhou tudo esse ano, conforme previ em janeiro, hehe, e teve atuações memoráveis. Fez mais gols que o esquadrão de 2004 e até mais do que em alguns anos da Era Pelé. Até por já ter feito tanto, e por estar se preparando para a Libertadores em 2011, pensei que fôssemos ficar num chove não molha de 5o a 10o lugar. Mais importante, perdemos Ganso, nosso maestro, faz uns dois meses numa jogada boba contra a freguesia gremista.

Ganso joga o fino da bola. Estilo clássico, cadenciado. Muito habilidoso, canhotinha genial. É um cara tranquilo, legal. Até no momento de sua contusão, para quem quiser rever, verá que ele se contunde, arrebenta o joelho, com muita serenidade. Pois bem, ele tá fazendo falta. Para todos que gostam do bom futebol, da arte. Para os santistas, principalmente. A seguir uma seleção de lances do maestro. E vamos ver se o Peixe leva mais esse título.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Amenidades

Agora só amenidades. Cenas de Pequim e mais Teresa Cristina.




domingo, 17 de outubro de 2010

Metamorfose Ambulante

Pra descontrair, versão reggae de metamorfose ambulante. Som, imagem e banda bem roots, mas taí, metamorfose ambulante é um som que fica bem com reggae.

Mais dois artigos

Prometo parar de falar a respeito. Mas seguem aí mais dois artigos sobre o vazio programático do processo eleitoral brasileiro. Pra não ocupar muito espaço, ficam os links. Walter Maierovitch comenta sobre a ausência de debate sobre a questão prisional. Vitor Soares comenta sobre o jogo pesado e superficial da reta final da campanha. É o Fla-Flu que eu tanto temia.

Eles estão surdos

FERNANDA TORRES

Eles estão surdos


--------------------------------------------------------------------------------
Candidatos fecham o ouvido para o discurso do adversário até transformá-lo numa massa sonora sem relevância --------------------------------------------------------------------------------


HORÁCIO, o amigo confidente de Hamlet, passa toda a tragédia de Shakespeare servindo de ouvido para as angústias do príncipe. No fim, recebe a incumbência de contar às futuras gerações a história do herói, mas a peça termina antes que possa fazê-lo.
Preencher os longos momentos de silêncio, testemunhando todos os dias as mesmas palavras, é exercício fino de atuação. Horácio conduz a poesia por meio de sua atenção e ajuda a fazer a ponte entre Hamlet e o espectador.
O ator Pedro Cardoso costuma dizer que o mundo é feito de monólogos. Segundo ele, ninguém presta realmente atenção no que o outro está dizendo. O ouvinte, no fundo, só espera a pausa do interlocutor para sair falando o que pensava enquanto o parceiro gastava o verbo.
O virulento debate entre os dois candidatos que restaram é um exemplo típico da teoria do Pedro.
Com apenas dois lutadores na arena, a necessidade de contrapor as diferenças triplicou. É forçoso impedir que o recado do oponente chegue ao eleitor. Cada um enaltece sua versão absoluta da realidade e despreza a do concorrente. Qualquer possibilidade que não seja a própria vitória é apresentada como uma catástrofe de proporções bíblicas.
Como sofro de pessimismo crônico e desconfio das vacas gordas, tendo a concordar com as previsões funestas.
A descrição de José Serra do que será o Brasil nas mãos de Dilma Rousseff, tomado por barganhas políticas de cargos nos setores estratégicos e perseguido pela execução sumária dos opositores, me causa arrepios.
Da mesma maneira, tremo quando Dilma prevê o fim da justa distribuição de renda pelas mãos do PSDB ou recorda o processo de privatização no reinado tucano.
Meu impulso é sair estocando comida, água e papel higiênico para me preparar para o dilúvio eminente.
Eu sei que é ingenuidade achar que uma corrida eleitoral acontece na gentileza, mas estou com dificuldade de discernir o real do imaginário, a justiça da calúnia, e me preocupa a falta de perspectiva de diálogo futuro entre os dois oponentes.
Nas edições compactas do debate da Band na internet, o vírus da incomunicabilidade se mostra mais agressivo.
A montagem que favorece Dilma é extraordinária. Editaram apenas o início das respostas de Serra ao final de cada uma das assertivas intervenções da petista. Dilma desanca a suposta intenção de privatização da Petrobras por parte do opositor e Serra responde lacônico: "Sempre voltam a essa questão."
Ponto. E Dilma cai novamente de sola em cima do passivo adversário.
O corte é tão cirúrgico que consegue fazer com que Serra concorde com todas as acusações de Dilma.
O vídeo exemplifica a maneira como os candidatos preparam a escuta na corrida eleitoral. Ao contrário do que se exige do ator que encarna Horácio, o candidato deve fechar o ouvido para o discurso do adversário até transformá-lo, também para o eleitor, em uma massa sonora sem relevância.
Como dizia o rei Roberto: eles estão surdos!
--------------------------------------------------------------------------------
FERNANDA TORRES é atriz

Chengdu, Província de Sichuan

Chengdu, de onde blog transmitirá na próxima semana, é a capital da Província de Sichuan, que fica numa bacia subtropical no centro-sul da China, porta de entrada para as vastas e relativamente poucos populosas regiôes do oeste. "Terra da abundância", banhada por rios que descem das cordilheiras que cercam a província, suas férteis planícies possibilitaram o surgimento de antigas civilizações chinesas muito avançadas para os padrões daqueles tempos.

É região com florestas, terra dos pandas, de macacos dourados, comida apimentada, belas chinesas. Há universidades de ponta, particularmente nos setores de alta tecnologia e engenharia. Diversas empresas multinacionais lá se encontram. Altos investimentos em infra-estrutura, logística, urbanização e indústria pesada comandam o crescimento local. Por não ter saídas para o mar, Sichuan, ao contrário das provínciais costeiras, não se desenvolve com base em exportações. Ao contrário, é considerada um laboratório das reais possibilidades de uma China mais voltada ao mercado interno.

Com 91 milhões de habitantes, PIB de quase US$ 200 bilhões, renda per capita similar à do Egito, Sichuan ainda tem um longo caminho. A urbanização é menos de 40%, embora cresça em ritmo acelerado. Há três linhas de trens de alta velocidade, uma quarta está sendo construída. O aeroporto é muito moderno. A província teve que ser em parte reconstruída após o terremoto de 2008, que matou dezenas de milhares de pessoas. Enfim, mais uma grande viagem ao interior desse misterioso e fascinante universo chinês.



Entrevista com Wen Jiabao

Entrevista raríssima: o Primeiro-Ministro Wen Jiabao conversou recentemente com o jornalista Fareed Zakaria da CNN. A última vez que havia concedido uma entrevista a um jornalista ocidental foi para o mesmo Zakaria em 2008. Não entrarei em detalhes, mas há diversos movimentos bastante interessantes ocorrendo no opaco sistema político chinês. Tudo que temos são pistas, sinais esparsos, mas parece estar ocorrendo intenso debate da elite local com vistas aos rumos do país e à sucessão prevista para 2012.

Para quem se interessar, sugiro ver os outros 4 vídeos da entrevista.

sábado, 16 de outubro de 2010

Gonzaga, Carrilho, Clara, Bosco, Azevedo

Um blog nacional, democrático e popular.

O Idiota

Estive ausente por excesso de trabalho e problemas no programinha que uso para acessar o youtube e blogs em geral. Tenho acompanhado bastante o processo eleitoral no Brasil. Tenho visto os programas eleitorais, vi o debate de domingo na Band, gostei bastante, os dois foram bem, o segundo turno os obriga a se mexer. Espero que se mostrem ainda mais, que sejam questionados, que se abram.

Lógico que há temas, como já comentei aqui, que não deveriam fazer parte do debate eleitoral. Há demagogia, inverdades, algumas calúnias, acusações pessoais, familiares, dos dois lados a coisa deu uma degringolada chata. Questões como as contas externas, o meio ambiente, o pré-sal, a reforma política, itens como o trem-bala, os investimentos para a Copa e as Olimpíadas, tudo isso é pouco discutido, e muito muito no geral, quando não estão ausentes do debate. O clima esquentou muito, perde a esfera pública, ganham as claques.

Eu não votei no primeiro turno. Não votarei no segundo turno. Explico: trabalhei numa seção eleitoral no sul da China, no segundo turno voltarei a trabalhar lá. Na verdade, fui e serei o representante da justiça eleitoral na seção, que beleza. Mas meu título eleitoral é de Pequim. Então não posso votar. Lamento, pois queria.

Por razões familiares, e por comodismo, não deveria escrever o que vem a seguir. Até por oportunismo, pois pode ser que haja uma virada. Mas vejo que o momento é delicado e há uma polarização. Aqueles que se interessam por política estão sendo chamados a se manifestar. Aqueles que, como eu, já votaram dos dois lados, e em outras circunstâncias em Ciro Gomes, Cristovam Buarque, e nessa provavelmente em Marina, estão tendo que pular para um dos lados. Apesar dos pesares, do baixo nível que a campanha atual apresenta por vezes, muitas vezes. E apesar de ambos candidatos, na minha opinião, terem história e competência para conduzir o Brasil.

Explico: não sou daqueles que vê o fim do mundo em nenhum dos casos. Independente de quem ganhar, temos que investir no diálogo, não no confronto. Torcer. Acreditar. Trata-se do processo democrático, mais do que a vitória de A ou de B.

Bom, vamos lá. Se pudesse votar, de maneira alguma seria branco ou nulo, não iria me eximir. Meu voto iria para a candidata que representa, sem sombra de dúvida, a continuidade de um projeto nacional, democrático e popular. Como bem poderia imaginar quem acompanha esse blog. Que de chapa branca não tem muita coisa, apesar de seguidos elogios à política externa brasileira. Basta ver meus comentários sobre os gênios do Banco Central. Ou sobre questões ligadas à Copa e às Olimpíadas. Assuntos sérios, fundamentais.

Enfim, meus pouquíssimos leitores hão de reconhecer que sou um idiota, eu sei. Não devia ter escrito isso, e muitas outras coisas, eu sei. Talvez alguns parentes vão querer me enforcar. Amigos vão comentar. Hewentalittlefunnyinthehead. Sei, sei bem, que o clima é de guerra, particularmente em SP. Mas fiquem tranquilos. Quase ninguém lê esse blog. Eu tenho os números. É coisa de 3 por dia, às vezes 5, e creio que muitas vezes os mesmos. Mas foi crescendo um sentimento e não dá pra esconder. É preciso descer do muro.

Meu voto seria para Dilma Rousseff, por certamente representar a continuidade de um projeto maior de nação. É claro que me preocupo com sua falta de experiência administrativa, com sua possível inabilidade, com denúncias de corrupção que não são devidamente conduzidas, com a maneira como o Congresso é e será levado, com seu temperamento forte, e as pressões que sofrerá, num Brasil que precisa de diálogo. Mas votaria nela, não tenho dúvidas disso.

Sou um idiota, eu sei. No curto prazo, em termos profissionais, que no meu caso são quase termos pessoais, o melhor seria a vitória do Serra.

Enfim, na China também há um idiota que ousou falar o que pensa. Ganhou o Nobel, mas tem apenas uma hora de sol por dia e está afastado de sua mulher. Estarei bem, para onde quer que a onda vá. Assim espero com o Brasil.

Falei outra coisa que não devia falar... fim.