Impossível esquecer-me da madrugada em que estava zapeando, descompromissado, preparando-me para perder a hora no dia seguinte na faculdade, quando coloquei na Bandeirantes.
Foi então que se abriram aquelas imagens da Amazônia, o barco, tambores, índios e a voz de Caruso.
domingo, 16 de agosto de 2009
sábado, 15 de agosto de 2009
Globo x Record - Liberdade de Empresa
Prosseguem as trocas de confetes entre os dois conglomerados empresariais. Divertido, muito bom.
Os estudiosos das relações entre mídia e poder, das leis que regulamentam o setor, na verdade da falta de leis e parâmetros mínimos que orientem o setor, acompanham tudo com atenção, prato cheio. Vejam, por exemplo, a entrevista do Laurindo Leal no Terra Magazine.
A grande imprensa tem uma enorme dificuldade de discutir sua própria formação, sua condição atual, as leis que a regem, seus compromissos, etc... Nesses momentos de luta, a guarda baixa. Record e Globo se comportam como primos bêbados discutindo loucamente, estão falando algumas verdades antigas, incômodas, inconvenientes, em frente à família reunida para o aniversário da Vovó. Espanto na audiência.
Os estudiosos das relações entre mídia e poder, das leis que regulamentam o setor, na verdade da falta de leis e parâmetros mínimos que orientem o setor, acompanham tudo com atenção, prato cheio. Vejam, por exemplo, a entrevista do Laurindo Leal no Terra Magazine.
A grande imprensa tem uma enorme dificuldade de discutir sua própria formação, sua condição atual, as leis que a regem, seus compromissos, etc... Nesses momentos de luta, a guarda baixa. Record e Globo se comportam como primos bêbados discutindo loucamente, estão falando algumas verdades antigas, incômodas, inconvenientes, em frente à família reunida para o aniversário da Vovó. Espanto na audiência.
Subprime Crisis
Bom, sei que muita já viu, mas, em todo o caso...
Prepare-se. Esses caras são muito bons. Gênios. Ganharam bilhões. Estavam nas capas das revistas. Eram gurus, exemplos para a juventude. Alguns de seus mais destacados colegas comandavam as finanças das principais economias do mundo desenvolvido. A porta giratória Wall Street-Treasury. Um pouco como o circuito Faria Lima/Leblon-Banco Central, às vezes Ministério da Fazenda (mas menos).
Enfim, os caras estavam com a bola toda. Sabiam tudo. Depois, perceberam que não sabiam nada. De repente, caiu a ficha de que haviam feito uma grande merda. Uma cagada gigantesca. Quebraram. Destruíram a poupança de muita gente. Causaram demissões em massa. Derrubaram governos mundo afora. E aí, amigo, subitamente seus mais destacados porta-vozes saíram anunciando o apocalipse e clamando por dinheiro público. Sim, esse abominável personagem chamado governo foi convocado para botar ordem na zona. Foram salvos a um custo brutal para os contribuintes e o resto do mundo.
Estão de volta, dizendo que tudo agora vai bem, mostrando lucros bancados pelas garantias públicas e mudanças contábeis, distribuindo novos bônus fenomenais. Já estão mais soltos, afirmam que não é necessária regulação, que os países devem preparar "exit strategies" e que tudo voltará ao normal. Aplicam, assim, o maior golpe da história.
Rir para não chorar. Self-Regulation, liberalização, abertura. Participei de debates sobre o sistema financeiro internacional na ONU nos dias 9-11 de setembro de 2008, dias antes da quebra do Lehman, quando o petróleo batia US$ 150. Um dia escrevo aqui sobre as posições então defendidas pela delegação norte-americana e o silêncio europeu, inglês e japonês.
Sem ressentimentos. Hoje os governos estão juntos para reconstruir um sistema que faliu. Mas há grandes resistências no setor privado, na academia e em alguns governos específicos. E eles têm muita grana, poder político e ideológico. Complicado.
Prepare-se. Esses caras são muito bons. Gênios. Ganharam bilhões. Estavam nas capas das revistas. Eram gurus, exemplos para a juventude. Alguns de seus mais destacados colegas comandavam as finanças das principais economias do mundo desenvolvido. A porta giratória Wall Street-Treasury. Um pouco como o circuito Faria Lima/Leblon-Banco Central, às vezes Ministério da Fazenda (mas menos).
Enfim, os caras estavam com a bola toda. Sabiam tudo. Depois, perceberam que não sabiam nada. De repente, caiu a ficha de que haviam feito uma grande merda. Uma cagada gigantesca. Quebraram. Destruíram a poupança de muita gente. Causaram demissões em massa. Derrubaram governos mundo afora. E aí, amigo, subitamente seus mais destacados porta-vozes saíram anunciando o apocalipse e clamando por dinheiro público. Sim, esse abominável personagem chamado governo foi convocado para botar ordem na zona. Foram salvos a um custo brutal para os contribuintes e o resto do mundo.
Estão de volta, dizendo que tudo agora vai bem, mostrando lucros bancados pelas garantias públicas e mudanças contábeis, distribuindo novos bônus fenomenais. Já estão mais soltos, afirmam que não é necessária regulação, que os países devem preparar "exit strategies" e que tudo voltará ao normal. Aplicam, assim, o maior golpe da história.
Rir para não chorar. Self-Regulation, liberalização, abertura. Participei de debates sobre o sistema financeiro internacional na ONU nos dias 9-11 de setembro de 2008, dias antes da quebra do Lehman, quando o petróleo batia US$ 150. Um dia escrevo aqui sobre as posições então defendidas pela delegação norte-americana e o silêncio europeu, inglês e japonês.
Sem ressentimentos. Hoje os governos estão juntos para reconstruir um sistema que faliu. Mas há grandes resistências no setor privado, na academia e em alguns governos específicos. E eles têm muita grana, poder político e ideológico. Complicado.
Que feio...
Olha, mais pra frente quem sabe arriscarei algumas impressões, assim, com o maior respeito, sobre o sistema financeiro nacional. Mais para frente.
VINICIUS TORRES FREIRE
Os vexames dos bancões privados
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Banca critica desempenho dos estatais e leva tiro dos fatos, com o balanço do BB; é outro vexame da rica safra de 2009
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FAZ PARTE do show petista espinafrar bancos. Mas a banca privada poderia ter dormido sem levar essa carraspana desmoralizante do ministro da Fazenda. Brandindo os números superiores do balanço do Banco do Brasil, Guido Mantega pôde sapatear alegremente sobre as críticas de banqueiros à concorrência estatal. Outro vexame dos bancos privados.
A vexação mais recente não tinha nem uma semana. Os bancos privados haviam feito enorme lobby para gorar o leilão das contas do INSS. Até 2008, o governo pagava mais de R$ 250 milhões aos bancos que faziam os pagamentos do INSS. Em vez de pagar, decidiu vender aos bancos o direito de prestar tal serviço, em leilão. A banca dizia que não iria ao "absurdo" leilão, que o governo pressionava os estatais para que a disputa não fosse um fracasso etc. Bem, houve o tal leilão. E o Bradesco levou um monte de contas do INSS.
Mais vexame da banca privada. Desde o estouro da crise, em outubro de 2008, os bancos estatais foram responsáveis por 83% do aumento do estoque de crédito para o setor privado no Brasil. Os bancos privados estrangeiros, aliás, chegaram a reduzir o total de empréstimos. De janeiro a setembro de 2008, os estatais respondiam por só 38% da variação do crédito. Logo, os estatais evitaram que o crédito desabasse na crise e, assim, recessão feia. Bancos privados e porta-vozes vários diziam que os bancos estatais faziam besteira, emprestando dinheiro que não receberiam. Dado o histórico de rombos e irresponsabilidade dos estatais, era um temor muito razoável. Mas não havia fatos bastantes para avacalhar, de pronto, a iniciativa estatal. Aliás, ainda pode ser que alguns empréstimos estatais desse período miquem. Até agora, os fatos desmentem tal possibilidade.
Roberto Setubal, do Itaú, motivo da ira de Mantega, disse nesta semana que a atitude da concorrência estatal é "insustentável"-em 12 meses, o crescimento da carteira de crédito do BB foi o dobro da alta da carteira do Itaú. Pode bem ser que Setubal, muito bem informado, tenha razão. Mas onde estão os seus fatos? Há mais vexames. Em maio, os números do crédito indicaram que a banca privada voltava a emprestar quase tanto quanto a estatal. Banqueiros diziam que podiam então fazê-lo responsavelmente, pois a economia dava sinais de vida. Bem, os dados de junho mostraram nova retirada dos bancos privados do front de crédito, cujo estoque só cresceu praticamente devido aos estatais.
Outra conversa fiada, outro vexame. Os bancos ainda bateram o pé para não baixar as taxas que cobram para administrar fundos de investimento. Diziam que a fuga dos investidores dos fundos em direção à poupança não era problema dos bancos, mas só dos juros altos da poupança. Os juros tabelados da poupança são decerto um problemão, mas muitas taxas de fundos são de fato extorsivas. Como o governo sentou sobre a solução do caso da poupança, em boa parte por populismo, a banca teve de se mexer e baixar suas taxas. Vexame.
Os bancos de resto foram flagrados pelos fiscais da concorrência aprontando com monopólios nos cartões de crédito. Foi um vexame dentro de casa, pois a banca afinal é amiga do capitalismo. Não é?
VINICIUS TORRES FREIRE
Os vexames dos bancões privados
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Banca critica desempenho dos estatais e leva tiro dos fatos, com o balanço do BB; é outro vexame da rica safra de 2009
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FAZ PARTE do show petista espinafrar bancos. Mas a banca privada poderia ter dormido sem levar essa carraspana desmoralizante do ministro da Fazenda. Brandindo os números superiores do balanço do Banco do Brasil, Guido Mantega pôde sapatear alegremente sobre as críticas de banqueiros à concorrência estatal. Outro vexame dos bancos privados.
A vexação mais recente não tinha nem uma semana. Os bancos privados haviam feito enorme lobby para gorar o leilão das contas do INSS. Até 2008, o governo pagava mais de R$ 250 milhões aos bancos que faziam os pagamentos do INSS. Em vez de pagar, decidiu vender aos bancos o direito de prestar tal serviço, em leilão. A banca dizia que não iria ao "absurdo" leilão, que o governo pressionava os estatais para que a disputa não fosse um fracasso etc. Bem, houve o tal leilão. E o Bradesco levou um monte de contas do INSS.
Mais vexame da banca privada. Desde o estouro da crise, em outubro de 2008, os bancos estatais foram responsáveis por 83% do aumento do estoque de crédito para o setor privado no Brasil. Os bancos privados estrangeiros, aliás, chegaram a reduzir o total de empréstimos. De janeiro a setembro de 2008, os estatais respondiam por só 38% da variação do crédito. Logo, os estatais evitaram que o crédito desabasse na crise e, assim, recessão feia. Bancos privados e porta-vozes vários diziam que os bancos estatais faziam besteira, emprestando dinheiro que não receberiam. Dado o histórico de rombos e irresponsabilidade dos estatais, era um temor muito razoável. Mas não havia fatos bastantes para avacalhar, de pronto, a iniciativa estatal. Aliás, ainda pode ser que alguns empréstimos estatais desse período miquem. Até agora, os fatos desmentem tal possibilidade.
Roberto Setubal, do Itaú, motivo da ira de Mantega, disse nesta semana que a atitude da concorrência estatal é "insustentável"-em 12 meses, o crescimento da carteira de crédito do BB foi o dobro da alta da carteira do Itaú. Pode bem ser que Setubal, muito bem informado, tenha razão. Mas onde estão os seus fatos? Há mais vexames. Em maio, os números do crédito indicaram que a banca privada voltava a emprestar quase tanto quanto a estatal. Banqueiros diziam que podiam então fazê-lo responsavelmente, pois a economia dava sinais de vida. Bem, os dados de junho mostraram nova retirada dos bancos privados do front de crédito, cujo estoque só cresceu praticamente devido aos estatais.
Outra conversa fiada, outro vexame. Os bancos ainda bateram o pé para não baixar as taxas que cobram para administrar fundos de investimento. Diziam que a fuga dos investidores dos fundos em direção à poupança não era problema dos bancos, mas só dos juros altos da poupança. Os juros tabelados da poupança são decerto um problemão, mas muitas taxas de fundos são de fato extorsivas. Como o governo sentou sobre a solução do caso da poupança, em boa parte por populismo, a banca teve de se mexer e baixar suas taxas. Vexame.
Os bancos de resto foram flagrados pelos fiscais da concorrência aprontando com monopólios nos cartões de crédito. Foi um vexame dentro de casa, pois a banca afinal é amiga do capitalismo. Não é?
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
The Economist e a Política Externa Brasileira
A Economist soltou uma matéria grande sobre a política externa brasileira, o papel do Brasil no mundo, a América Latina, etc... Aqui, aqui e aqui. Está em destaque em vários blogs.
God Save the Queen. "O Brasil é hoje ator de grande importância, então prestem atenção no que vocês estão fazendo, vejam bem com quem andam". Dividir para melhor governar.
Talvez comente depois, talvez não. Mas certamente recomendo a leitura aos interessados, embora discorde de uma série de coisas. E não acho que os ingleses atualmente tenham condições de passar lições de moral ou dar conselhos a ninguém. O tom das matérias vai às vezes por aí, mas tudo bem, é o Economist, uma revista editorializada, que se posiciona, tem substância, exige estofo para o debate.
God Save the Queen. "O Brasil é hoje ator de grande importância, então prestem atenção no que vocês estão fazendo, vejam bem com quem andam". Dividir para melhor governar.
Talvez comente depois, talvez não. Mas certamente recomendo a leitura aos interessados, embora discorde de uma série de coisas. E não acho que os ingleses atualmente tenham condições de passar lições de moral ou dar conselhos a ninguém. O tom das matérias vai às vezes por aí, mas tudo bem, é o Economist, uma revista editorializada, que se posiciona, tem substância, exige estofo para o debate.
Imprensa, tecnologia e poder
Pois é, no post abaixo faltaram referências sobre o papel da tecnologia na perda de poder dos grandes meios de comunicação. A difusão de massa via rádio e TV concentrou o poder. Hoje, no sentido contrário, de descentralização, a Internet é revolucionária, democrática, republicana, anarquista, libertária. Os blogs, fóruns de debates, o acesso direto, sem intérpretes ou edições, à opinião de pessoas e grupos de interesse enfraquece muito a capacidade da grande mídia de forjar a realidade da maneira que melhor lhe convém.
E pensar que, no passado, pessoas eram mortas por editarem jornais "subversivos", por expressarem opiniões, por divergirem, questionarem o poder, etc... e etc... e tal. Muita gente morreu. E eu aqui meio preocupado com eventuais consequências de escrever essas coisas, deixa isso pra lá.
Aliás, aproveito para agradecer a todos os poucos (ou não?!) que porventura estejam se aventurando por aqui. É uma honra, eu promeeeeeto (estilo Sarney no doc do Glauber) colocar coisas mais leves no fim-de-semana. Fico feliz em poder escrever assim e fico feliz em saber que algumas pessoas, próximas ou não, têm a oportunidade de conhecer um pouco de minhas idéias, angústias, sonhos, preocupações, interesses, reclamações, cornetagens, observações, análises, e blablabla.
E pensar que, no passado, pessoas eram mortas por editarem jornais "subversivos", por expressarem opiniões, por divergirem, questionarem o poder, etc... e etc... e tal. Muita gente morreu. E eu aqui meio preocupado com eventuais consequências de escrever essas coisas, deixa isso pra lá.
Aliás, aproveito para agradecer a todos os poucos (ou não?!) que porventura estejam se aventurando por aqui. É uma honra, eu promeeeeeto (estilo Sarney no doc do Glauber) colocar coisas mais leves no fim-de-semana. Fico feliz em poder escrever assim e fico feliz em saber que algumas pessoas, próximas ou não, têm a oportunidade de conhecer um pouco de minhas idéias, angústias, sonhos, preocupações, interesses, reclamações, cornetagens, observações, análises, e blablabla.
Record x Globo
"E eu não mudo, mas eu não me iludo, os manos cú de burro, éééé, eu sei de tudo". Não estou acompanhando os confetes entre as duas, confesso. Vou correr atrás, pesquisei no youtube e vi que tem coisa interessante, no mínimo divertida.
Não tem santo nessa história.
Não tem santo nessa história.
Imprensa e Poder
Talvez esteja para terminar a Novela Sarney, não sei, parece, com a descoberta, OH!, de que todos são assim e faz tempo, que os atos secretos vêm de um passado longínquo, quando o próprio foi Pres. do Senado (1995-1997) seguido por ACM (1997-não lembro), e ambos eram considerados políticos sensatos, que davam suporte a privatizações, coisas assim modernas. Agora mude o canal, acho que o programa terminou. Vamos nos voltar a uma outra novela, o episódio Dilma-Lina, a CPI da Petrobrás, sei lá.
Nada contra, também gostaria de saber porque a Lina foi demitida. Gostaria. Muito. Vocês não sabem como. Mas há outras questões tão ou mais importantes. De fato, Lina, embora importante, é menor diante dos atuais desafios do país.
E assim segue a novelização da política, capítulos sucessivos de ataques concatenados, denúncias selecionadas, a manipulação, manadas de bits, links, ondas, a espetacularização, a hipocrisia. O detalhe, o acessório, o escandaloso, em detrimento do todo, do fundamental. A credibilidade, assim, numa nação mais consciente de seus interesses, se esvai.
Ao menos as famílias que controlam os grandes meios de comunicação têm hoje dificuldades para pautar o país. É um alívio ver isso. Isso decorre do aprofundamento da democracia, da figura de Lula, um mito, mas também de nossa autonomia energética, alimentar, financeira, certo desejo de afirmação cultural, quem sabe civilizacional. Tais pequenos grupos se julgam no direito de interpretar nossa realidade. É curiosa e exagerada a autoridade moral que eles se propõem a representar. No entanto, hoje, vejam só que dureza, estão meio desorientados, escravos de pequenos jogos, perderam a direção. É difícil fazer algo melhor, a audiência, o mercado, a publicidade, os negócios, tanta coisa, tanta grana. Não têm capacidade nem disposição de analisar estruturas, discuti-las, questioná-las, porque são parte da rede de poder no Brasil. Se estivessem dispostas a destrinchá-lo, se entregariam, hahha, não sobraria nada. Pois são parte do poder, exercem o poder, constróem e alimentam o centro do poder.
E este poder centralizado, hierárquico, concentrador, arrogante, está em xeque. Maravilha de momento que vivemos.
Eu tenho mil motivos para criticar o Lula, seus aliados, seu pragmatismo, a esquizofrenia de seu governo, seu comodismo, sua lábia fácil, etc... etc... e tal. Também tenho vários motivos para elogiá-lo, a moderação, a conversa, o entendimento, a sorte, a inteligência, a habilidade, o pragmatismo, e aprecio bastante as políticas sociais e a política externa. Mas esses são aspectos. Aspectos que não cabem em molduras simplórias. Não dá para julgar assim com tantas certezas, raiva, desprezo. É preciso humildade com a história, sabedoria na leitura da nossa história, é o Brasil procurando um ponto de equilíbrio, conflitos, contradições, dificuldades.
Talvez seja mesmo um certo relativismo, talvez, poxa, um certo generalizado relativismo, que só não se aplica ao processo democrático. À orientação nacional, popular e de esquerda.
Há um horizonte para todos. Mas não me agrada o branco e preto, a oposição grosseira. O Fla-Flu. A manipulação. O engodo. O preconceito. A luta política, não com idéias, mas com hipocrisia e mentiras. A desqualificação de pessoas, quando na verdade vemos disputas de poder entre grupos sociais, construções discursivas, premissas políticas, filosóficas, a herança do estranhamento cultural, herança, a colônia, a escravidão, o mandonismo e a subserviência, de baixo acima de cima abaixo.
A grande imprensa está no fundo do poço. Cada vez menos pessoas dão bola para o que faz, para o que fala. Está sendo fustigada por um processo de amadurecimento, inconstante, inseguro, mas espero inevitável, da sociedade brasileira. Isso me deixa satisfeito. Mas não resolve, tá longe disso.
Nada contra, também gostaria de saber porque a Lina foi demitida. Gostaria. Muito. Vocês não sabem como. Mas há outras questões tão ou mais importantes. De fato, Lina, embora importante, é menor diante dos atuais desafios do país.
E assim segue a novelização da política, capítulos sucessivos de ataques concatenados, denúncias selecionadas, a manipulação, manadas de bits, links, ondas, a espetacularização, a hipocrisia. O detalhe, o acessório, o escandaloso, em detrimento do todo, do fundamental. A credibilidade, assim, numa nação mais consciente de seus interesses, se esvai.
Ao menos as famílias que controlam os grandes meios de comunicação têm hoje dificuldades para pautar o país. É um alívio ver isso. Isso decorre do aprofundamento da democracia, da figura de Lula, um mito, mas também de nossa autonomia energética, alimentar, financeira, certo desejo de afirmação cultural, quem sabe civilizacional. Tais pequenos grupos se julgam no direito de interpretar nossa realidade. É curiosa e exagerada a autoridade moral que eles se propõem a representar. No entanto, hoje, vejam só que dureza, estão meio desorientados, escravos de pequenos jogos, perderam a direção. É difícil fazer algo melhor, a audiência, o mercado, a publicidade, os negócios, tanta coisa, tanta grana. Não têm capacidade nem disposição de analisar estruturas, discuti-las, questioná-las, porque são parte da rede de poder no Brasil. Se estivessem dispostas a destrinchá-lo, se entregariam, hahha, não sobraria nada. Pois são parte do poder, exercem o poder, constróem e alimentam o centro do poder.
E este poder centralizado, hierárquico, concentrador, arrogante, está em xeque. Maravilha de momento que vivemos.
Eu tenho mil motivos para criticar o Lula, seus aliados, seu pragmatismo, a esquizofrenia de seu governo, seu comodismo, sua lábia fácil, etc... etc... e tal. Também tenho vários motivos para elogiá-lo, a moderação, a conversa, o entendimento, a sorte, a inteligência, a habilidade, o pragmatismo, e aprecio bastante as políticas sociais e a política externa. Mas esses são aspectos. Aspectos que não cabem em molduras simplórias. Não dá para julgar assim com tantas certezas, raiva, desprezo. É preciso humildade com a história, sabedoria na leitura da nossa história, é o Brasil procurando um ponto de equilíbrio, conflitos, contradições, dificuldades.
Talvez seja mesmo um certo relativismo, talvez, poxa, um certo generalizado relativismo, que só não se aplica ao processo democrático. À orientação nacional, popular e de esquerda.
Há um horizonte para todos. Mas não me agrada o branco e preto, a oposição grosseira. O Fla-Flu. A manipulação. O engodo. O preconceito. A luta política, não com idéias, mas com hipocrisia e mentiras. A desqualificação de pessoas, quando na verdade vemos disputas de poder entre grupos sociais, construções discursivas, premissas políticas, filosóficas, a herança do estranhamento cultural, herança, a colônia, a escravidão, o mandonismo e a subserviência, de baixo acima de cima abaixo.
A grande imprensa está no fundo do poço. Cada vez menos pessoas dão bola para o que faz, para o que fala. Está sendo fustigada por um processo de amadurecimento, inconstante, inseguro, mas espero inevitável, da sociedade brasileira. Isso me deixa satisfeito. Mas não resolve, tá longe disso.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Follow the Money
Breve comentário sobre o blog do Brad Setser. Quem acessá-lo, verá que as postagens acabaram.
Brad foi trabalhar no Conselho Econômico Nacional, órgão de assessoria direta ao Presidas dos EUA sobre temas ligados à economia global. Eu não tinha dúvidas de que algo assim poderia acontecer. Seu blog, Follow the Money, era simplesmente um "must read". Textos densos, análise apurada, as questões fundamentais, a visão de médio e longo prazo, sem preconceitos, realista, honesta, bem escrita, enfim, o homem tem uma mente privilegiadíssima. Nenhum país poderia desperdiçar uma capacidade desse tipo assim facilmente. Foi logo tragado pelo Larry Summers, que dirige o Conselho. Eles têm muito trabalho por lá. Os EUA estão num momento muuuito difícil. Engana-se quem olha as bolsas, os lucros e os bônus dos bancos e pensa que a coisa tá passando, que tudo será como antes.
Dentre as inúmeras mensagens de despedida do blog, uma me fez escrever o mesmo no meu comentário: "a death in the family". Uma surpresa, assim, uma enorme perda.
Adiós, Brad, good luck e não se esqueça dos seus primos mais pobres dos países em desenvolvimento. Quando sair daí, favor retornar à blogosfera.
Brad foi trabalhar no Conselho Econômico Nacional, órgão de assessoria direta ao Presidas dos EUA sobre temas ligados à economia global. Eu não tinha dúvidas de que algo assim poderia acontecer. Seu blog, Follow the Money, era simplesmente um "must read". Textos densos, análise apurada, as questões fundamentais, a visão de médio e longo prazo, sem preconceitos, realista, honesta, bem escrita, enfim, o homem tem uma mente privilegiadíssima. Nenhum país poderia desperdiçar uma capacidade desse tipo assim facilmente. Foi logo tragado pelo Larry Summers, que dirige o Conselho. Eles têm muito trabalho por lá. Os EUA estão num momento muuuito difícil. Engana-se quem olha as bolsas, os lucros e os bônus dos bancos e pensa que a coisa tá passando, que tudo será como antes.
Dentre as inúmeras mensagens de despedida do blog, uma me fez escrever o mesmo no meu comentário: "a death in the family". Uma surpresa, assim, uma enorme perda.
Adiós, Brad, good luck e não se esqueça dos seus primos mais pobres dos países em desenvolvimento. Quando sair daí, favor retornar à blogosfera.
Lista de blogs
Pois é, consegui, não foi difícil. Adicionei alguns apenas. Mais pra frente coloco outros e vario os temas. Por enquanto, economia e política, política e economia, economia política, política econômica, os temas fundamentais. Amanhã, quem sabe, em homenagem à querida Senadora Marina Silva, adiciono algo sobre desenvolvimento sustentável. E algo sobre música? Cinema? Política Externa? Futebol? Literatura? Psicologia? Arquitetura e Urbanismo?
Mulheres e amores e dores e canções. É muita coisa nesse mundÃo.
Mulheres e amores e dores e canções. É muita coisa nesse mundÃo.
Exceção
Paulo Rabello de Castro, apesar de Doutor por Chicago, consegue sair do lugar comum das planilhas, do corte de gastos e da necessidade de juros. É um cara que geralmente apresenta posições bem mais inteligentes do que a média do que vemos por aí, especialmente em seu meio. Destaco os parágrafos finais do artigo dele na FSP de hoje. É importante que ocorram avanços mais imediatos enquanto não podemos ainda utilizar os recursos do Pré-Sal para complementar os urgentes investimentos que o Brasil precisa em educação.
"Confio, apesar de tantas forças negativas, em que algo poderoso nos empurrará a rever, proximamente, nosso pífio arranjo produtivo e educacional. Essa pressão vigorosa provém de uma circunstância demográfica -a chegada da geração mais numerosa de todos os tempos, de jovens adultos brasileiros, buscando o mercado de trabalho. Serão cerca de 70 milhões de entrantes nos próximos 25 anos, empurrando-nos a "construir uma nova São Paulo", inteira e acabada, a cada cinco anos! A segunda circunstância é o quase fim do "rentismo financeiro" criado pela maior taxa de juros do mundo, que fez o Brasil empacar por décadas. Esses dois fenômenos, gente jovem e juros mais baixos, operarão um milagre de estímulo "natural".
Qual será nosso nível de resposta? Ao ritmo atual, apenas mais do mesmo. Para crescer a 6%, como seria ideal, precisamos de uma revolução em infraestruturas e aprendizagem. Candidato nenhum ainda tocou nesse ponto."
"Confio, apesar de tantas forças negativas, em que algo poderoso nos empurrará a rever, proximamente, nosso pífio arranjo produtivo e educacional. Essa pressão vigorosa provém de uma circunstância demográfica -a chegada da geração mais numerosa de todos os tempos, de jovens adultos brasileiros, buscando o mercado de trabalho. Serão cerca de 70 milhões de entrantes nos próximos 25 anos, empurrando-nos a "construir uma nova São Paulo", inteira e acabada, a cada cinco anos! A segunda circunstância é o quase fim do "rentismo financeiro" criado pela maior taxa de juros do mundo, que fez o Brasil empacar por décadas. Esses dois fenômenos, gente jovem e juros mais baixos, operarão um milagre de estímulo "natural".
Qual será nosso nível de resposta? Ao ritmo atual, apenas mais do mesmo. Para crescer a 6%, como seria ideal, precisamos de uma revolução em infraestruturas e aprendizagem. Candidato nenhum ainda tocou nesse ponto."
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
sobre o blog
Tentando acertar o layout, mudando cores, querendo aprender a mexer em algumas ferramentas, enfim, aquela velha dificuldade tecnológica torna os aperfeiçoamentos bem lentos. Próxima meta é colocar links ao lado para blogs que acompanho/recomendo.
Também percebi alguns errinhos gramaticais, bobagens, tolices, às vezes corrijo, às vezes deixa pra lá, que que tem, que que há, eu não tô não fazendo nada, você também...
Também percebi alguns errinhos gramaticais, bobagens, tolices, às vezes corrijo, às vezes deixa pra lá, que que tem, que que há, eu não tô não fazendo nada, você também...
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Notícias da Crise

No primeiro post do blog, citei a minuta inicial da Conferência sobre a Crise da ONU, realizada em junho último. Foi meio bombardeada, inclusive com um aceno brasileiro nesse sentido, pois ainda que a filosofia política dela fosse correta, partindo de diagnósticos sensatos e chegando a orientações bem sinalizadas, concretamente, na realidade negociadora dos Estados, era muito ambiciosa, em linguagem mais solta, às vezes retórica, com propostas controversas. Dificilmente algo assim iria para a frente. Os países ricos iam detoná-la e a ONU sairia perdendo. Depois as coisas se ajeitaram e até que terminaram bastante bem. Os trabalhos na ONU prosseguirão e é bom que seja assim, pois essa crise mundial vai longe, como Dani Rodrik argumenta mais abaixo. Um dia, quem sabe, a Assembléia-Geral das Nações Unidas, o G-192, reunirá Chefes de Estado, Chanceleres e Ministros das Finanças em suas dependências. Triste é imaginar que tipo de destruição será necessária para que isso ocorra.
Copiei naquele mesmo post trechos também do discurso de abertura do Padre Miguel D´Escoto, nicaraguense, Presidente da Assembléia-Geral das Nações Unidas, esse simpático amigo da foto acima. É looongo, exagerado, às vezes repetitivo, mas aponta na direção correta, ele sabe que as soluções para os atuais impasses estão muito além do que vem sendo hoje discutido. São muito belas algumas passagens. Vivemos uma crise que se manifesta sob múltiplas formas: financeira, econômica, ambiental, energética, de segurança alimentar, uma crise de governança, uma crise do próprio sistema político mundial. Não há liderança, não há idéias consensuais, as negociações internacionais ficam na superfície, o aperto leva a um cada um por si perigoso. O Padre faz um apelo ao entendimento entre os homens, as nações, a humanidade. Simpatizo com ele, mas sua liderança política não foi suficiente. Infelizmente, ele não falava aos povos, mas a representantes dos Estados.
De qualquer forma, é bom transmitir suas palavras, fico satisfeito em poder fazer isso nesse blog. Também noto que tivemos avanços na política financeira internacional, no discurso e nas práticas, mas ainda limitados, aquém do que é necessário. Vamos trabalhar nisso. Encha o copo meio cheio.
Dani Rodrik escreveu em junho parágrafos que acho que vale a pena transcrever.
"History teaches that global economic order is difficult to establish and maintain in the absence of a dominant economic power. The interwar period, which suffered from a similar crisis of leadership, produced not only a collapse of globalization, but a devastating armed conflict on a global scale.
So the stakes in righting the world economy could not be higher. Mismanage the process, and the consequences could be unimaginable.
Unfortunately, many of the solutions on offer are either too timid or demand too much of a global leadership that is in short supply.
The conundrum of global reform is that the proposals that go far enough, such as establishing a global financial regulator, are wildly unrealistic, while those that are realistic, such as reform of the IMF, fall far short of what is needed.
What we need is a vision of globalization that is fully cognizant of its limits. We can start with a simple principle: We should strive not for maximum openness in trade and finance, but for levels of openness that leave ample room for the pursuit of domestic social and economic objectives in rich and poor countries alike. In effect, the best way to save globalization is to not push it too far."
Glauber Rocha e Sarney
Cinema, documentário, política, história, surrealismo, loucura, Terra em Transe.
Tentando tornar o blog um pouco mais leve, ma non troppo, lá vem documentário de Glauber sobre a posse do nosso amigo Sarney, creio que em 66, dois anos de regime militar. As imagens do Maranhão parecem distantes, mas ele está por aqui, ao redor, esteve aqui, por dentro, do Rio de Janeiro, de Brasília, de São Paulo, da TV e do Rádio, em redes de poder, há muitos e muitos anos.
Glauber é um verdadeiro mestre, figura única. Detalhe óbvio, e genial nas mãos de nosso grande artista, saudosa figura, inigualável, é o discurso de Sarney, indignado e eloquente, contrastado à miséria da realidade maranhense. Realidade e ficção, o absurdo, o caricatural, cinema político, nacional, popular, democrático, Glauber gênio da raça.
Tentando tornar o blog um pouco mais leve, ma non troppo, lá vem documentário de Glauber sobre a posse do nosso amigo Sarney, creio que em 66, dois anos de regime militar. As imagens do Maranhão parecem distantes, mas ele está por aqui, ao redor, esteve aqui, por dentro, do Rio de Janeiro, de Brasília, de São Paulo, da TV e do Rádio, em redes de poder, há muitos e muitos anos.
Glauber é um verdadeiro mestre, figura única. Detalhe óbvio, e genial nas mãos de nosso grande artista, saudosa figura, inigualável, é o discurso de Sarney, indignado e eloquente, contrastado à miséria da realidade maranhense. Realidade e ficção, o absurdo, o caricatural, cinema político, nacional, popular, democrático, Glauber gênio da raça.
Mais sobre Marina
Uma luz na campanha eleitoral de 2010. Belo discurso do Cristovam e outras manifestações de apreço à candidatura da querida Senadora Marina Silva nesse blog aqui. O debate se enriquecerá caso isso se confirme. Parece que vai rolar mesmo. Esses cálculos "prejudica A, B ou C" estão muito ligados a projetos de poder, não projetos de país. Ainda que ela termine com 3%, o que é possível, sua mera presença tirará o foco da disputa PSDB x PT e colocará o tema do modelo de desenvolvimento em debate de maneira mais vigorosa.
Esse blog abaixo é muito bom. Pretendo falar mais sobre desenvolvimento sustentável aqui, fazendo ainda algumas referências ao José Eli da Veiga, que realiza um bom trabalho em SP, é um grande estudioso do tema e já contribuiu com muitos textos que valem a pena ler.
Esse blog abaixo é muito bom. Pretendo falar mais sobre desenvolvimento sustentável aqui, fazendo ainda algumas referências ao José Eli da Veiga, que realiza um bom trabalho em SP, é um grande estudioso do tema e já contribuiu com muitos textos que valem a pena ler.
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desenvolvimento sustentável,
eleições 2010
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